<?xml version="1.0" encoding="utf-8"?>
<feed xmlns="http://www.w3.org/2005/Atom">
    <title>Economia Política por ARS</title>
    <link rel="alternate" type="text/html" href="http://blog.antoniorebelodesousa.pt/" />
    <link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://blog.antoniorebelodesousa.pt/atom.xml" />
   <id>tag:blog.antoniorebelodesousa.pt,2011://1</id>
    <link rel="service.post" type="application/atom+xml" href="http://www431.pair.com/cgi-sys/cgiwrap/lfaisco/managed-mt/mt-atom.cgi/weblog/blog_id=1" title="Economia Política por ARS" />
    <updated>2010-01-07T15:22:05Z</updated>
    <subtitle>Um blog de Economia Política da autoria de António Rebelo de Sousa</subtitle>
    <generator uri="http://www.sixapart.com/movabletype/">Movable Type 3.2</generator>
 
<entry>
    <title>O Estado Providência</title>
    <link rel="alternate" type="text/html" href="http://blog.antoniorebelodesousa.pt/2010/01/o_estado_providencia_1.html" />
    <link rel="service.edit" type="application/atom+xml" href="http://www431.pair.com/cgi-sys/cgiwrap/lfaisco/managed-mt/mt-atom.cgi/weblog/blog_id=1/entry_id=9" title="O Estado Providência" />
    <id>tag:blog.antoniorebelodesousa.pt,2010://1.9</id>
    
    <published>2010-01-07T14:47:41Z</published>
    <updated>2010-01-07T15:22:05Z</updated>
    
    <summary><![CDATA[por António Rebelo de Sousa (*)&nbsp; Quando se procura analisar o papel do Estado na economia, parte-se, em muitos casos, de algumas simplificações analíticas que importa assinalar. Uma primeira simplificação que, de alguma forma, resulta das contribuições teóricas de clássicos...]]></summary>
    <author>
        <name>admin</name>
        
    </author>
            <category term="Economia Política" />
    
    <content type="html" xml:lang="pt" xml:base="http://blog.antoniorebelodesousa.pt/">
        <![CDATA[<p align="right">por António Rebelo de Sousa (*)<br>&nbsp;</p>
<p align="justify">Quando se procura analisar o papel do Estado na economia, parte-se, em muitos casos, de algumas simplificações analíticas que importa assinalar.</p>
<p align="justify">Uma primeira simplificação que, de alguma forma, resulta das contribuições teóricas de clássicos como Pigou, consiste em se partir do pressuposto de que não existe desemprego involuntário (mas, tão somente, desemprego friccional ou desemprego voluntário), pelo que se estaria sempre em pleno-emprego.</p>
<p align="justify">Ora, conforme nos explica – e bem – Keynes na sua “Teoria Geral do Emprego, do Juro e do Dinheiro”, “a procura efectiva associada ao pleno emprego é um caso especial que só se verifica quando a propensão marginal a consumir e o incentivo para investir se encontram numa relação mútua particular”<sup>1</sup>.</p>
<p align="justify">Logo, a hipótese clássica só se verifica quando a poupança é igual ao investimento (i.e., quando o investimento é igual ao excedente do preço da oferta global de produção resultante do pleno emprego sobre o consumo da comunidade).</p>
<p align="justify">Todavia, para Keynes, a igualdade entre a poupança e o investimento não se verifica “ex-ante” mas sim “ex-post”, o que implica a necessidade de adopção de mecanismos de intervenção que contribuam para que se criem as condições propiciadoras do pleno-emprego.</p>
<p align="justify">Daí o papel relevante do Estado em termos de gestão macroeconómica e a indispensabilidade de implementação de programas de investimento público em situação de recessão (uma vez que, inclusive, os agentes empresariais condicionam a decisão de investir às expectativas de evolução da procura e as decisões de produção à procura de bens de equipamento).</p>
<p align="justify">Uma segunda simplificação analítica tem que ver com a confusão que alguns sectores estabelecem entre o nível de desenvolvimento e os dados existentes sobre o rendimento médio das famílias ou o PIB – Produto Interno Bruto “per capita”.</p>
<p align="justify">Ora, conforme Paul Krugman explica – e bem – no seu recente livro “A consciência de um liberal”, o estudo do grau de desenvolvimento de uma qualquer sociedade (de acordo com uma perspectiva não economicista, que contemple, inclusive, a Teoria da Relatividade Económica e a Teoria dos Três Diamantes do Bem-Estar) passa, também, pela análise do grau de assimetrização existente.</p>
<p align="justify">E para a análise do grau de assimetrização faz mais sentido atender ao conceito de mediana do que ao conceito de média.</p>
<p align="justify">Por outras palavras, faz mais sentido considerar-se a evolução do rendimento mediano das famílias (rendimento disponível) do que do PIB p.c..</p>
<p align="justify">Uma terceira simplificação analítica consiste em procurar-se explicar a assimetrização que se tem vindo a registar, a nível mundial, apenas a partir da crescente procura de qualificações (“skill-biased technical change”).</p>
<p align="justify">Ora, sendo certo que a mudança tecnológica orientada para a qualificação contribui para um certo agravamento da assimetrização (com realce para os sectores em que se registam externalidades em cadeia), não faz sentido reconduzir a explicação da mesma a esta problemática, tanto mais que a dita assimetrização se verifica no seio dos próprios segmentos de mão-de-obra mais qualificada.</p>
<p align="justify">A título de exemplo, se compararmos a evolução dos salários dos professores universitários mais qualificados das melhores universidades americanas com a evolução dos salários dos gestores das 300 maiores empresas dos EUA, constatamos que se registou um fenómeno de assimetrização.</p>
<p align="justify">Mais, se se proceder a uma análise detalhada, chegamos à conclusão de que, mesmo no segmento dos gestores, se registou uma assimetrização não directamente relacionada com a produtividade marginal alcançada pelos mesmos.</p>
<p align="justify">Alguns autores limitam-se a medir a produtividade marginal dos gestores a partir dos lucros obtidos (o que se apresenta discutível, uma vez que não são os únicos responsáveis pelos mesmos).</p>
<p align="justify">Mas, mesmo utilizando essa metodologia, nem sempre se regista uma relação directa entre a efectiva rendibilidade das empresas e as remunerações dos gestores, havendo, em muitos casos, o aparecimento de uma economia de cumplicidade endogâmica, com a concretização de alianças entre uma nova tecnoestrutura emergente (com uma função objectivo de “playing for short run profit and diversification”) e alguns “business angels”.</p>
<p align="justify">A quarta simplificação analítica resulta de se considerar que a única forma das economias desenvolvidas ocidentais competirem, no futuro, com as novas economias asiáticas emergentes consiste em rever o tipo de modelo de sociedade, pondo em causa, radicalmente, o Estado Providência.</p>
<p align="justify">Simplificando, admite-se que a única forma de obter ganhos de competitividade face aos países asiáticos está na redução dos custos comparativos e, para tal, afigurar-se-ía necessário pôr em causa o Estado Providência.</p>
<p align="justify">Nada de mais enganoso.</p>
<p align="justify">Se a única forma de os países europeus e dos EUA passarem a ser competitivos com o que se convencionou designar de NIC’s – “New Industrialized Countries” passasse pela redução dos custos, não seria, seguramente, com uma diminuição dos encargos salariais e sociais da ordem dos 30 ou 40% que se resolveria o problema.</p>
<p align="justify">Seria, isso sim, necessário dividir por 3 ou por 4 os encargos salariais (salários directos e indirectos mais encargos sociais), o que mesmo os políticos europeus e americanos mais conservadores sabem ser, totalmente, impossível.</p>
<p align="justify">A quinta e última simplificação analítica consiste em se considerar que o sector privado é, necessariamente, eficiente e que o sector público se apresenta, necessariamente, ineficiente.</p>
<p align="justify">Trata-se de uma simplificação semelhante àquela que os fundamentalistas marxistas-leninistas faziam (e, ainda, fazem), nos termos da qual com a nova sociedade comunista surgia o homem bom, honesto e, por isso mesmo, incorruptível.</p>
<p align="justify">O sector privado nem sempre funciona bem. E existem falhas de mercado que têm que ver com a problemática dos bens públicos, com as externalidades, com a adulteração dos mecanismos concorrenciais e com a indivisibilidade e a impossibilidade de exclusão, associadas aos grandes números.</p>
<p align="justify">Como, aliás, o Estado, nem sempre funciona bem. E existem as falhas de Estado que têm que ver com o facto de o preço indirecto do bem público se apresentar, em muitos casos, dissociado da utilidade marginal resultante da sua fruição ou, ainda, com as funções-objectivo do burocrata (com ou sem zonas de autonomia decisória).</p>
<p align="justify">E nem sempre o nível de bem-estar de um país em que o Estado-Providência tem uma dimensão relativa menor se apresenta maior do que o nível de bem-estar de um país com um Estado Providência forte.</p>
<p align="justify">Em França, como relembra Paul Krugman, quem estiver desempregado tem os serviços de saúde assegurados pelo Governo e recebe ajuda na alimentação e na habitação, bem como, por exemplo, para as despesas com o infantário.</p>
<p align="justify">Um liberal-conservador dirá, de imediato, que o PIB francês é, tão somente, de 74% do PIB americano.</p>
<p align="justify">Mas, é preciso não esquecer que a percentagem de população em actividade em França é bem menor do que nos EUA, uma vez que a entrada no mercado de trabalho se opera, em média, mais tarde e a idade de reforma se apresenta inferior.</p>
<p align="justify">Se se considerar o PIB por trabalhador francês empregado, em 2006, o valor obtido é, apenas, inferior em 10% ao americano.</p>
<p align="justify">E se considerar que, em média, o horário de trabalho do francês é de 86 a 88% do do americano, chegamos à conclusão – algo surpreendente, para alguns – de que a produtividade/hora se apresenta semelhante para o francês e para o americano (produtividade/hora do factor produtivo trabalho).</p>
<p align="justify">E afigura-se discutível afirmar que o nível de Bem-Estar (ou, se se quiser, de “felicidade colectiva”) em França é menor do que nos EUA.</p>
<p align="justify">Mais, não se descortina qualquer tendência, mesmo nos sectores conservadores, para pôr em causa, radicalmente, o Estado Providência.</p>
<p align="justify">Eis as cinco simplificações analíticas que estão na origem de algumas grandes divergências de modelo de sociedade e de políticas económico-sociais.</p>
<p align="justify">E, em meu entender, é na própria percepção destas simplificações que deverá radicar a consciência do “centro esquerda”.</p>
<p align="justify">Para o centro esquerda não faz sentido partir do pressuposto de que se está sempre em pleno-emprego, graças à automaticidade dos mecanismos reequilibradores do mercado, nem tão pouco adoptar uma visão economicista da análise dos fenómenos económicos ou considerar a assimetrização como uma inevitabilidade histórica, ou, ainda, pôr em causa, em termos radicais, o Estado Providência.</p>
<p align="justify">E assim como Krugman nos fala da necessidade de afirmar uma “consciência liberal” (entendida na versão americana), faz sentido, para um europeu e nos tempos de hoje, referir a indispensabilidade de afirmar uma consciência genuinamente de centro-esquerda.</p>
<p align="justify">Nem mais, nem menos…<br />&nbsp;</p>

<hr />
<p style="font-size:smaller; ">(*) Professor Associado com Agregação da Universidade Técnica de Lisboa.<br />(<sup>1</sup>) Keynes, John Maynard – “Teoria Geral do Emprego, do Juro e do Dinheiro”, pág. 3.</p>]]>
        
    </content>
</entry>
<entry>
    <title>A Insegurança e a Actual Crise Económica Internacional </title>
    <link rel="alternate" type="text/html" href="http://blog.antoniorebelodesousa.pt/2009/12/a_inseguranca_e_a_actual_crise_economica_internacional_.html" />
    <link rel="service.edit" type="application/atom+xml" href="http://www431.pair.com/cgi-sys/cgiwrap/lfaisco/managed-mt/mt-atom.cgi/weblog/blog_id=1/entry_id=6" title="A Insegurança e a Actual Crise Económica Internacional " />
    <id>tag:blog.antoniorebelodesousa.pt,2009://1.6</id>
    
    <published>2009-12-14T14:00:57Z</published>
    <updated>2009-12-14T14:16:28Z</updated>
    
    <summary>1. Nota Introdutória Durante muitos anos, especialistas no que se convencionou designar de Ciência Política consideravam que a insegurança, a instabilidade, o terrorismo e, de um modo geral, os conflitos sociais resultavam, essencialmente, do subdesenvolvimento. Se se pretendia solucionar o...</summary>
    <author>
        <name>admin</name>
        
    </author>
            <category term="Economia Política" />
    
    <content type="html" xml:lang="pt" xml:base="http://blog.antoniorebelodesousa.pt/">
        <![CDATA[<p><strong>1. Nota Introdutória</strong></p>

<p>Durante muitos anos, especialistas no que se convencionou designar de Ciência Política consideravam que a insegurança, a instabilidade, o terrorismo e, de um modo geral, os conflitos sociais resultavam, essencialmente, do subdesenvolvimento.</p>

<p>Se se pretendia solucionar o problema da insegurança (ou, pelo menos, atenuá-lo), era preciso combater a miséria, romper com o dualismo económico-social, bem como com o que NURSKE designava de “círculo vicioso da pobreza”.</p>

<p>Tal levava a um debate sobre a problemática da Nova Ordem Económica Internacional que chamasse a atenção para a indispensabilidade da transferência de recursos do Norte para o Sul ou, se se preferir, do “centro industrializado” para a “periferia subdesenvolvida”.</p>

<p>Nesta linha, a Segurança Internacional apresentava-se como algo de indissociável das Políticas de Cooperação e da Ajuda Pública ao Desenvolvimento.</p>

<p>Acontece, todavia, que os desenvolvimentos constatados, mais recentemente, na situação económica mundial levam à introdução de novos factores de insegurança, de natureza diferente, que se inserem numa perspectiva que não se esgota na problemática do subdesenvolvimento, mas que contempla a vontade de aproveitamento de eventuais debilidades sistémicas por parte de sectores anti-globalização e anti-Dogmática dos Direitos Humanos (tal como é concebida no Ocidente), sectores esses que, de uma forma ou de outra, se inspiram em teses fundamentalistas e que têm da própria Globalização uma visão truncada.</p>

<p><br />
<strong>2. A presente crise financeira e económica</strong></p>

<p>Convém, antes do mais, referir alguns dos factores explicativos da presente crise financeira e económica internacionais, apresentando, simultaneamente, soluções.</p>

<p>Muitos economistas preferem proceder a um diagnóstico da presente crise, sem, todavia, apresentarem soluções concretas, antes se limitando a propostas vagas e imprecisas, do género de que se torna necessário estimular a despesa, mas que tal não se apresenta fácil de concretizar, uma vez que importa não aumentar, significativamente, os défices orçamentais, não se apresentando, também, possível incrementar a Dívida Pública, apontando, tão somente, o caminho do investimento na formação e na educação, na esperança de um dia “redentor” em que, fruto de uma recuperação da situação económica internacional, as exportações poderão aumentar a um ritmo tal que haverá crescimento sustentado e redução do desemprego.</p>

<p>Sem ofensa, os ditos economistas “encomendam-se a Deus Nosso Senhor” – o que, em boa verdade, é sempre louvável – e esperam, serenamente, que a Intervenção Divina opere os necessários Milagres.</p>

<p>Acontece que a presente crise teve, de facto, a sua origem numa deficiente gestão de liquidez pelo Sector Financeiro, numa sobrevalorização de activos e numa má gestão do risco, sendo certo que os primeiros sinais deste conjunto de debilidades surgiram na fase pós - Big Bang dos anos 80.</p>

<p>Mas, desde há cerca de 8 ou 9 anos que se apresentava evidente que estávamos confrontados com os primeiros sinais de uma crise económica estrutural.</p>

<p>Sectores como os das telecomunicações e da informática – tidos como motores e nucleares aquando da III Revolução Industrial – perderam algum do seu dinamismo e, por conseguinte, a capacidade de inverterem o “ciclo da crise” (ao contrário da situação ocorrida aquando da “Crise do Golfo”, em princípios dos anos 90), gerando-se, a partir de 2002 – 2003, uma situação, ao nível de muitos países desenvolvidos, de crescimento moderado, senão mesmo de quase estagnação ou de para-recessão (que alguns autores prefeririam designar de “crescimento homotético”).</p>

<p>Sou, aliás, dos que pensam que o problema estrutural da economia mundial só se solucionará quando ocorrer a IV Revolução Industrial e de Serviços e que tal implicará a aposta em sectores em relação aos quais não se constate uma saturação ao nível do grau de satisfação das necessidades das comunidades, i.e., a aposta em sectores com necessidades infindas por satisfazer.</p>

<p>Será, por exemplo, em meu entender, o caso de um sector como o da Saúde.</p>

<p>Quando se descobrir a cura de certos tipos de cancro ou do HIV, ou, ainda, quando se descobrirem novas técnicas de produção de medicamentos e/ou de equipamentos médicos, não apenas a esperança de vida à nascença aumentará, como os custos com a saúde diminuirão.</p>

<p>Tal permitirá, graças aos avanços tecnológicos, o desenvolvimento de novas actividades – como, por exemplo, o turismo de saúde e o turismo de terceira idade, com efeitos a montante, a jusante e laterais –, bem como uma maior competitividade entre sector público e sector privado em toda a área da Saúde.</p>

<p>Mas, regressando à crise, sendo já evidente que existiam, de há uns anos a esta parte, sinais de crise potencial em muitas economias desenvolvidas, com possibilidade de alastramento à semi-periferia e à periferia, propriamente dita, a escola neo-liberal entendeu que a melhor maneira de lidar com a situação existente consistia em privilegiar a componente psicológica, procurando-se evitar que se gerasse desconfiança por parte dos agentes económicos.</p>

<p>Tradicionalmente, o Pacto Keynesiano levava a que numa situação de para-recessão (ou de crescimento rastejante) se começasse a baixar a taxa de juro, a aumentar o investimento público (com eventual agravamento do défice orçamental) e a injectar liquidez no mercado.</p>

<p>As correntes neo-liberais preferiram (muitas vezes com taxas de crescimento abaixo dos 1-1,5%) aumentar as taxas de juro, reduzir o investimento público e conter o volume de massa monetária em circulação, sempre com o pretexto de que era indispensável manter o grau de confiança dos agentes económicos.</p>

<p>Só que os agentes económicos não passaram, por tal facto, a investir mais.</p>

<p>O investimento privado em vez de aumentar continuava a diminuir e se havia algum crescimento o mesmo ficava a dever-se mais à expansão (ainda que temperada) do consumo (com recurso a endividamento) do que ao aumento do investimento.</p>

<p>É assim que, meses antes do deflagrar da crise financeira internacional, o BCF continuava, calmamente, a aumentar a taxa de referência, proclamando que a prioridade das prioridades estava no combate à inflação.</p>

<p>Só perante o inevitável os pensadores neo-liberais tiveram que admitir que talvez fosse de baixar as taxas de juros e de injectar alguma liquidez no sistema financeiro, mas lançando, desde logo, avisos contra as tentações neo-Keynesiana e novo-Keynesiana.</p>

<p>Os argumentos aduzidos eram os seguintes:</p>

<p>- o investimento público não produzia efeitos expansionistas significativos em economia aberta, antes contribuindo para o agravamento do desequilíbrio externo;</p>

<p>- o Keynesianismo só seria aplicável numa economia com direitos aduaneiros (i.e., fechada), com orçamento próprio e, claro está, com moeda própria, o que não sucederia, hoje em dia, com grande parte das economias;</p>

<p>- os grandes projectos de investimento público estariam, necessariamente, orientados para a absorção de mão-de-obra indiferenciada, pelo que não resolveriam o problema do desemprego em economias mais evoluídas;</p>

<p>- as políticas Keynesianas mais não seriam do que meros paliativos, contribuindo para a expansão do SBNT e não para o desenvolvimento do SBT, por definição o que se apresentaria mais relevante para o desenvolvimento de uma estratégia orientada para o aproveitamento das vantagens competitivas dinâmicas da economia.</p>

<p>- finalmente, as teses Keynesianas conduziram, inexoravelmente, a uma nova expansão excessiva do Sector Público, aumentando, de uma forma exagerada, o peso do Estado na economia e na sociedade.</p>

<p>Muito embora reconhecendo alguma validade a alguns dos sobreditos argumentos, importa, todavia, referir aspectos essenciais que, quer os “supply siders”, quer os monetaristas, têm deixado passar em claro:</p>

<p>- em primeiro lugar, para que o binómio multiplicador – acelerador não produzisse quaisquer efeitos no nível de actividade económica seria necessário que a propensão marginal a consumir produtos nacionais fosse igual a zero, o que, naturalmente, corresponderia sempre a uma excessiva simplificação analítica (poderá, isso sim, comparar-se os efeitos produzidos no nível de actividade económica com os efeitos induzidos ao nível do desequilíbrio externo, o que se apresenta diferente de uma posição condenatória, sem apelo nem agravo);</p>

<p>- em segundo lugar, não conheço algum neo-Keynesiano ou novo-Keynesiano que defenda a tese de que a inversão do “ciclo da crise” deva resultar de políticas isoladas a concretizar no país A ou no país B e, no que concerne à Europa – e, muito em particular, à zona do euro –, o que se defende é, isso sim, uma coordenação de políticas a nível comunitário, sendo certo que, no quadro europeu, existem fronteiras e direitos aduaneiros face a países terceiros, é possível implementar uma política orçamental e existe uma moeda, a saber, o euro;</p>

<p>- em terceiro lugar, é preciso saber adaptar o pensamento Keynesiano aos novos tempos, não existindo, hoje em dia, um único neo-Keynesiano que pense que os grandes projectos de investimento público têm que ser sempre orientados para a absorção de mão-de-obra não qualificada, não havendo nada que impeça a realização de projectos de investimento público em sectores como os da indústria automóvel ou da indústria aeronáutica, a título de exemplo.</p>

<p>- em quarto lugar, os paliativos são muitas vezes indispensáveis.</p>

<p>Quando estamos perante um doente oncológico, já numa fase terminal, os analgésicos são paliativos, mas não é por isso que o médico deixa de recorrer aos mesmos.</p>

<p>Mais, a reacção à quimioterapia não será, necessariamente, a mesma estando o doente com dores ou sem dores.</p>

<p>Transpondo para a realidade social, não será, seguramente, o mesmo promover reformas na Administração Pública ou na Saúde com uma taxa de desemprego de 4% ou de 10%.</p>

<p>- Em quinto lugar, os projectos de investimento público não têm que ser, necessariamente, orientados para o SBNT, antes podendo contemplar, também, o SBT. Mas, manda a verdade reconhecer que a expansão do SBT deve ser, muitas vezes, acompanhada de alguma expansão ao nível do SBNT, a fim de se procurar evitar um agravamento significativo de desequilíbrios, a nível regional e sectorial.</p>

<p>Finalmente, não é verdade que um Estado forte se apresente incompatível com um Estado eficaz e ao Serviço da Comunidade.</p>

<p>Sou dos que pensam que os países nórdicos têm constituído, até certo ponto, um bom exemplo nesta matéria.</p>

<p><br />
<strong>3. Que Proposta?</strong></p>

<p>Assim sendo, qual a solução para a actual crise?</p>

<p>Sou dos que defendem que o Federal Reserve e o Banco Central Europeu devem injectar, ainda, mais liquidez no sistema financeiro.</p>

<p>Esta minha convicção resulta de concordar com as teses defendidas pelos novo-Keynesianos, de acordo com os quais existe viscosidade nos preços (e rigidez nos salários), pelo que a injecção de liquidez pode produzir efeitos benéficos ao nível do rendimento real.</p>

<p>Por outro lado, deveria haver uma maior coordenação de políticas económicas na U.E., revendo-se, em certos aspectos, o Pacto de Estabilidade e Crescimento.</p>

<p>O investimento público comparticipado por fundos estruturais europeus não deveria ser considerado (na parte correspondente ao investimento público nacional) para efeitos da aplicação do critério do défice.</p>

<p>E os avales prestados pelo Estado a PPP – Public Private Projects (na eventualidade de a responsabilidade indirecta se converter em responsabilidade directa) não deveriam ser considerados para efeitos da aplicação do critério da Dívida Pública, se no projecto ou projectos em causa houvesse comparticipação de fundos estruturais.</p>

<p>O B.C.E. deveria ser autorizado a financiar directamente os Estados Membros participantes na Zona Euro.</p>

<p>Finalmente, o euro deveria desvalorizar em relação ao dólar.</p>

<p> <br />
Sempre ouvi dizer que é preferível ter uma política do que não ter política alguma.</p>

<p>Mal ou bem, apresento o que considero ser uma metodologia, de inspiração neo-Keynesiana ou novo-Keynesiana, de resolução da crise.</p>

<p>Seria importante que quem tem ideias diferentes apresentasse, de forma clara, as suas soluções.</p>

<p>Mas, apresenta-se ainda, importante, afirmar que a solução dos problemas com que nos defrontamos tem, também, que ver com uma crise de valores.</p>

<p>O sindroma “hiper-competitivo” que conquistou uma Nova Tecnocracia Emergente que, aliada aos “Business Angels”, actua tendo em vista a maximização de uma função objectivo de curtíssimo prazo, dissociada dos interesses dos investidores convencionais e dos cidadãos, em geral, terá que ser substituído por um Novo Paradigma, que assente no culto da responsabilidade, ao nível dos gestores, e no culto do serviço público, ao nível dos que desempenham funções políticas.</p>

<p>É lamentável assistir-se à invasão da “mentalidade” de alguns responsáveis – na saúde, na economia ou na segurança – pelo sindroma “hiper-competitivo”, com emergência dos novos “yuppies” do aparelho de Estado que, mal chegados a um lugar, já estão a olhar para o lugar hierarquicamente superior, confundindo o bem-público com a mera promoção pessoal.</p>

<p>Sem uma mudança de valores, que implique o culto da responsabilidade e do serviço público, poderá, isso sim, ocorrer uma crise sistémica sem precedentes que os sectores fundamentalistas procurarão aproveitar.</p>

<p>Os fundamentalistas anti-sistema “jogam” um “jogo” diferente do nosso: não acreditam na democracia, mas utilizam-na como instrumento da criação de “zonas de fractura” e de “contestação” na sociedade a que pertencemos.</p>

<p>Vão-se aliar a movimentos sindicais radicais, procurar aprofundar as dificuldades de relacionamento entre a Europa e a Rússia, sublinhar as divergências entre israelitas e palestinianos, explicar a inviabilidade de aplicação de políticas de ajuda ao desenvolvimento no actual quadro sistémico e, mais dia menos dia, afirmar que Obama é igual a Bush, a esquerda democrática é igual à direita e que nada se soluciona sem recurso ao “Rejeicionismo” radical.</p>

<p>Procurarão explicar que é preciso substituir um Mundo pretensamente hegemonizado por uma Super-Potência por um Mundo Arquipelágico para, mais tarde, defenderem uma Nova Potência Hegemónica, quando a correlação de forças assim o permitir.</p>

<p>A verdade está no facto desses sectores estarem em perda desde os anos 80, tendo confundido a actual crise internacional com uma espécie de ressurgimento da expectativa do Grande Dilúvio que antecede um Novo Mundo.</p>

<p>Estão enganados, porque não é possível construir um Novo Mundo a partir do postulado “rejeicionista”, quando este põe em causa os Direitos e Liberdades Fundamentais da Pessoa Humana.</p>

<p>O problema dos “rejeicionistas”, está no facto de se definirem mais pela ausência de valores do que pela afirmação de valores, faltando-lhes um sonho, um projecto e uma bandeira.</p>

<p>E o mesmo não se passa connosco.</p>

<p>2009</p>]]>
        
    </content>
</entry>
<entry>
    <title>A Presente Crise Financeira e Económica</title>
    <link rel="alternate" type="text/html" href="http://blog.antoniorebelodesousa.pt/2009/12/a_presente_crise_financeira_e.html" />
    <link rel="service.edit" type="application/atom+xml" href="http://www431.pair.com/cgi-sys/cgiwrap/lfaisco/managed-mt/mt-atom.cgi/weblog/blog_id=1/entry_id=7" title="A Presente Crise Financeira e Económica" />
    <id>tag:blog.antoniorebelodesousa.pt,2009://1.7</id>
    
    <published>2009-12-13T14:10:28Z</published>
    <updated>2009-12-14T14:16:03Z</updated>
    
    <summary>1. Das Causas Convém, antes do mais, referir alguns dos factores explicativos da presente crise financeira e económica internacional, apresentando, simultaneamente, soluções. Muitos economistas preferem proceder a um diagnóstico da presente crise, sem, todavia, apresentarem soluções concretas, antes se limitando...</summary>
    <author>
        <name>admin</name>
        
    </author>
            <category term="Economia Política" />
    
    <content type="html" xml:lang="pt" xml:base="http://blog.antoniorebelodesousa.pt/">
        <![CDATA[<p><strong>1. Das Causas</strong></p>

<p>Convém, antes do mais, referir alguns dos factores explicativos da presente crise financeira e económica internacional, apresentando, simultaneamente, soluções.</p>

<p>Muitos economistas preferem proceder a um diagnóstico da presente crise, sem, todavia, apresentarem soluções concretas, antes se limitando a propostas vagas e imprecisas, do género de que se torna necessário estimular a despesa, mas que tal não se apresenta fácil de concretizar, uma vez que importa não aumentar, significativamente, os défices orçamentais, não se apresentando, também, possível incrementar a Dívida Pública, apontando, tão somente, o caminho do investimento na formação e na educação, na esperança de um dia “redentor” em que, fruto de uma recuperação da situação económica internacional, as exportações poderão aumentar a um ritmo tal que haverá crescimento sustentado e redução do desemprego.</p>

<p>Sem ofensa, os ditos economistas “encomendam-se a Deus Nosso Senhor” – o que, em boa verdade, é sempre louvável – e esperam, serenamente, que a Intervenção Divina opere os necessários Milagres.</p>

<p>Acontece que a presente crise teve, de facto, a sua origem numa deficiente gestão de liquidez pelo Sector Financeiro, numa sobrevalorização de activos e numa má gestão do risco, sendo certo que os primeiros sinais deste conjunto de debilidades surgiram na fase pós - Big Bang dos anos 80.</p>

<p>Mas, desde há cerca de 8 ou 9 anos que se apresentava evidente que estávamos confrontados com os primeiros sinais de uma crise económica estrutural.</p>

<p>Sectores como os das telecomunicações e da informática – tidos como motores e nucleares aquando da III Revolução Industrial – perderam algum do seu dinamismo e, por conseguinte, a capacidade de inverterem o “ciclo da crise” (ao contrário da situação ocorrida aquando da “Crise do Golfo”, em princípios dos anos 90), gerando-se, a partir de 2002 – 2003, uma situação, ao nível de muitos países desenvolvidos, de crescimento moderado, senão mesmo de quase estagnação ou de para-recessão (que alguns autores preferiram designar de “crescimento homotético”).</p>

<p>Sou, aliás, dos que pensam que o problema estrutural da economia mundial só se solucionará quando ocorrer a IV Revolução Industrial e de Serviços e que tal implicará a aposta em sectores em relação aos quais não se constate uma saturação ao nível do grau de satisfação das necessidades dos consumidores, i.e., a aposta em sectores com necessidades infindas por satisfazer.</p>

<p>Será, por exemplo, em meu entender, o caso de um sector como o da Saúde.</p>

<p>Quando se descobrir a cura de certos tipos de cancro ou do HIV, ou, ainda, quando se descobrirem novas técnicas de produção de medicamentos e/ou de equipamentos médicos, não apenas a esperança de vida à nascença aumentará, como os custos com a saúde diminuirão.</p>

<p>Tal permitirá, graças aos avanços tecnológicos, o desenvolvimento de novas actividades – como, por exemplo, o turismo de saúde e o turismo de terceira idade, com efeitos a montante, a jusante e laterais –, bem como uma maior competitividade entre sector público e sector privado em toda a área da Saúde.</p>

<p>Mas, regressando à crise, sendo já evidente que existiam, de há uns anos a esta parte, sinais de crise potencial em muitas economias desenvolvidas, com possibilidade de alastramento à semi-periferia e à periferia, propriamente dita, a escola neo-liberal entendeu que a melhor maneira de lidar com a situação existente consistia em privilegiar a componente psicológica, procurando-se evitar que se gerasse desconfiança por parte dos agentes económicos.</p>

<p>Tradicionalmente, o Pacto Keynesiano levava a que numa situação de para-recessão (ou de crescimento rastejante) se começasse a baixar a taxa de juro, a aumentar o investimento público (com eventual agravamento do défice orçamental) e a injectar liquidez no mercado.</p>

<p>As correntes neo-liberais preferiram (muitas vezes com taxas de crescimento abaixo dos 1-1,5%) aumentar as taxas de juro, reduzir o investimento público e conter o volume de massa monetária em circulação, sempre com o pretexto de que era indispensável manter o grau de confiança dos agentes económicos.</p>

<p>Só que os agentes económicos não passaram, por tal facto, a investir mais.</p>

<p>O investimento privado em vez de aumentar continuava a diminuir e se havia algum crescimento o mesmo ficava a dever-se mais à expansão (ainda que temperada) do consumo (com recurso a endividamento) do que ao aumento do investimento.</p>

<p>É assim que, meses antes do deflagrar da crise financeira internacional, o BCE continuava, calmamente, a aumentar a taxa de referência, proclamando que a prioridade das prioridades estava no combate à inflação.</p>

<p>Só perante o inevitável os pensadores neo-liberais tiveram que admitir que talvez fosse de baixar as taxas de juros e de injectar alguma liquidez no sistema financeiro, mas lançando, desde logo, avisos contra as tentações neo-Keynesiana e novo-Keynesiana.</p>

<p>Os argumentos aduzidos iam da inaplicabilidade do modelo Keynesiano às economias abertas, à consideração de que os grandes projectos de investimento público tenderiam sempre a privilegiar o Sector de Bens Não Transaccionáveis (só fazendo sentido em economias em que a mão-de-obra excedentária se apresentasse indiferenciada), passando pelo risco de se contribuir para um peso excessivo do Estado (e da burocracia) na economia e na sociedade.</p>

<p>Esquecia-se, por convicção ou por ignorância, que a propensão marginal a consumir produtos nacionais não passa, necessariamente, a ser nula se a economia se abrir ao exterior, que os neo-Keynesianos não defendem a tese de que os projectos de investimento público têm que ser, forçosamente, trabalho-intensivos, que os “paliativos” se apresentam, em muitas circunstâncias, de grande utilidade e que um Estado forte não tem que ser, em todas as circunstâncias, um Estado ineficiente.</p>

<p><br />
<strong>2. Que proposta?</strong></p>

<p>Qual, então, a solução para a actual crise?</p>

<p>Sou dos que defendem que o Federal Reserve e o Banco Central Europeu devem injectar, ainda, mais liquidez no sistema financeiro.</p>

<p>Esta minha convicção resulta de concordar com as teses defendidas pelos novo-Keynesianos, de acordo com os quais existe viscosidade nos preços (e rigidez nos salários), pelo que a injecção de liquidez pode produzir efeitos benéficos ao nível do rendimento real.</p>

<p>Por outro lado, deveria haver uma maior coordenação de políticas económicas na U.E., revendo-se, em certos aspectos, o Pacto de Estabilidade e Crescimento.</p>

<p>O investimento público comparticipado por fundos estruturais europeus não deveria ser considerado (na parte correspondente ao investimento público nacional) para efeitos da aplicação do critério do défice.</p>

<p>E os avales prestados pelo Estado a PPP – Public Private Projects (na eventualidade de a responsabilidade indirecta se converter em responsabilidade directa) não deveriam ser considerados para efeitos da aplicação do critério da Dívida Pública, se no projecto ou projectos em causa houvesse comparticipação de fundos estruturais.</p>

<p>O B.C.E. deveria ser autorizado a financiar directamente os Estados Membros participantes na Zona Euro.</p>

<p>Finalmente, o euro deveria desvalorizar em relação ao dólar.</p>

<p>Sempre ouvi dizer que é preferível ter uma política do que não ter política alguma.</p>

<p>Mal ou bem, apresento o que considero ser uma metodologia, de inspiração neo-Keynesiana ou novo-Keynesiana, de resolução da crise.</p>

<p>Seria importante que quem tem ideias diferentes apresentasse, de forma clara, as suas soluções.<br />
Mas, convirá, ainda, salientar que a solução dos problemas com que nos defrontamos tem, também, que ver com uma crise de valores.</p>

<p>O sindroma “hiper-competitivo” que conquistou uma Nova Tecnocracia Emergente que, aliada a segmentos dos “Business Angels”, actua tendo em vista a maximização de uma função objectivo de curtíssimo prazo, dissociada dos interesses dos investidores convencionais e dos cidadãos, em geral, terá que ser substituído por um Novo Paradigma, que assente no culto da responsabilidade, ao nível dos gestores, e no culto do serviço público, ao nível dos que desempenham funções políticas.</p>

<p>É lamentável assistir-se à invasão da “mentalidade” de alguns responsáveis – na saúde, na economia ou na segurança – pelo sindroma “hiper-competitivo”, com emergência dos novos “yuppies” do aparelho de Estado que, mal chegados a um lugar, já estão a olhar para o lugar hierarquicamente superior, confundindo o bem-público com a mera promoção pessoal.</p>

<p>Sem uma mudança de valores, que implique o culto da responsabilidade e do serviço público – a par da “Good Governance” e da Transparência responsabilizadora de que já nos falava Galbraith –, não só se apresentará difícil inverter o ciclo da crise que atravessamos, como poderá ocorrer uma crise sistémica sem precedentes.</p>

<p>Daí que tenhamos que apostar não apenas numa auto-reforma do sistema, como também numa transformação profunda de mentalidades que vá ao encontro de um novo conceito – mais responsabilizador – de cidadania.</p>

<p><br />
<em>in</em> Tempo Livre n.º 207 (Set. 2009)</p>]]>
        
    </content>
</entry>
<entry>
    <title>Em Defesa do Keynesianismo</title>
    <link rel="alternate" type="text/html" href="http://blog.antoniorebelodesousa.pt/2009/12/em_defesa_do_keynesianismo_1.html" />
    <link rel="service.edit" type="application/atom+xml" href="http://www431.pair.com/cgi-sys/cgiwrap/lfaisco/managed-mt/mt-atom.cgi/weblog/blog_id=1/entry_id=8" title="Em Defesa do Keynesianismo" />
    <id>tag:blog.antoniorebelodesousa.pt,2009://1.8</id>
    
    <published>2009-12-12T14:12:49Z</published>
    <updated>2010-01-07T15:28:34Z</updated>
    
    <summary>Muito embora reconhecendo mérito à produção teórica de “supply-siders” como WANNISKI, SETTERFIELD e EVANS, não concordo com a ideia de que, em situação de recessão ou de para-recessão, se consiga inverter o “ciclo da crise” recorrendo a uma redução dos...</summary>
    <author>
        <name>admin</name>
        
    </author>
            <category term="Economia Política" />
    
    <content type="html" xml:lang="pt" xml:base="http://blog.antoniorebelodesousa.pt/">
        <![CDATA[<p align="justify">Muito embora reconhecendo mérito à produção teórica de “supply-siders” como WANNISKI, SETTERFIELD e EVANS, não concordo com a ideia de que, em situação de recessão ou de para-recessão, se consiga inverter o “ciclo da crise” recorrendo a uma redução dos impostos.</p>
<p align="justify">A ideia de que a redução dos impostos, ao induzir um aumento do rendimento disponível das famílias, vai contribuir para o incremento do investimento e, por conseguinte, para a reanimação da actividade económica e para a diminuição do desemprego apresenta-se muito discutível.</p>
<p align="justify">E a tese de que, graças à conhecida curva de Laffer, a redução de impostos conduz sempre a um aumento da receita fiscal e a uma melhoria do saldo orçamental também não faz grande sentido, uma vez que tudo depende do ramo da curva em que nos situarmos.</p>
<p align="justify">Conforme explicou ROUBINI, a redução de impostos levada a cabo, no princípio dos anos 80, pela Administração Reagan não foi eficaz nem em termos de aumento do ritmo de crescimento do nível de actividade económica, nem no que concerne à atenuação do défice orçamental.</p>
<p align="justify">E quando a Administração Clinton aumentou os impostos esperavam os supply-siders uma desaceleração do crescimento económico e um agravamento do défice orçamental e tudo se passou de forma diferente, a saber, intensificou-se a expansão da economia americana e o défice orçamental não só melhorou, como passou a supéravit.</p>
<p align="justify">Em boa verdade, sou dos que pensam que, em situação de recessão, os agentes económicos temndem a adoptar um comportamento FTL – “Follow the leader”, i.e., tendem a seguir a empresa ou empresas de referência.</p>
<p align="justify">Dada a existência do que designo de “sindroma despesista”, os agentes económicos condicionam as decisões de investimento às expectativas de evolução da despesa, o que, em situação recessionista, depende, em larga medida, do comportamento do Estado, muito em particular no que concerne ao investimento público.</p>
<p align="justify">Daí que o Estado assuma o papel de empresa “leader” ou de empresa de referência, o que, por outras palavras, significa que o comportamento dos agentes económicos passa a estar condicionado pelo nível de investimento público e o seu impacto nas expectativas de crescimento e de evolução da despesa global.</p>
<p align="justify">Daí que pertença ao grupo dos que pensam não ser possível inverter o “ciclo da crise” sem recorrer ao investimento público.</p>
<p align="justify">A ideia de que o investimento público não constitui uma verdadeira “porta de saída” para a crise porque não existe capacidade de absorção da dívida pública pelo mercado não se me afigura, inteiramente correcta, uma vez que se apresenta possível rever as regras decorrentes de Maastricht, no sentido da admissibilidade de o Banco Central Europeu financiar os Estados Membros da Zona do Euro (revisão essa com a qual concordo, aliás, por inteiro).</p>
<p align="justify">E assim sendo, o BCE poderia criar um “plafond” de intervenção para a compra de dívida pública dos Estados participantes na “zona do euro”.</p>
<p align="justify">Tratar-se-ía de uma solução com alguns efeitos perversos, uma vez que não só contribuiria para agravar a Dívida Pública em muitos Estados, como também para aumentar as pressões inflacionistas.</p>
<p align="justify">Mas, em meu entender, tratar-se-ía de um mal menor.</p>
<p align="justify">Por outro lado, a tese de que a injecção de liquidez nos mercados só poderá provocar efeitos perniciosos (na linha da escola monetarista que, a partir da equação de troca, considera que o aumento de massa monetária em circulação só produz efeitos no nível geral dos preços e não no rendimento real) não faz sentido, como autores da qualidade de um MANKIW, de um ROMER ou de um BLANCHARD demonstraram, com base no que designavam de viscosidade dos preços.</p>
<p align="justify">E a ideia de que os grandes projectos de investimento público só fazem sentido em economias em que o excedente de mão-de-obra se apresenta indiferenciado também não se apresenta lógica, uma vez que Keynes jamais afirmou que os grandes investimentos públicos tinham que ser, necessariamente, trabalho-intensivos e que, só nesse caso, produziriam efeitos indutores positivos no nível de actividade económica.</p>
<p align="justify">Paralelamente, tem sido dito que o neo-Keynesianismo não é aplicável a economias abertas, uma vez que o acréscimo de rendimento distribuído provocado pelo investimento público apenas contribuiria para aumentar as importações e não a produção interna.</p>
<p align="justify">Trata-se de mais uma simplificação analítica, já que se está a pressupor que a propensão marginal a consumir bens nacionais é igual a zero ou, pelo menos, tão baixa que o acréscimo induzido de produção nacional não compensa o incremento de importações.</p>
<p align="justify">E, obviamente, não terá que ser sempre assim...</p>
<p align="justify">E afirmar-se que defender o Keynesianismo quando não existem “protecções aduaneiras”, uma política orçamental e uma moeda é uma “tonteria” é que é, manifestamente, uma “tonteria”; sobretudo quando se defende a aplicação de políticas coordenadas de inspiração neo-Keynesiana no espaço europeu e, muito em particular, na “zona do euro”, aonde existem fronteiras económico-comerciais, um orçamento comunitário e, manifestamente, uma moeda, a saber, o euro.</p>
<p align="justify">Também o argumento invocado no sentido de que o investimento público é sempre, tendencialmente, favorável a que se privilegie o sector de Bens Não Transaccionáveis, provocando distorções inadequadas no modelo de desenvolvimento se apresenta discutível.</p>
<p align="justify">Em primeiro lugar, porque nem todo o investimento público tem que ser, necessariamente, orientado para o SBNT.</p>
<p align="justify">Em segundo lugar, porque a expansão do SBT tem que ser, também, acompanhada de alguma expansão do SBNT, a fim de não serem provocadas grandes assimetrias, quer numa perspectiva sectorial, quer numa perspectiva regional.</p>
<p align="justify">Em síntese, muitos aspectos do pensamento neo-Keynesiano e das contribuições novo-Keynesianas continuam a apresentar-se válidos e, por isso mesmo, aplicáveis à economia do nosso tempo.</p>
<p align="justify">É verdade que a produção teórica neo-Keynesiana e novo-Keynesiana apresenta, também, algumas limitações e que muitas das contribuições teóricas dos supply-siders e da escola monetarista se apresentam de grande interesse para a análise da evolução das economias do nosso tempo.</p>
<p align="justify">Mas, constitui sinal de um grande complexo – talvez de um complexo de culpa em relação à “praxis” de alguns membros da nova tecnoestrutura neo-liberal emergente – não reconhecer os méritos da produção teórica de inspiração Keynesiana.</p>
<p align="justify">Esquecem-se os que assim pensam de que, sem Keynes, a evolução do Mundo poderia ter sido bem pior.</p>
<p align="justify">Bem pior, mesmo...</p>

<p align="right"><em>in</em> Tempo Livre n.º 203 (Abr. 2009)</p>]]>
        
    </content>
</entry>
<entry>
    <title>Da Relevância da Componente Psicológica na Evolução Futura da Economia Portuguesa</title>
    <link rel="alternate" type="text/html" href="http://blog.antoniorebelodesousa.pt/2009/03/da_relevancia_da_componente_ps_1.html" />
    <link rel="service.edit" type="application/atom+xml" href="http://www431.pair.com/cgi-sys/cgiwrap/lfaisco/managed-mt/mt-atom.cgi/weblog/blog_id=1/entry_id=5" title="Da Relevância da Componente Psicológica na Evolução Futura da Economia Portuguesa" />
    <id>tag:blog.antoniorebelodesousa.pt,2009://1.5</id>
    
    <published>2009-03-12T14:47:47Z</published>
    <updated>2009-03-12T16:05:37Z</updated>
    
    <summary><![CDATA[Resumo: O presente estudo procura analisar os desafios que se colocam &agrave; economia portuguesa, num quadro de implementa&ccedil;&atilde;o de uma pol&iacute;tica de rigor or&ccedil;amental que se procura conciliar com a realiza&ccedil;&atilde;o de reformas estruturais e com a invers&atilde;o de um...]]></summary>
    <author>
        <name>António Rebelo de Sousa</name>
        <uri>http://www.antoniorebelodesousa.pt/</uri>
    </author>
            <category term="Economia Política" />
    
    <content type="html" xml:lang="pt" xml:base="http://blog.antoniorebelodesousa.pt/">
        <![CDATA[<p>Resumo: O presente estudo procura analisar os desafios que se colocam &agrave; economia portuguesa, num quadro de implementa&ccedil;&atilde;o de uma pol&iacute;tica de rigor or&ccedil;amental que se procura conciliar com a realiza&ccedil;&atilde;o de reformas estruturais e com a invers&atilde;o de um &ldquo;ciclo para-recessionista&rdquo; ou, numa perspectiva mais optimista, de crescimento lento da economia nacional.</p>
<p>Recorre-se a conceitos como os de &ldquo;sindroma despesista&rdquo; e de &ldquo;sindroma hiper-competitivo&rdquo;, referindo-se, ainda, o conceito de &ldquo;comportamento FTL&rdquo; (&ldquo;Follow the leader&rdquo;) e a indispensabilidade de se enveredar por medidas que assegurem uma nova transpar&ecirc;ncia do mercado.</p>
<p>Depois de se proceder &agrave; caracteriza&ccedil;&atilde;o de estrat&eacute;gias alternativas empresariais conclui-se pela vantagem na adop&ccedil;&atilde;o da estrat&eacute;gia de &ldquo;playing for long run profit and diversification&rdquo;, suscitando-se a quest&atilde;o do eventual recurso ao investimento p&uacute;blico, nomeadamente, na vers&atilde;o P.P.P. (Public &ndash; Private &ndash; Project) &ndash; com refer&ecirc;ncia ao conceito de &ldquo;paliativo&rdquo; &ndash;, bem como &agrave; necessidade de revis&atilde;o do Pacto de Estabilidade e Crescimento.</p>
<p>Em s&iacute;ntese, pretende-se, com o presente estudo, chamar a aten&ccedil;&atilde;o para a relev&acirc;ncia do &ldquo;novo-Keynesianismo&rdquo;, em articula&ccedil;&atilde;o com a indispensabilidade de aumento do &ldquo;stock&rdquo; de capital e de acr&eacute;scimo da produtividade, procurando-se, por conseguinte, conciliar as reformas estruturais com a expans&atilde;o sustentada da economia e com o respeito de crit&eacute;rios de rigor nas Finan&ccedil;as P&uacute;blicas.</p>
<p><em>Abstract: The present study aims to analyse the challenges facing the Portuguese economy while implementing a budgetary control policy which can be conciliated with structural reforms and with the reversing of a &ldquo;para-recessionist cycle&rdquo;, or, in a more optimistic perspective, of slow growth of the national economy.</em></p>
<p><em>We will resort to concepts such as &ldquo;spending syndrome&rdquo; and &ldquo;hyper-competitive syndrome&rdquo;, will refer the concept of &ldquo;FTL (follow the leader) behaviour&rdquo; and the indispensability of resorting to measures that can assure a new market transparency.</em></p>
<p><em>After characterizing alternate business strategies, we will conclude on the advantage of adopting a &ldquo;playing for long run profit and diversification&rdquo; strategy and will underline the matter of resorting to public investment, namely on the PPP (Public &ndash; Private &ndash; Project) version, referring the &ldquo;palliative&rdquo; concept and the need to review the Stability and Growth Pact.</em></p>
<p><em>In short, the present study aims to underline the relevance of the &ldquo;New Keynesianism&rdquo;, in articulation with the need to increase the stock of capital and productivity, by looking, consequently, to conciliate the structural reforms with the sustained growth of the economy and the respect of control criteria in Public Finances.</em></p>]]>
        <![CDATA[<p style="font-size: larger"><strong>1. Dos desafios que se colocam &agrave; economia portuguesa</strong></p>
<p>&Eacute; sabido que a economia portuguesa conheceu um significativo crescimento no decurso das duas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, chegando mesmo a convergir com a ent&atilde;o Europa dos Quinze, entrando para a zona do euro, melhorando muitas das suas infraestruturas de enquadramento e passando por uma fase (at&eacute; 2000) de incremento das suas vantagens competitivas externas.</p>
<p>Convir&aacute;, todavia, reconhecer que, j&aacute; na d&eacute;cada de 90, o crescimento da economia portuguesa foi mais conseguido gra&ccedil;as ao aumento da popula&ccedil;&atilde;o activa (que resultou, em larga medida, da entrada de um n&uacute;mero muito significativo de mulheres na dita popula&ccedil;&atilde;o activa) do que a partir de acr&eacute;scimo de produtividade.</p>
<p>E, hoje em dia, n&atilde;o se tornando poss&iacute;vel continuar a apostar numa expans&atilde;o substancial da popula&ccedil;&atilde;o activa, s&oacute; nos resta considerar a produtividade como correspondendo &agrave; vari&aacute;vel explicativa fundamental a considerar para efeitos do nosso crescimento econ&oacute;mico futuro.</p>
<p>Para tal, haver&aacute; que dispor de um adequado &ldquo;stock&rdquo; de capital, a par de uma m&atilde;o-de-obra qualificada, o que se apresenta dif&iacute;cil num quadro de insuficiente forma&ccedil;&atilde;o de poupan&ccedil;a end&oacute;gena e de um sistema de ensino (e de forma&ccedil;&atilde;o profissional) com elevados n&iacute;veis de inefici&ecirc;ncia.</p>
<p>A crise para-recessionista que se instalou a partir de 2002 n&atilde;o contribuiu para melhorar &ndash; como, ali&aacute;s, seria de esperar &ndash; a situa&ccedil;&atilde;o estrutural da economia portuguesa, agravando-se, entretanto, os desequil&iacute;brios nas Finan&ccedil;as P&uacute;blicas e desenvolvendo-se uma nova tend&ecirc;ncia de agravamento da diverg&ecirc;ncia com a Europa (mesmo considerando a Europa dos 27 e n&atilde;o a dos 15).</p>
<p>&Eacute; neste quadro que importa ter presente os desafios, estruturais e conjunturais, com que se defronta a economia portuguesa, a saber:</p>
<ul>
  <li>do ponto de vista estrutural, a introdu&ccedil;&atilde;o de profundas transforma&ccedil;&otilde;es em &aacute;reas estrat&eacute;gicas, da Administra&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica &agrave; Educa&ccedil;&atilde;o, passando pela Sa&uacute;de e pela Justi&ccedil;a, criando-se condi&ccedil;&otilde;es para a consolida&ccedil;&atilde;o sustentada das Finan&ccedil;as P&uacute;blicas, para o aumento da produtividade e para a maximiza&ccedil;&atilde;o das nossas vantagens competitivas din&acirc;micas (naturalmente, com o objectivo &uacute;ltimo de melhoria do n&iacute;vel de Bem-Estar da colectividade a que pertencemos);</li>
  <li>numa perspectiva conjuntural, a concilia&ccedil;&atilde;o das limita&ccedil;&otilde;es decorrentes do Pacto de Estabilidade e Crescimento com a indispensabilidade de se criar um &ldquo;clima&rdquo; de confian&ccedil;a junto dos agentes econ&oacute;micos, tendo em vista inverter o &ldquo;ciclo da crise&rdquo;, aumentando o investimento, acelerando, de novo, o crescimento da economia e diminuindo o desemprego (e evitando- se, se poss&iacute;vel, um agravamento dos desequil&iacute;brios externos).</li>
</ul>
<p>Ora sucede que n&atilde;o se afigura simples promover reformas estruturais num quadro de para-recess&atilde;o, nem t&atilde;o pouco reduzir o n&uacute;mero de funcion&aacute;rios p&uacute;blicos contendo, simultaneamente, a despesa p&uacute;blica e n&atilde;o deixando aumentar o endividamento do Estado.</p>
<p>Por outro lado, tamb&eacute;m n&atilde;o se afigura f&aacute;cil (agora, j&aacute; na perspectiva conjunturalista) reduzir o d&eacute;fice or&ccedil;amental, conter a divida p&uacute;blica, promover o crescimento econ&oacute;mico, evitar as press&otilde;es inflacionistas (com efeitos indutores negativos na competitividade externa) e reduzir o desemprego, tudo ao mesmo tempo, como se existisse uma varinha m&aacute;gica que tudo consegue.</p>
<p>O modelo que alguns te&oacute;ricos defendiam h&aacute; dois anos atr&aacute;s &ndash; mas, que, presentemente, t&ecirc;m tido mais dificuldade em defender &ndash; consistia em se enveredar pela promo&ccedil;&atilde;o das exporta&ccedil;&otilde;es, as quais aumentariam um &ldquo;belo dia&rdquo;, quando a economia europeia conhecesse uma maior expans&atilde;o. Ent&atilde;o, quando tal sucedesse, chegaria a invers&atilde;o do &ldquo;ciclo da crise&rdquo;, o investimento aumentaria, o PIB cresceria acima dos 2,5% e o desemprego sofreria uma redu&ccedil;&atilde;o.</p>
<p>Em suma, encomend&aacute;vamo-nos a Deus Nosso Senhor, na esperan&ccedil;a desse &ldquo;belo dia&rdquo; chegar e, nessa altura, tudo estaria resolvido.</p>
<p>Acresce, ainda, ao facto de, sendo crente, n&atilde;o acreditar em milagres frequentes, existirem dois aspectos fundamentais a ter em conta na implementa&ccedil;&atilde;o de uma qualquer estrat&eacute;gia de invers&atilde;o do &ldquo;ciclo de crise&rdquo;, a saber:</p>
<ul>
  <li>o fen&oacute;meno que designo de &ldquo;sindroma despesista&rdquo;;</li>
  <li> o comportamento FTL &ndash; &ldquo;Follow the leader&rdquo; &ndash; de uma grande parte do tecido empresarial, designadamente nos mercados com predomin&acirc;ncia de PME&rsquo;s e de micro-empresas.</li>
</ul>
<p style="font-size: larger"><strong>2. Do &ldquo;Sindroma despesista&rdquo; ao &ldquo;sindroma hiper-competitivo&rdquo;, condicionado pela vari&aacute;vel tempo</strong></p>
<p>Conforme j&aacute; tive oportunidade de expor em ocasi&otilde;es anteriores<sup><a href="#nota1">1 </a></sup><a name="backNota1"></a>, afigura-se, perfeitamente, razo&aacute;vel afirmar que qualquer economia, ao necessitar de realizar reformas estruturais, precisa de passar por um per&iacute;odo de ajustamento no decurso do qual o desemprego aumenta, havendo, concomitantemente, uma conten&ccedil;&atilde;o da despesa.</p>
<p>Deste modo, o aumento tempor&aacute;rio do desemprego e a dita conten&ccedil;&atilde;o da despesa n&atilde;o deveriam ser, necessariamente, consideradas como correspondendo a um sinal de evolu&ccedil;&atilde;o negativa da economia em causa.</p>
<p>Pelo contr&aacute;rio, se tal evolu&ccedil;&atilde;o resultasse de um esfor&ccedil;o s&eacute;rio de reestrutura&ccedil;&atilde;o do tecido produtivo, poderia e deveria a mesma ser considerada um sinal positivo no que concerne &agrave; cria&ccedil;&atilde;o de condi&ccedil;&otilde;es propiciadoras de uma transforma&ccedil;&atilde;o qualitativa da economia, o que, por sua vez, permitiria gerar novas &ldquo;expectativas&rdquo; em rela&ccedil;&atilde;o ao futuro.</p>
<p>Ora, num quadro deste tipo, seria conceb&iacute;vel que as &ldquo;ordens de investimento&rdquo; aumentassem, uma vez que haveria a percep&ccedil;&atilde;o de que estariam em curso reformas estruturais de sentido positivo, reformas essas que &ndash; mau grado a evolu&ccedil;&atilde;o conjuntural negativa de algumas vari&aacute;veis &ndash; permitiriam aumentar, a prazo, a competitividade externa da economia portuguesa.</p>
<p>Contudo, a generalidade dos agentes econ&oacute;micos, em Portugal, n&atilde;o apresenta esse &ldquo;padr&atilde;o comportamental&rdquo;.</p>
<p>A generalidade dos agentes econ&oacute;micos nacionais tende a retrair o investimento quando o desemprego aumenta e a despesa diminui, independentemente de analisar se existem ou n&atilde;o reformas estruturais em curso (de sinal positivo ou, eventualmente, negativo).</p>
<p>Trata-se, por conseguinte, de um comportamento &ldquo;mecanicista&rdquo; ou autom&aacute;tico que designo de &ldquo;sindroma despesista&rdquo;, conduzindo a um comportamento algo paradoxal por parte dos investidores: &ldquo;por um lado, exige-se a adop&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas de conten&ccedil;&atilde;o da despesa e a reestrutura&ccedil;&atilde;o da Administra&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica e do sector tradicional da economia, libertando-se m&atilde;o-de-obra excedent&aacute;ria, como pr&eacute;-condi&ccedil;&atilde;o de um ulterior acr&eacute;scimo do investimento privado e de um desenvolvimento econ&oacute;mico sustentado; por outro lado, o aumento do desemprego e a conten&ccedil;&atilde;o da despesa levam, mecanicamente, a um quebra do investimento privado, dadas as &ldquo;expectativas&rdquo; existentes quanto &agrave; evolu&ccedil;&atilde;o da procura&rdquo;.</p>
<p>Do que se disse conclui-se n&atilde;o ser f&aacute;cil influenciar positivamente a componente psicol&oacute;gica do investimento num contexto de redu&ccedil;&atilde;o ou de conten&ccedil;&atilde;o da despesa e de agravamento do desemprego.</p>
<p>Por outro lado, a generalidade das empresas assumem um comportamento FTL (&ldquo;Follow the leader&rdquo;), que o mesmo &eacute; dizer que, se, porventura, a empresa l&iacute;der ou de referencia aumenta os pre&ccedil;os, desinveste, diminui o n&iacute;vel de produ&ccedil;&atilde;o ou transfere activos para o exterior, ent&atilde;o os seguidores (&ldquo;followers&rdquo;) tendem a imitar o seu comportamento.</p>
<p>O comportamento FTL pode levar as empresas seguidoras a cometerem grandes erros, sendo de referir que, na sua origem, poder&atilde;o estar situa&ccedil;&otilde;es diferenciadas, desde a aus&ecirc;ncia de informa&ccedil;&atilde;o &agrave; desfasagem temporal na decis&atilde;o, passando pela indu&ccedil;&atilde;o deliberada em erro por parte da empresa lider.</p>
<p>Esta tipologia comportamental pode tornar, ainda, mais dif&iacute;cil actuar ao n&iacute;vel das &ldquo;expectativas racionais&rdquo; por forma a contribuir-se para a invers&atilde;o do &ldquo;ciclo da crise&rdquo;.</p>
<p>Em boa verdade, a quest&atilde;o das &ldquo;expectativas&rdquo; n&atilde;o pode ser reconduzida ao que se convencionou designar de &ldquo;expectativas racionais&rdquo;, sendo de real&ccedil;ar que existe, por vezes, muito de irracional na componente psicol&oacute;gica do investimento (e, por conseguinte, na &ldquo;explica&ccedil;&atilde;o&rdquo; do pr&oacute;prio comportamento das vari&aacute;veis macroecon&oacute;micas).</p>
<p>Desenvolvendo um pouco mais, o pressuposto da racionalidade na Teoria Econ&oacute;mica apresenta-se, em larga medida, discut&iacute;vel.</p>
<p>A t&iacute;tulo exemplificativo, se um indiv&iacute;duo A tiver &agrave; sua disposi&ccedil;&atilde;o 500&euro; n&atilde;o vai, seguramente, fazer uma an&aacute;lise detalhada sobre a melhor forma de aplicar o seu capital no sistema financeiro.</p>
<p>E se B ganhar o sal&aacute;rio m&iacute;nimo nacional n&atilde;o vai, certamente, aplicar os 200 ou 250&euro; que n&atilde;o utiliza na primeira semana do m&ecirc;s, por forma a obter uma remunera&ccedil;&atilde;o &ldquo;optimizada&rdquo; do seu capital.</p>
<p>E, ainda, se C for um pequeno aforrador e pretender aplicar na Bolsa n&atilde;o vai estudar os Relat&oacute;rios e Contas das principais empresas que nela se encontram cotadas, limitando-se a seguir o conselho de algum amigo que considera perito na mat&eacute;ria.</p>
<p>Em resumo, a racionalidade econ&oacute;mica n&atilde;o apenas est&aacute;, em muitos casos, associada a um m&iacute;nimo de riqueza e/ou de rendimento, como tamb&eacute;m a um m&iacute;nimo de instru&ccedil;&atilde;o/forma&ccedil;&atilde;o.</p>
<p>Se pensarmos no facto de que existem milh&otilde;es de micro-agentes que est&atilde;o nessa situa&ccedil;&atilde;o, ent&atilde;o, se agregarmos os fluxos respeitantes a esses segmentos s&oacute;cio-econ&oacute;micos, chegamos &agrave; conclus&atilde;o de que uma parte substancial do comportamento das vari&aacute;veis macroecon&oacute;micas n&atilde;o &eacute; racionalmente explic&aacute;vel, antes tendo que ver com aspectos de natureza psicol&oacute;gica (n&atilde;o racional).</p>
<p>E a ineg&aacute;vel tend&ecirc;ncia para a adop&ccedil;&atilde;o generalizada de um comportamento F.T.L. &eacute;, ainda, refor&ccedil;ada pelo sindroma hiper-competitivo, centrado na obsess&atilde;o do tempo como vari&aacute;vel determinante da efic&aacute;cia na gest&atilde;o.</p>
<p>Aos &ldquo;turtle years&rdquo; da Administra&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica contrap&otilde;em-se os &ldquo;dog years&rdquo; dos sectores da inform&aacute;tica e das telecomunica&ccedil;&otilde;es (em que um ano de progresso tecnol&oacute;gico corresponde a sete da ind&uacute;stria tradicional).</p>
<p>O gestor X ou Y &eacute; eficaz porque &ldquo;solucionou em poucas horas uma crise interna&rdquo;&hellip;</p>
<p>Ora, este sindroma hiper-competitivo conduz, ainda mais (na &acirc;nsia de &ldquo;ganhar tempo&rdquo;), ao comportamento redutor FTL.</p>
<p>&Eacute; neste quadro que se apresenta dif&iacute;cil que o investimento privado possa vir a aumentar significativamente em 2008, a menos que se venha a constatar um incremento algo inesperado no que se refere ao investimento al&oacute;geno.</p>
<p>E, pelo que se disse, n&atilde;o se apresentar&aacute;, tamb&eacute;m, f&aacute;cil que a taxa de crescimento do PIB, no decurso do ano corrente, venha a ser superior a 1,5-2,0%, o que, aplicando a t&atilde;o conhecida lei de OKUN, nos leva a concluir ser improv&aacute;vel a constata&ccedil;&atilde;o de uma redu&ccedil;&atilde;o significativa da taxa de desemprego.</p>
<p style="font-size: larger"><strong>3. Da relev&acirc;ncia do comportamento FTL</strong></p>
<p>A grande generalidade das empresas &ndash; sobretudo em economias com falta de iniciativa empresarial, em que, por isso mesmo, o Estado tem um peso significativo, a v&aacute;rios n&iacute;veis &ndash; tende a comparar-se com uma ou duas empresas de refer&ecirc;ncia, reconduzindo o seu comportamento &agrave; imita&ccedil;&atilde;o dessa ou dessas empresas.</p>
<p>Afigura-se poss&iacute;vel considerar, pelo menos, tr&ecirc;s tipos distintos de comportamento F.T.L., a saber, o comportamento FTL com informa&ccedil;&atilde;o incompleta, o comportamento FTL com desfasagem decisional e o comportamento FTL com manipula&ccedil;&atilde;o.</p>
<p>No primeiro caso, a empresa B (seguidora &ndash; &ldquo;follower&rdquo;) parte do pressuposto de que a empresa A (&ldquo;leader&rdquo;) &eacute; bem gerida, dispondo de mais dados, de tecnologia mais adequada ou de melhor gest&atilde;o do que ela pr&oacute;pria, o que a leva a consider&aacute;-la empresa de refer&ecirc;ncia.</p>
<p>Se A decide comprar as mat&eacute;rias-primas num determinado mercado, B tende a imit&aacute;-la.</p>
<p>Se A utiliza certas t&eacute;cnicas de gest&atilde;o de &ldquo;stocks&rdquo;, B tende a enveredar pela mesma solu&ccedil;&atilde;o.</p>
<p>E se A opta por realizar certos investimentos, B tende a ponderar a hip&oacute;tese de seguir caminho id&ecirc;ntico.</p>
<p>S&oacute; que, contrariamente &agrave; imagem que B tinha de A, esta &uacute;ltima pode n&atilde;o estar a ser bem gerida, cometendo a sua Administra&ccedil;&atilde;o v&aacute;rios erros em mat&eacute;ria de gest&atilde;o, erros esses que n&atilde;o s&atilde;o detectados por B. </p>
<p>B apenas segue A por aus&ecirc;ncia de informa&ccedil;&atilde;o, por informa&ccedil;&atilde;o incorrecta ou incompleta, havendo um certo &ldquo;comodismo&rdquo; ou uma certa &ldquo;in&eacute;rcia&rdquo; que est&aacute; na origem da adop&ccedil;&atilde;o deste comportamento redutor.</p>
<p>Importa frisar que, praticamente, todas as empresas de pequena e m&eacute;dia dimens&atilde;o adoptam esta tipologia comportamental &ndash; e, muitas vezes, as pr&oacute;prias grandes empresas &ndash;, pelo menos, a certos n&iacute;veis.</p>
<p>Mesmo uma empresa bem gerida, com preocupa&ccedil;&otilde;es de an&aacute;lise aprofundada das op&ccedil;&otilde;es de gest&atilde;o a realizar, tende a considerar que as despesas com toalhas de papel nas instala&ccedil;&otilde;es sanit&aacute;rias ou ao n&iacute;vel das l&acirc;mpadas a utilizar no escrit&oacute;rio n&atilde;o exigem estudo comparativo exaustivo, recorrendo, muitas vezes, &agrave; imita&ccedil;&atilde;o.</p>
<p>Digamos que, abaixo de um certo n&iacute;vel de despesa, o tropismo para o &ldquo;seguidismo&rdquo; &eacute; bem maior, raramente se escapando ao &ldquo;comportamento FTL&rdquo; e, por conseguinte, &agrave;s suas debilidades.</p>
<p>No segundo caso, i.e., no &ldquo;comportamento FTL&rdquo; com desfasagem decisional poder&aacute;, tamb&eacute;m, existir uma defici&ecirc;ncia de informa&ccedil;&atilde;o, mas, em regra, verifica- se um erro de an&aacute;lise ou de interpreta&ccedil;&atilde;o, o qual induz o &ldquo;follower&rdquo; em erro.</p>
<p>Admitamos, por mera hip&oacute;tese, que a empresa A (&ldquo;leader&rdquo;) decide comprar terrenos para constru&ccedil;&atilde;o de habita&ccedil;&otilde;es na cidade da Guarda e que, ao cabo de ano e meio, dois anos, p&otilde;e em comercializa&ccedil;&atilde;o uma grande urbaniza&ccedil;&atilde;o com manifesto sucesso.</p>
<p>A empresa B (&ldquo;follower&rdquo;) decide seguir o mesmo caminho.</p>
<p>E outras empresas, C, e D, tamb&eacute;m, enveredam pelo mesmo tipo de estrat&eacute;gia.</p>
<p>Todavia, o que &eacute; que se passou ao longo de dois a tr&ecirc;s anos? A oferta de habita&ccedil;&atilde;o aumentou, significativamente, na cidade da Guarda e os pre&ccedil;os desceram substancialmente.</p>
<p>Logo, enquanto A obteve elevados lucros, B sofreu algum preju&iacute;zo e os restantes &ldquo;seguidores&rdquo; foram muito mal sucedidos.</p>
<p>Tudo isto aconteceu porque existiu um desfasamento temporal importante entre o momento em que A tomou a decis&atilde;o de investir e o momento em que os seus &ldquo;followers&rdquo; enveredaram pelo mesmo caminho, n&atilde;o tendo estes &uacute;ltimos sabido prever a situa&ccedil;&atilde;o que viria a ocorrer, no futuro, em virtude de terem feito uma an&aacute;lise deficiente do que se convencionou chamar de &ldquo;oportunidade do neg&oacute;cio&rdquo;.</p>
<p>J&aacute; no terceiro caso, que design&aacute;mos de &ldquo;comportamento FTL com manipula&ccedil;&atilde;o&rdquo; (ou com indu&ccedil;&atilde;o em erro), a situa&ccedil;&atilde;o apresenta-se, manifestamente, diferente, uma vez que existe a inten&ccedil;&atilde;o, por parte da empresa-l&iacute;der, de conduzir os seus seguidores a cometerem um erro.</p>
<p>Tal pode ser feito a partir de diversas metodologias como, por exemplo, a cria&ccedil;&atilde;o de &ldquo;falsos alvos&rdquo; ou a transmiss&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es &ldquo;orientadas&rdquo; ou &ldquo;dirigidas&rdquo; para a obten&ccedil;&atilde;o de certos objectivos.</p>
<p>O &ldquo;comportamento FTL com manipula&ccedil;&atilde;o&rdquo; pode resultar, por exemplo, de uma estrat&eacute;gia de &ldquo;hit and run&rdquo;.</p>
<p>Do que se disse, resulta que o Estado deve desempenhar um papel regulador, nomeadamente, criando condi&ccedil;&otilde;es para um maior acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o, evitando excessos de concentra&ccedil;&atilde;o resultantes de externalidades em cadeia e dificultando os conluios e a carteliza&ccedil;&atilde;o sempre que os mesmos prejudiquem os consumidores.</p>
<p>O papel regulador do Estado evita, sobretudo, a excessiva oscila&ccedil;&atilde;o dos pre&ccedil;os, das quantidades produzidas e dos lucros, contribuindo para aumentar a previsibilidade da evolu&ccedil;&atilde;o da actividade econ&oacute;mica.</p>
<p>Considere-se, a t&iacute;tulo exemplificativo, o Graf. 1, no qual se procura medir os pre&ccedil;os no eixo das ordenadas e o tempo no eixo das abcissas.</p>
<p>A curva EL d&aacute;-nos o comportamento da empresa l&iacute;der ao longo do tempo, em mat&eacute;ria de pre&ccedil;os, enquanto que a curva ES1 nos d&aacute; o comportamento da empresa seguidora, na aus&ecirc;ncia de regula&ccedil;&atilde;o do mercado.</p>
<p>Saliente-se que, inicialmente, a inclina&ccedil;&atilde;o de ES1 &eacute; inferior &agrave; inclina&ccedil;&atilde;o de EL, mas, na parte final, a situa&ccedil;&atilde;o inverte-se, i.e., a inclina&ccedil;&atilde;o de ES1 &eacute; superior, o que poder&aacute; ser explicado a partir de uma postura &ldquo;pessimista&rdquo;, ap&oacute;s a desilus&atilde;o com o movimento &ldquo;ascensional&rdquo; da primeira fase.</p>
<p>A oscila&ccedil;&atilde;o de pre&ccedil;os &eacute; dada por O, oscila&ccedil;&atilde;o essa medida entre o momento t0 e o momento t1.</p>
<p>Se considerarmos, agora, a hip&oacute;tese de regula&ccedil;&atilde;o do mercado, o comportamento da empresa seguidora (melhor informada) j&aacute; ser&aacute; diferente, correspondendo &agrave; curva ES2.</p>
<p>Note-se que a inclina&ccedil;&atilde;o da curva ES2 se apresenta inferior &agrave; inclina&ccedil;&atilde;o da curva da empresa l&iacute;der, i.e., de EL, uma vez que se encontra em condi&ccedil;&otilde;es de prever melhor as eventuais oscila&ccedil;&otilde;es de pre&ccedil;os. Neste &uacute;ltimo caso &ndash; de regula&ccedil;&atilde;o do mercado &ndash;, a oscila&ccedil;&atilde;o dos pre&ccedil;os, entre t0 e t1, para a empresa seguidora, seria, t&atilde;o somente, de O&rsquo;.</p>
<p align="center"><img src="http://www.antoniorebelodesousa.pt/artigos/images/1_Graf1.gif" width="400" border="1"></p>
<p align="center">Fonte: SOUSA, Ant&oacute;nio Rebelo de <em>in</em> &quot;De um novo conceito de desenvolvimento no quadro da economia internacional&quot; , ISCSP, 2008, p&aacute;g. 257. </p>
<p>&Eacute; claro que esta an&aacute;lise estar&aacute; sempre condicionada pela forma de mercado e pela capacidade da empresa l&iacute;der (e, bem assim, das empresas seguidoras) influenciar os pre&ccedil;os. </p>
<p>Todavia, afigura-se poss&iacute;vel concluir existir vantagem na regula&ccedil;&atilde;o do mercado, podendo, inclusive, o Estado desempenhar um papel supletivo em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; pr&oacute;pria actividade empresarial quando se est&aacute; confrontado com um problema de falta de lideran&ccedil;a. </p>
<p>Nessa circunst&acirc;ncia, o Estado dever&aacute; contribuir para a cria&ccedil;&atilde;o de centros de pesquisa, incentivando a investiga&ccedil;&atilde;o, informando, implementando mecanismos que facilitem a concretiza&ccedil;&atilde;o de parcerias e utilizando organismos que operem no dom&iacute;nio do capital de risco. </p>
<p>Mas, o Estado n&atilde;o deve substituir-se, por sistema, &agrave; iniciativa privada, limitando a liberdade de iniciativa e atabafando a criatividade empresarial, antes se tornando necess&aacute;rio, isso sim, ajudar a criar uma nova mentalidade ao n&iacute;vel dos que est&atilde;o em condi&ccedil;&otilde;es de impulsionar o desenvolvimento econ&oacute;mico, n&atilde;o obstante se reconhecer a exist&ecirc;ncia do duplo condicionalismo &ldquo;sindroma despesista&rdquo; / &ldquo;comportamento FTL&rdquo;. </p>
<p>Para tornar mais claros os desafios que se colocam &agrave; economia portuguesa, importa articular a sobredita problem&aacute;tica do &ldquo;sindroma despesista&rdquo; e do &ldquo;comportamento FTL&rdquo; com a an&aacute;lise das estrat&eacute;gias empresariais diferenciadas, a fim de se procurar compreender quais as op&ccedil;&otilde;es estrat&eacute;gicas com que se defronta, hoje em dia, o nosso tecido empresarial. </p>
<p>Por outras palavras, afigura-se necess&aacute;rio conhecer as estrat&eacute;gias empresariais alternativas para se compreender em que &ldquo;n&uacute;cleos de criatividade&rdquo; se deve apostar, i.e., para se saber qual deve ser a atitude, a aposta estrat&eacute;gica da classe empresarial portuguesa e, muito em particular, das novas gera&ccedil;&otilde;es de jovens empres&aacute;rios que t&ecirc;m um papel crucial a desempenhar no futuro.</p>
<p style="font-size: larger"><strong>4. Da aposta na estrat&eacute;gia de &ldquo;Playing for long run profit and diversification&rdquo;</strong></p>
<p>Afigura-se, naturalmente, poss&iacute;vel considerar diversas estrat&eacute;gias empresariais, adaptadas, naturalmente, &agrave;s diferentes formas de mercado<sup><a href="#nota2">2</a></sup><a name="backNota2"></a>.</p>
<p>Procurar-se-&aacute;, todavia, considerar, t&atilde;o somente, aquelas que correspondem aos &ldquo;comportamentos&rdquo; mais correntes no mercado, muito embora se reconhe&ccedil;a a possibilidade de, em muitos casos, ser poss&iacute;vel que ocorram justaposi&ccedil;&otilde;es. </p>
<p>Uma primeira estrat&eacute;gia a referir &eacute;, precisamente, a de &ldquo;hit and run&rdquo; (&ldquo;Bate e Foge&rdquo;). </p>
<p>A empresa A, por exemplo, cria falsos alvos, induzindo a sua concorrente B em erro e levando-a a propor-lhe uma solu&ccedil;&atilde;o que lhe &eacute; favor&aacute;vel, embora no convencimento de que ela &ndash; empresa B &ndash; est&aacute; a fazer um &ldquo;bom neg&oacute;cio&rdquo;, obtendo, por conseguinte, uma &ldquo;vantagem negocial&rdquo; em rela&ccedil;&atilde;o a A. </p>
<p>Admitamos que a BMW tem conhecimento que a Renault pretende fazer-lhe concorr&ecirc;ncia na Pol&oacute;nia, lan&ccedil;ando neste mercado um novo produto autom&oacute;vel. </p>
<p>A BMW sabe que a Renault est&aacute; presente na Rom&eacute;nia e na Bulg&aacute;ria e, apesar de n&atilde;o ter a inten&ccedil;&atilde;o de apostar nesses mercados, simula estar interessada em lan&ccedil;ar novos produtos nos mesmos. </p>
<p>Abre escrit&oacute;rios de representa&ccedil;&atilde;o nesses pa&iacute;ses, estabelece contactos com entidades oficiais, inicia negocia&ccedil;&otilde;es tendo em vista a cria&ccedil;&atilde;o de parcerias com grupos econ&oacute;micos locais e faz chegar &agrave; Renault informa&ccedil;&atilde;o pretensamente confidencial com planos de investimento naqueles mercados. </p>
<p>A Renault &eacute; levada a acreditar no projecto expansionista da BMW e receia que o preju&iacute;zo que a mesma lhe possa vir a causar nos mercados da Rom&eacute;nia e da Bulg&aacute;ria seja superior aos potenciais benef&iacute;cios decorrentes da sua aposta no mercado polaco. </p>
<p>A Administra&ccedil;&atilde;o da Renault d&aacute;, ent&atilde;o, largas &agrave; sua &ldquo;imagina&ccedil;&atilde;o criadora&rdquo; e decide propor &agrave; BMW um acordo: a Renault desiste do mercado polaco e a BMW desiste dos mercados romeno e b&uacute;lgaro. </p>
<p>E a Administra&ccedil;&atilde;o da Renault est&aacute;, sinceramente, convencida de que est&aacute; a fazer uma proposta que lhe &eacute;, altamente, favor&aacute;vel. </p>
<p>A BMW aceita e a Renault considera ter obtido uma grande &ldquo;vit&oacute;ria&rdquo;, em termos negociais. </p>
<p>S&oacute; que a BMW nunca teria, verdadeiramente, a inten&ccedil;&atilde;o de apostar na Rom&eacute;nia e na Bulg&aacute;ria. </p>
<p>A BMW pretendia, precisamente, que a Renault lhe propusesse o que prop&ocirc;s. </p>
<p>A verdadeira &ldquo;vencedora&rdquo; foi, isso sim, a BMW, a qual conseguiu alcan&ccedil;ar o objectivo pretendido com uma opera&ccedil;&atilde;o de &ldquo;hit and run&rdquo;. </p>
<p>Esta estrat&eacute;gia pode ser integrada ou articulada com outras estrat&eacute;gias. </p>
<p>Em certos casos, pode mesmo ser convertida naquilo que alguns autores designam de &ldquo;sub-estrat&eacute;gia&rdquo;. </p>
<p>Uma segunda estrat&eacute;gia a considerar (que, ali&aacute;s, pode ser combinada com a anterior) &eacute; a de &ldquo;playing for the conquest&rdquo;. </p>
<p>Trata-se de uma estrat&eacute;gia orientada, essencialmente, para a conquista de quotas de mercado, utilizando-se, para o efeito, diversas metodologias. </p>
<p>As metodologias mais habituais passam pelas seguintes &ldquo;linhas de interven&ccedil;&atilde;o&rdquo;: </p>
<p>a) pol&iacute;ticas de pre&ccedil;os competitivos e de facilidades de pagamento; </p>
<p>b) pol&iacute;ticas de &ldquo;marketing&rdquo; agressivas; </p>
<p>c) cria&ccedil;&atilde;o de parcerias adequadas ao objectivo de conquista de mercados; </p>
<p>d) fus&otilde;es e aquisi&ccedil;&otilde;es, recorrendo-se, simultaneamente, &agrave; alavancagem, no pressuposto da obten&ccedil;&atilde;o do que se convencionou designar de &ldquo;leverage&rdquo;; </p>
<p>e) obten&ccedil;&atilde;o de economias de escala, com eventual incorpora&ccedil;&atilde;o de progresso tecnol&oacute;gico e melhoria de qualidade de output; </p>
<p>f) aproveitamento de eventuais externalidades, quer resultantes de investimento p&uacute;blico, quer advenientes de investimentos levados a cabo pela pr&oacute;pria concorr&ecirc;ncia.</p>
<p>Em qualquer caso, uma estrat&eacute;gia de &ldquo;playing for the conquest&rdquo; (particularmente relevante num contexto de internacionaliza&ccedil;&atilde;o) s&oacute; se apresenta poss&iacute;vel se a empresa tiver &agrave; sua disposi&ccedil;&atilde;o um &ldquo;stock&rdquo; de capital m&iacute;nimo, sem o qual n&atilde;o ser&aacute; poss&iacute;vel implementar as metodologias acima mencionadas. </p>
<p>Uma terceira estrat&eacute;gia consiste em &ldquo;playing for survival&rdquo;, em que, ao fim e ao cabo, o que se pretende &eacute;, t&atilde;o somente, assegurar a sobreviv&ecirc;ncia da empresa em causa.</p>
<p>Existem, nesta categoria, duas sub-estrat&eacute;gias, a saber: </p>
<ul>
  <li>a da empresa &ldquo;condenada&rdquo; a desaparecer, mas cujo &ldquo;tempo de vida&rdquo; se procura prolongar; </li>
  <li> a da empresa que, em determinadas circunst&acirc;ncias, poder&aacute; ser, ainda, viabilizada. </li>
</ul>
<p>Enquanto que no segundo caso faz sentido promover a reconvers&atilde;o da empresa, promover a sua reestrutura&ccedil;&atilde;o, introduzir inova&ccedil;&otilde;es, reorganiz&aacute;-la, procurar parcerias, enfim, utilizar diversas metodologias tendo em vista assegurar a sua sobreviv&ecirc;ncia, j&aacute; no primeiro caso se afigura discut&iacute;vel a realiza&ccedil;&atilde;o de um &ldquo;esfor&ccedil;o viabilizador&rdquo;. Mais, a manuten&ccedil;&atilde;o de uma empresa invi&aacute;vel, recorrendo a artif&iacute;cios e a actua&ccedil;&otilde;es conden&aacute;veis (como, por exemplo, atrasar, por sistema, os pagamentos ao Estado e &agrave; Seguran&ccedil;a Social, bem como aos fornecedores, praticar pre&ccedil;os abaixo do custo de produ&ccedil;&atilde;o, utilizar pessoal sem as qualifica&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias), s&oacute; poder&aacute; contribuir para adulterar as regras da concorr&ecirc;ncia. </p>
<p>Existem, claro est&aacute;, alguns casos em que, em virtude de se tornar necess&aacute;rio atender a uma &ldquo;l&oacute;gica de grupo&rdquo;, se justifica (na perspectiva dessa &ldquo;l&oacute;gica&rdquo; e n&atilde;o na perspectiva da &ldquo;l&oacute;gica do mercado&rdquo;) o prolongamento artificial da vida da empresa. </p>
<p>Um grupo A, prestigiado, prefere preparar, de uma forma gradual (at&eacute; por integra&ccedil;&atilde;o noutra empresa que lhe perten&ccedil;a) o desaparecimento de uma unidade sua que se apresente invi&aacute;vel do que proceder a seu encerramento em condi&ccedil;&otilde;es tais que a sua imagem possa vir a ser afectada negativamente. </p>
<p>De qualquer forma, o futuro da internacionaliza&ccedil;&atilde;o da economia portuguesa n&atilde;o se &ldquo;joga&rdquo; nesse segmento das empresas que se limitam a apostar em &ldquo;playing for survival&rdquo;. </p>
<p>Uma quarta estrat&eacute;gia consiste em &ldquo;playing for profit and diversification&rdquo;. </p>
<p>Neste segmento, importa distinguir, ainda, duas sub-estrat&eacute;gias, a saber: </p>
<ul>
  <li>a de &ldquo;playing for short run profit and diversification&rdquo;; </li>
  <li>a de &ldquo;playing for long run profit and diversification&rdquo;. </li>
</ul>
<p>A primeira tem como objectivo a obten&ccedil;&atilde;o de elevados lucros no curto prazo, no intuito de se conseguir uma r&aacute;pida valoriza&ccedil;&atilde;o da empresa no mercado, permitindo alavancar, muitas vezes implementando estrat&eacute;gias simult&acirc;neas de crescimento ex&oacute;geno, com recurso a elevado endividamento. </p>
<p>Por vezes, a &ldquo;tecnoestrutura&rdquo; impulsiona, ela pr&oacute;pria, esta modalidade de estrat&eacute;gia, uma vez que a fun&ccedil;&atilde;o objectivo de uma classe emergente de gestores assenta, em muitos casos, na promo&ccedil;&atilde;o profissional-social, num acr&eacute;scimo de protagonismo, no acesso ao poder pol&iacute;tico, na acumula&ccedil;&atilde;o r&aacute;pida de rendimentos (fruto de pr&eacute;mios ou de mais-valias obtidas no curto prazo), convergindo, em termos comportamentais, com os &ldquo;business-angels&rdquo; (din&acirc;mica impulsionadora do bin&oacute;mio Yuppies-business angels).</p>
<p>A adop&ccedil;&atilde;o de uma estrat&eacute;gia deste tipo comporta, quase sempre, riscos elevados, implicando aumento incomport&aacute;vel de endividamento e/ou dificuldade de consolida&ccedil;&atilde;o de posi&ccedil;&otilde;es fortes no mercado, levando a que a empresa em quest&atilde;o se converta, com frequ&ecirc;ncia, em presa f&aacute;cil de grupos concorrentes, num segundo momento. </p>
<p>Uma estrat&eacute;gia de aposta na maximiza&ccedil;&atilde;o do lucro, numa perspectiva de curto prazo, tendo em vista a obten&ccedil;&atilde;o de &ldquo;leverage&rdquo; e a alavancagem, pode ser exemplificada pelo Graf. 2, se vier a comportar riscos elevados, a m&eacute;dio e longo prazos, que conduzam a um excessivo endividamento da empresa e a um processo de efectivo desinvestimento. </p>
<p>Um &ldquo;risk lover&rdquo; poder&aacute; aceitar um desafio deste tipo, se pensar que consegue vender a sua posi&ccedil;&atilde;o entre t0 e t1 (ou mudar para uma actividade mais interessante). </p>
<p>Entre t1 e t2 est&aacute;-se numa fase de decl&iacute;nio, mas em que, ainda, h&aacute; capacidade negocial significativa, mantendo-se o investimento a um n&iacute;vel, relativamente, elevado e continuando a haver lucro, apesar de se registar uma redu&ccedil;&atilde;o nas vendas. </p>
<p>Entre t2 e t3, o investimento decresce abruptamente, o mesmo se passando com as receitas, tornando-se indispens&aacute;vel um plano dr&aacute;stico de reconvers&atilde;o da empresa. </p>
<p>Em alternativa a uma estrat&eacute;gia deste tipo, afigura-se prefer&iacute;vel uma outra de &ldquo;playing for long run profit and diversification&rdquo;, de acordo com a qual se pretende maximizar o lucro a longo prazo, apostando-se, simultaneamente, na diversifica&ccedil;&atilde;o (com redu&ccedil;&atilde;o do risco).</p>
<p align="center"><img src="http://www.antoniorebelodesousa.pt/artigos/images/1_Graf2.gif" width="400"  border="1"></p>
<p>A implementa&ccedil;&atilde;o de uma estrat&eacute;gia como esta implica a aposta em R&amp;D (&ldquo;Research and Development&rdquo;), um elevado n&iacute;vel de capitaliza&ccedil;&atilde;o e capacidade de coordena&ccedil;&atilde;o, em mat&eacute;ria de gest&atilde;o, de sectores diferenciados da actividade produtiva, o que implica a exist&ecirc;ncia de recursos humanos, altamente, qualificados (vide Graf. 3). </p>
<p>S&oacute; quando os nossos grupos empresariais come&ccedil;arem a enveredar por uma estrat&eacute;gia consistente de &ldquo;playing for long run profit and diversification&rdquo; ser&aacute; poss&iacute;vel minimizar os efeitos perversos do &ldquo;sindroma despesista&rdquo; e do &ldquo;comportamento FTL&rdquo;. </p>
<p>Para tal, ser&aacute; indispens&aacute;vel ultrapassar as limita&ccedil;&otilde;es, ainda, existentes ao nosso desenvolvimento econ&oacute;mico em termos de &ldquo;stock&rdquo; de capital, de R&amp;D e de Forma&ccedil;&atilde;o de m&atilde;o-de-obra qualificada.</p>
<p align="center"><img src="http://www.antoniorebelodesousa.pt/artigos/images/1_Graf3.gif" width="400"  border="1"></p>
<p style="font-size: larger"><strong>5. Da evolu&ccedil;&atilde;o mais recente da economia portuguesa, num quadro de &ldquo;sindroma despesista&rdquo;, de &ldquo;comportamento FTL&rdquo; e de estrat&eacute;gias empresariais condicionadas </strong></p>
<p>&Eacute;, por conseguinte, num quadro em que, para al&eacute;m das limita&ccedil;&otilde;es estruturais e conjunturais j&aacute; mencionadas, a componente psicol&oacute;gica se apresenta determinante (&ldquo;sindroma despesista&rdquo; e &ldquo;comportamento FTL&rdquo;) e se constatam condicionalismos que dificultam a adop&ccedil;&atilde;o de estrat&eacute;gias empresariais de &ldquo;playing for long run profit and diversification&rdquo; (n&iacute;veis insuficientes de &ldquo;stock&rdquo; de capital, de R&amp;D e de m&atilde;o-de-obra qualificada), que importa analisar a evolu&ccedil;&atilde;o mais recente da economia portuguesa. </p>
<p>De acordo com a estimativa das Contas Nacionais Trimestrais do INE<sup><a href="#nota3">3 </a></sup><a name="backNota3"></a>, ter&aacute; havido uma varia&ccedil;&atilde;o hom&oacute;loga do PIB de 2% no quarto trimestre de 2007, o que correspondeu a uma acelera&ccedil;&atilde;o face ao trimestre anterior (1,7%). </p>
<p>Contudo, importa reconhecer que a generalidade dos indicadores aponta para um comportamento menos din&acirc;mico da procura interna, n&atilde;o se tornando, por outro lado, f&aacute;cil que se venha a operar uma evolu&ccedil;&atilde;o positiva &ndash; ou, pelo menos, significativamente positiva ao n&iacute;vel da taxa de desemprego, conforme resulta, ali&aacute;s, da aplica&ccedil;&atilde;o da Lei de OKUN &ndash;, sendo, ainda, de referir que, no decurso do per&iacute;odo compreendido entre Janeiro e Novembro de 2007, as exporta&ccedil;&otilde;es e as importa&ccedil;&otilde;es de mercadorias cresceram, em termos hom&oacute;logos, respectivamente, 8,8% e 6,4%. </p>
<p>Se considerarmos os &uacute;ltimos doze meses, a terminar em Novembro do ano transacto, chegamos &agrave; conclus&atilde;o de que as exporta&ccedil;&otilde;es de bens e servi&ccedil;os aumentaram 10,4%, em termos hom&oacute;logos, com destaque para as rubricas respeitantes a &ldquo;constru&ccedil;&atilde;o&rdquo; (+ 32,8%), &ldquo;informa&ccedil;&atilde;o e inform&aacute;tica&rdquo; (+ 30,7%), &ldquo;Direitos de Utiliza&ccedil;&atilde;o&rdquo; (+ 25,1%), &ldquo;Servi&ccedil;os Financeiros&rdquo; (+ 22,5%) e &ldquo;Comunica&ccedil;&atilde;o&rdquo; (+22,2%)<sup><a href="#nota4">4 </a></sup><a name="backNota4"></a>. </p>
<p>Analisando um pouco mais aprofundadamente a evolu&ccedil;&atilde;o recente da economia nacional, importa referir que, em 2007, o Produto Interno Bruto (PIB) registou uma expans&atilde;o, em termos reais, de 1,9%, tendo este sido o valor mais elevado desde 2001, tornando-se, ainda, poss&iacute;vel considerar os seguintes indicadores, relativamente ao quarto trimestre do ano transacto: </p>
<p>a) o &iacute;ndice de produ&ccedil;&atilde;o da ind&uacute;stria transformadora cresceu 3,2%, em termos hom&oacute;logos (2,2% no terceiro trimestre); </p>
<p>b) o &iacute;ndice de produ&ccedil;&atilde;o do sector da constru&ccedil;&atilde;o e obras p&uacute;blicas registou um acr&eacute;scimo de 0,3%, tamb&eacute;m em termos hom&oacute;logos (&ndash; 2,7% no trimestre anterior); </p>
<p>c) o &iacute;ndice de volume de neg&oacute;cios no sector de servi&ccedil;os experimentou uma acelera&ccedil;&atilde;o (crescimento de 6,2%, contra 5,2% no terceiro trimestre).</p>
<p>Apesar da evolu&ccedil;&atilde;o positiva dos sobreditos indicadores, manda a verdade reconhecer que os indicadores de confian&ccedil;a dos empres&aacute;rios estabilizaram na ind&uacute;stria, pioraram nos Servi&ccedil;os e no Com&eacute;rcio e melhoraram na constru&ccedil;&atilde;o, sendo certo que esta evolu&ccedil;&atilde;o dever&aacute; ser articulada com as expectativas sectoriais de evolu&ccedil;&atilde;o da procura. </p>
<p>E a prop&oacute;sito da evolu&ccedil;&atilde;o da procura, convir&aacute; referir que, no quarto trimestre de 2007, o &iacute;ndice de volume de neg&oacute;cios no com&eacute;rcio a retalho sofreu um abrandamento face ao trimestre precedente, sendo, ainda, certo que o segmento dos bens alimentares evoluiu de forma desfavor&aacute;vel (varia&ccedil;&atilde;o hom&oacute;loga de -1,1%). </p>
<p>Concomitantemente, os bens n&atilde;o alimentares registaram um crescimento hom&oacute;logo de 0,9%, o que correspondeu a uma acelera&ccedil;&atilde;o face ao trimestre anterior. </p>
<p>No m&ecirc;s de Janeiro de 2008, o indicador de confian&ccedil;a dos consumidores sofreu uma significativa deteriora&ccedil;&atilde;o, caindo para o valor mais baixo desde 2003. </p>
<p>Esta evolu&ccedil;&atilde;o desfavor&aacute;vel influenciou o indicador coincidente do consumo privado, prolongando a tend&ecirc;ncia descendente, apresentando um valor negativo em Janeiro de 2008. </p>
<p>Quanto ao investimento, o indicador coincidente da Forma&ccedil;&atilde;o Bruta de Capital Fixo (F.B.C.F.) registou, nesse mesmo m&ecirc;s, uma forte desacelera&ccedil;&atilde;o, invertendo a tend&ecirc;ncia de melhoria que se vinha constatando desde princ&iacute;pios de 2007. </p>
<p>O facto de a evolu&ccedil;&atilde;o do investimento continuar a apresentar problemas tem, em larga medida, que ver com o que designo de &ldquo;sindroma despesista&rdquo; e, por conseguinte, com a &ldquo;componente psicol&oacute;gica&rdquo;. </p>
<p>A evolu&ccedil;&atilde;o positiva das exporta&ccedil;&otilde;es em 2007 criou algumas expectativas de que pudesse vir a registar-se uma maior retoma da actividade econ&oacute;mica e uma melhoria nas &ldquo;inten&ccedil;&otilde;es de investimento&rdquo; (de acordo com a metodologia subjacente ao &ldquo;export led growth model&rdquo;).</p>
<p>Todavia, em Dezembro e de acordo com as primeiras estimativas, as sa&iacute;das de mercadorias registaram uma varia&ccedil;&atilde;o hom&oacute;loga negativa, a qual ter&aacute; resultado de uma quebra nas exporta&ccedil;&otilde;es para os pa&iacute;ses da E.U. e bem assim de uma desacelera&ccedil;&atilde;o das exporta&ccedil;&otilde;es extra-comunit&aacute;rias. </p>
<p>E j&aacute; mesmo em rela&ccedil;&atilde;o ao quarto trimestre de 2007, as exporta&ccedil;&otilde;es registaram um crescimento muito inferior ao verificado ao n&iacute;vel das importa&ccedil;&otilde;es (3,5% a 9,4%, respectivamente), enquanto que, no decurso do terceiro trimestre, o crescimento havia sido semelhante (6% para as exporta&ccedil;&otilde;es e 6,7% para as importa&ccedil;&otilde;es). </p>
<p>No que se refere ao mercado de trabalho, convir&aacute; real&ccedil;ar que, em termos m&eacute;dios anuais, a taxa de desemprego atingiu os 8%, em 2007, valor este superior ao registado em 2006 (7,7%). </p>
<p>Por outro lado, no decorrer do quarto trimestre do ano transacto, o &iacute;ndice de custo do trabalho &ndash; que mede o custo m&eacute;dio por hora de trabalho &ndash; sofreu um aumento de 5%, em termos hom&oacute;logos (3,6% no trimestre anterior), evolu&ccedil;&atilde;o esta que reflecte, em larga medida, uma redu&ccedil;&atilde;o das horas trabalhadas.</p>
<p>No conjunto do ano de 2007, verificou-se, tamb&eacute;m, uma acelera&ccedil;&atilde;o no &iacute;ndice de custo do trabalho, tendo sido registada uma varia&ccedil;&atilde;o hom&oacute;loga de 4%. </p>
<p>Esta evolu&ccedil;&atilde;o do custo do trabalho, num quadro de taxa de c&acirc;mbio fixa, implicaria um aumento da produtividade deste factor de produ&ccedil;&atilde;o a um ritmo superior ao que se tem vindo a verificar, se se pretender aumentar a competitividade externa da economia portuguesa junto dos principais parceiros comerciais, tanto mais que a produtividade marginal do capital n&atilde;o se tem vindo a apresentar mais elevada, em Portugal, do que na generalidade dos restantes Estados Membros da E.U. </p>
<p>Paralelamente, a evolu&ccedil;&atilde;o da taxa de infla&ccedil;&atilde;o, tamb&eacute;m n&atilde;o se tem apresentado, em Portugal, mais favor&aacute;vel do que na generalidade dos nossos principais parceiros comerciais, o que complexifica a obten&ccedil;&atilde;o de ganhos de competitividade externa, sendo, nomeadamente, de salientar que, em Janeiro &uacute;ltimo, o &iacute;ndice de Pre&ccedil;os no Consumidor &ndash; IPC &ndash; registou uma taxa de varia&ccedil;&atilde;o hom&oacute;loga de 2,9%, superior em 0,2 pp &agrave; verificada no m&ecirc;s anterior<sup><a href="#nota5">5 </a></sup><a name="backNota5"></a>. </p>
<p>Importa, ainda, referir os tra&ccedil;os caracterizadores principais da evolu&ccedil;&atilde;o ocorrida no mercado de capitais, como no dom&iacute;nio do Cr&eacute;dito e das Finan&ccedil;as P&uacute;blicas. </p>
<p>As incertezas quanto ao poss&iacute;vel impacto relativo da crise financeira internacional nas economias influenciaram, em Janeiro do corrente ano, a evolu&ccedil;&atilde;o do &Iacute;ndice PSI-20, o qual sofreu uma redu&ccedil;&atilde;o de 14,3%. </p>
<p>A capitaliza&ccedil;&atilde;o bolsista, tamb&eacute;m, sofreu uma redu&ccedil;&atilde;o, no princ&iacute;pio do presente ano, sobretudo no segmento accion&aacute;rio. </p>
<p>No que se relaciona com o Cr&eacute;dito, convir&aacute; referir que o ritmo de expans&atilde;o dos empr&eacute;stimos aumentou para o sector privado n&atilde;o financeiro, o que ter&aacute; resultado, essencialmente, de uma acelera&ccedil;&atilde;o do cr&eacute;dito &agrave;s empresas. </p>
<p>J&aacute; o cr&eacute;dito destinado a particulares continuou a conhecer uma tend&ecirc;ncia descendente, designadamente no segmento do cr&eacute;dito &agrave; habita&ccedil;&atilde;o. </p>
<p>Por outro lado, as taxas de juro activas continuaram a subir no final de 2007, princ&iacute;pios de 2008, dificultando a retoma do investimento, sendo, ainda, de referir que, mesmo que as taxas de refer&ecirc;ncia des&ccedil;am, a redu&ccedil;&atilde;o da rendibilidade das institui&ccedil;&otilde;es de cr&eacute;dito (aliada a problemas de liquidez) implicar&aacute; sempre um aumento dos &ldquo;spreads&rdquo;, tornando sempre dif&iacute;cil a redu&ccedil;&atilde;o das taxas de juro activas. </p>
<p>Manda a verdade reconhecer que, no cap&iacute;tulo das Finan&ccedil;as P&uacute;blicas, se registou uma evolu&ccedil;&atilde;o muito favor&aacute;vel. </p>
<p>Assim, em Janeiro de 2008 e na &oacute;ptica da contabilidade p&uacute;blica, o d&eacute;fice global provis&oacute;rio do Estado atingiu os 382 milh&otilde;es de euros, registando-se, por conseguinte, uma melhoria de 143 milh&otilde;es de euros em rela&ccedil;&atilde;o ao m&ecirc;s hom&oacute;logo do ano anterior.</p>
<p>O d&eacute;fice prim&aacute;rio foi, nesse mesmo m&ecirc;s, de 148 milh&otilde;es de euros, o que correspondeu a uma melhoria, face ao mesmo per&iacute;odo de 2007, da ordem de 215 milh&otilde;es de euros. </p>
<p>Em s&iacute;ntese e no que se relaciona com a execu&ccedil;&atilde;o or&ccedil;amental, verificou-se a seguinte evolu&ccedil;&atilde;o: </p>
<ul>
  <li>a receita fiscal aumentou 1,4% por compara&ccedil;&atilde;o com Janeiro de 2007; </li>
  <li>a despesa prim&aacute;ria sofreu uma contrac&ccedil;&atilde;o de 2,6%; </li>
  <li>a despesa com juros e outros encargos correntes da d&iacute;vida apresentou uma expans&atilde;o; </li>
  <li>a d&iacute;vida directa do Estado atingiu, em 31 de Janeiro de 2008, o montante de 112 mil milh&otilde;es de euros, diminuindo 0,7% por compara&ccedil;&atilde;o com o final do m&ecirc;s anterior.</li>
</ul>
<p>Por outro lado, o excedente da execu&ccedil;&atilde;o or&ccedil;amental da Seguran&ccedil;a Social foi de 519 milh&otilde;es de euros, em Janeiro de 2008, apresentando uma subida de 299 milh&otilde;es de euros face ao mesmo m&ecirc;s de 2007, sendo, ainda, de referir que a sobredita execu&ccedil;&atilde;o or&ccedil;amental se caracterizou por:</p>
<ul>
  <li>um acr&eacute;scimo da receita corrente em 12,9%, a qual poder&aacute; ser explicada pela evolu&ccedil;&atilde;o das contribui&ccedil;&otilde;es e das transfer&ecirc;ncias correntes da Administra&ccedil;&atilde;o Central e do Fundo Social europeu; </li>
  <li>um decr&eacute;scimo da despesa corrente em 5%, decorrente, fundamentalmente, do comportamento da despesa com pens&otilde;es e da evolu&ccedil;&atilde;o ocorrida com os subs&iacute;dios de desemprego e bem assim com as ac&ccedil;&otilde;es de forma&ccedil;&atilde;o profissional. </li>
</ul>
<p>Em resumo, a economia portuguesa tem vindo a experimentar, mais recentemente, uma evolu&ccedil;&atilde;o muito positiva ao n&iacute;vel das Finan&ccedil;as P&uacute;blicas, registando- se, simultaneamente, alguma reanima&ccedil;&atilde;o da actividade produtiva, no decurso de 2007. </p>
<p>Foram implementadas algumas reformas que permitir&atilde;o, a prazo, contribuir para a desburocratiza&ccedil;&atilde;o da Administra&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica e para a cria&ccedil;&atilde;o de condi&ccedil;&otilde;es propiciadoras de um acr&eacute;scimo do investimento (dom&eacute;stico e al&oacute;geno). </p>
<p>Todavia, a economia portuguesa continua a apresentar um ritmo de crescimento, relativamente, baixo, i.e., inferior a 2% ao ano (1,9% em 2007), mantendo- se uma taxa de desemprego elevada e n&atilde;o se registando uma efectiva tend&ecirc;ncia para o relan&ccedil;amento do investimento. </p>
<p>Melhor dizendo, ainda n&atilde;o se constatou uma tend&ecirc;ncia para uma converg&ecirc;ncia (sustentada) da economia portuguesa com as restantes economias da EU, muito embora se tenha verificado uma melhoria em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; situa&ccedil;&atilde;o existente entre 2002 e 2006. </p>
<p>E n&atilde;o fazendo sentido reconduzir a eventual possibilidade de um relan&ccedil;amento econ&oacute;mico a um novo impulso expansionista da economia internacional, impulso esse que n&atilde;o se sabe quando e como existir&aacute;, talvez fa&ccedil;a sentido pensar-se em solu&ccedil;&otilde;es alternativas &agrave; mera aplica&ccedil;&atilde;o de um &ldquo;export led growth model&rdquo;. </p>
<p style="font-size: larger"><strong>6. Da indispensabilidade de recurso aos &ldquo;paliativos&rdquo; a uma Nova Pol&iacute;tica Econ&oacute;mica</strong></p>
<p>Existe, desde logo, uma quest&atilde;o pr&eacute;via por resolver: as crises econ&oacute;micas internacionais modernas apresentam, hoje em dia, caracter&iacute;sticas diferentes, tendo, em larga medida que ver com o facto de sectores como os da inform&aacute;tica e das telecomunica&ccedil;&otilde;es j&aacute; n&atilde;o apresentarem o dinamismo suficiente para assegurar a &ldquo;invers&atilde;o do ciclo da crise&rdquo;. </p>
<p>Tal resulta, em larga medida, de uma certa &ldquo;satura&ccedil;&atilde;o&rdquo; do mercado em rela&ccedil;&atilde;o a produtos inform&aacute;ticos e de telecomunica&ccedil;&otilde;es, tornando-se indispens&aacute;vel a emerg&ecirc;ncia de um novo sector estrat&eacute;gico, em rela&ccedil;&atilde;o ao qual existam necessidades infindas por satisfazer. </p>
<p>Sou dos que pensam que esse novo sector estrat&eacute;gico dever&aacute; ser o da Sa&uacute;de e que, por isso mesmo, quando se descobrir a cura do HIV ou de certo tipo de cancros, se encontrarem novas tecnologias que permitam reduzir, substancialmente, o custo dos medicamentos e dos equipamentos m&eacute;dicos, haver&aacute; lugar a uma IV Revolu&ccedil;&atilde;o Industrial, a que corresponder&aacute; um aumento significativo da esperan&ccedil;a de vida &agrave; nascen&ccedil;a e o desenvolvimento de muitas actividades &ndash; desde o turismo de sa&uacute;de ao turismo de terceira idade, passando por actividades ligadas ao aproveitamento dos tempos livres e do excedente potencial de popula&ccedil;&atilde;o activa empreg&aacute;vel. </p>
<p>Ningu&eacute;m, todavia, sabe quando se desencadear&aacute; esse processo, sendo certo que, at&eacute; l&aacute;, tenderemos a viver em para-recess&atilde;o ou, quanto muito, em expans&atilde;o moderada. </p>
<p>Ao n&iacute;vel da EU existe uma segunda quest&atilde;o por solucionar, a saber, a compatibiliza&ccedil;&atilde;o do Pacto de Estabilidade e Crescimento com o desiderato de expans&atilde;o competitiva da economia europeia, no quadro da globaliza&ccedil;&atilde;o. </p>
<p>A este prop&oacute;sito, sou dos que defendem a revis&atilde;o do Pacto de Estabilidade e Crescimento, indo, porventura, ao encontro do que alguns designam de &ldquo;neo-Keynesianismo&rdquo; ou, ent&atilde;o, de forma mais correcta, de &ldquo;novo-Keynesianismo&rdquo;. </p>
<p>Melhor dizendo, sou dos que entendem que as despesas p&uacute;blicas correntes n&atilde;o deveriam ter o mesmo tratamento que o investimento p&uacute;blico, para efeitos da aplica&ccedil;&atilde;o do crit&eacute;rio do d&eacute;fice, tornando-se, simultaneamente, necess&aacute;rio aplicar, neste dom&iacute;nio, crit&eacute;rios uniformizadores a n&iacute;vel comunit&aacute;rio. </p>
<p>N&atilde;o basta &ndash; nem faz sentido &ndash; afirmar-se que todo o investimento p&uacute;blico n&atilde;o deveria ser tido em conta para efeitos do crit&eacute;rio do d&eacute;fice. </p>
<p>Se assim fosse, um Primeiro-Ministro italiano ou de outra nacionalidade qualquer poderia aumentar, em exponencial e de forma irrespons&aacute;vel, o investimento p&uacute;blico (inclusive, de reprodutividade discut&iacute;vel) e a Comiss&atilde;o Europeia nada poderia fazer&hellip; </p>
<p>Mas, se se estabelecesse que n&atilde;o deveria ser considerado o investimento p&uacute;blico que contasse com a participa&ccedil;&atilde;o de fundos comunit&aacute;rios, na parte correspondente &agrave; sua componente nacional, ent&atilde;o j&aacute; seria diferente, uma vez que existiria um crit&eacute;rio e um padr&atilde;o de aprecia&ccedil;&atilde;o a n&iacute;vel comunit&aacute;rio, tornando-se, inclusive, poss&iacute;vel proceder &agrave; aplica&ccedil;&atilde;o imediata desta metodologia. </p>
<p>Enquanto a EU n&atilde;o enveredar por uma solu&ccedil;&atilde;o deste tipo o Pacto de Estabilidade ser&aacute; sempre mais de Estabilidade do que de Crescimento. </p>
<p>Um terceiro problema a considerar consiste na aus&ecirc;ncia de uma din&acirc;mica suficientemente forte conducente &agrave; adop&ccedil;&atilde;o pelo tecido empresarial portugu&ecirc;s de estrat&eacute;gias de &ldquo;playing for long run profit and diversification&rdquo;, o que, ali&aacute;s, implicaria, como se disse, a ultrapassagem das limita&ccedil;&otilde;es, ainda, existentes ao nosso desenvolvimento econ&oacute;mico ao n&iacute;vel do &ldquo;stock&rdquo; de capital, do R&amp;D e da forma&ccedil;&atilde;o de m&atilde;o-de-obra qualificada (ou, se se preferir, adequada a melhor tipologia de combina&ccedil;&atilde;o de factores). </p>
<p>Um quarto problema a considerar &ndash; tendo em vista o &ldquo;rompimento&rdquo; com o &ldquo;sindroma despesista&rdquo; e com o &ldquo;comportamento FTL&rdquo; &ndash; tem que ver com a indispensabilidade de implementa&ccedil;&atilde;o de uma pol&iacute;tica econ&oacute;mica consistente (que influencie positivamente a &ldquo;componente psicol&oacute;gica&rdquo; do investimento) e com a exist&ecirc;ncia de mecanismos de defesa da concorr&ecirc;ncia que assegurem uma maior transpar&ecirc;ncia do mercado. </p>
<p>Muito se tem feito neste dom&iacute;nio, mas, ainda, se est&aacute; aqu&eacute;m do indispens&aacute;vel&hellip; </p>
<p>Finalmente, importa adoptar uma postura diferente em rela&ccedil;&atilde;o ao investimento p&uacute;blico, procurando-se dar mais peso &agrave; metodologia PPP (Public &ndash; Private &ndash; Projects) e criar condi&ccedil;&otilde;es propiciadoras das reformas tidas como necess&aacute;rias a uma efectiva melhoria do Bem-Estar. </p>
<p>S&atilde;o conhecidos os argumentos invocados contra o recurso ao investimento p&uacute;blico, podendo, ali&aacute;s, os mesmos ser reconduzidos &agrave;s seguintes quest&otilde;es:</p>
<p>a) o efeito multiplicador-acelerador &eacute; atenuado em economia aberta, como a nossa;</p>
<p>b) a aposta no investimento p&uacute;blico &eacute; um paliativo, uma vez que o desenvolvimento genu&iacute;no de uma economia de mercado deve assentar no acr&eacute;scimo de produtividade (e de competitividade) ao n&iacute;vel dos agentes econ&oacute;micos privados;</p>
<p>c) a op&ccedil;&atilde;o de incrementar o investimento p&uacute;blico vai conduzir a que se privilegie a expans&atilde;o do sector de Bens N&atilde;o Transaccion&aacute;veis (SBNT), sector esse que se apresenta estrategicamente menos relevante do que o Sector de Bens Transaccion&aacute;veis (SBT), em termos de concretiza&ccedil;&atilde;o de um modelo de vantagens competitivas din&acirc;micas;</p>
<p>d) as pol&iacute;ticas econ&oacute;micas que assentaram em programas de investimento p&uacute;blico contribu&iacute;ram, em muitos casos, para a exist&ecirc;ncia de um Estado sobredimensionado e de excesso de burocratiza&ccedil;&atilde;o.</p>
<p>Ora, sucede que sou dos que pensam que, para uma economia como a portuguesa, em que o Estado se apresenta como elemento muito importante de refer&ecirc;ncia comportamental para os agentes econ&oacute;micos e em que se constatam os condicionalismos decorrentes do &ldquo;sindroma despesista&rdquo; e do &ldquo;comportamento FTL&rdquo;, n&atilde;o se afigura f&aacute;cil sair de uma para-recess&atilde;o ou inverter um ciclo de crise sem se recorrer ao investimento p&uacute;blico. </p>
<p>E as quatro quest&otilde;es acima mencionadas merecem alguns esclarecimentos adicionais&hellip; </p>
<p>Em primeiro lugar, sendo verdade que o efeito multiplicador-acelerador &eacute; atenuado em economia aberta, tamb&eacute;m &eacute; verdade que n&atilde;o se apresenta nulo, uma vez que a propens&atilde;o marginal a consumir bens nacionais n&atilde;o &eacute; igual a zero. </p>
<p>O que interessa saber &eacute; se o efeito induzido no crescimento da actividade econ&oacute;mica nacional mais do que compensa ou n&atilde;o o eventual efeito negativo ao n&iacute;vel das Contas Externas. </p>
<p>Em segundo lugar, nem todo o investimento p&uacute;blico &eacute;, necessariamente, um paliativo, uma vez que poder&aacute;, em muitos casos, competir ao Estado investir em infraestruturas indutoras de externalidades positivas. </p>
<p>Mas, mesmo os paliativos, em determinadas circunst&acirc;ncias, desempenham um papel, altamente, positivo. </p>
<p>Conforme j&aacute; tive oportunidade de exp&ocirc;r<sup><a href="#nota6">6</a></sup><a name="backNota6"></a>, se um doente que padece de cancro terminal estiver cheio de dores, o m&eacute;dico n&atilde;o lhe vai explicar que n&atilde;o lhe d&aacute; analg&eacute;sicos porque mais n&atilde;o s&atilde;o do que paliativos, uma vez que o cancro s&oacute; pode ser tratado com quimioterapia ou com radioterapia. O m&eacute;dico prefere que o doente seja submetido a tratamento n&atilde;o tendo dores do que com dores. </p>
<p>E ao faz&ecirc;-lo est&aacute;, at&eacute;, a influenci&aacute;-lo positivamente, do ponto de vista psicol&oacute;gico, podendo, inclusive, por essa via, contribuir para a sua cura&hellip; </p>
<p>Se transpusermos esta an&aacute;lise para a economia &ndash; com as necess&aacute;rias adapta&ccedil;&otilde;es &ndash; podemos chegar &agrave; conclus&atilde;o de que se apresenta, porventura, mais f&aacute;cil reformar a Administra&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica e os Sectores da Sa&uacute;de e da Educa&ccedil;&atilde;o num contexto de reduzido desemprego e de paz social do que num contexto de elevado desemprego e de intensas convuls&otilde;es sociais, no pressuposto de que n&atilde;o se enverede por um despesismo irrespons&aacute;vel. </p>
<p>Em terceiro lugar, se &eacute; verdade que, em regra, o investimento p&uacute;blico tende a privilegiar o SBNT, tamb&eacute;m n&atilde;o &eacute; menos verdade que a aposta na expans&atilde;o do SBT deve ser, concomitantemente, acompanhada de algum crescimento ao n&iacute;vel do referido SBNT, evitando-se, por essa via, desequil&iacute;brios excessivos a n&iacute;vel sectorial e regional, bem como no que concerne ao mercado de trabalho.</p>
<p>Em quarto lugar, n&atilde;o se afigura l&iacute;quido que todo o investimento p&uacute;blico contribue, necessariamente, para o sobredimensionamento do Estado, para a adop&ccedil;&atilde;o de solu&ccedil;&otilde;es ineficazes e para o excesso de burocracia. </p>
<p>Nos pa&iacute;ses n&oacute;rdicos t&ecirc;m sido concretizados importantes programas de investimento p&uacute;blico, o Estado tem um peso muito consider&aacute;vel na economia e, todavia, n&atilde;o seria justo afirmar-se que a Administra&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica &eacute; extremamente ineficaz. </p>
<p>Do que se disse resulta que para a economia portuguesa poder crescer a um n&iacute;vel superior a 2,4-2,5% (em termos de PIB) ser&aacute;, muito provavelmente, necess&aacute;rio apostar num acr&eacute;scimo de investimento p&uacute;blico, recorrendo-se &agrave; metodologia P.P.P. (e criando-se condi&ccedil;&otilde;es para alguma invers&atilde;o das tend&ecirc;ncias existentes no mercado de trabalho, de acordo, ali&aacute;s, com a conhecida Lei de OKUN<sup><a href="#nota7">7</a></sup><a name="backNota7"></a>). </p>
<p>O importante estar&aacute; na aposta em investimento p&uacute;blico reprodutivo, a par de um aumento de competitividade das nossas empresas e, por conseguinte, de um significativo acr&eacute;scimo da produtividade, permitindo uma evolu&ccedil;&atilde;o da economia nacional semelhante &agrave; descrita na Fig. 4. </p>
<p>Nesse caso, o d&eacute;fice or&ccedil;amental &ndash; (SO) &ndash; come&ccedil;aria por crescer, mas logo diminuiria, cruzando em A e curva do investimento. </p>
<p>O ponto A seria o &ldquo;ponto cr&iacute;tico das Finan&ccedil;as P&uacute;blicas&rdquo;, uma vez que o d&eacute;fice seria inferior ao pr&oacute;prio investimento p&uacute;blico, o que significaria que o saldo corrente passaria a ser positivo.</p>
<p align="center"><img src="http://www.antoniorebelodesousa.pt/artigos/images/1_Graf4.gif" width="400"  border="1"></p>
<p>Por outro lado, o d&eacute;fice das Contas Externas (BP) &ndash; que podemos fazer corresponder ao que, outrora, se designava de Balan&ccedil;a de Opera&ccedil;&otilde;es N&atilde;o Monet&aacute;rias &ndash; aumentaria inicialmente para, depois, diminuir, cruzando a curva do investimento em B, o qual seria o &ldquo;ponto cr&iacute;tico das Contas Externas&rdquo;. </p>
<p>Ao ponto A poder&iacute;amos, tamb&eacute;m, chamar de ponto de sucesso das Finan&ccedil;as p&uacute;blicas (SFP) e ao ponto B poder&iacute;amos chamar deponto de Sucesso da Balan&ccedil;a de Pagamentos (SBP). </p>
<p>O recurso &agrave; metodologia PPP permitiria, inclusive, acelerar a evolu&ccedil;&atilde;o positiva da curva (S0), tornando-se, por conseguinte, indispens&aacute;vel definir mecanismos transparentes e eficazes de selec&ccedil;&atilde;o de parcerias. </p>
<p>Em qualquer caso, ser&aacute; sempre indispens&aacute;vel definir uma estrat&eacute;gia consistente de desenvolvimento da economia portuguesa, seleccionando sectores estrat&eacute;gicos e &aacute;reas priorit&aacute;rias. </p>
<p>Como ser&aacute; sempre indispens&aacute;vel escolher, a cada momento, os melhores instrumentos de pol&iacute;tica econ&oacute;mica. </p>
<p>Em suma: estamos numa encruzilhada da vida nacional cuja evolu&ccedil;&atilde;o n&atilde;o dever&aacute; ser f&aacute;cil. </p>
<p>Mas, importa concluir com uma nota de optimismo, ainda que moderado. </p>
<p>Os portugueses, quando bem organizados, quando inseridos em estruturas adequadas de gest&atilde;o, quando confrontados com as maiores adversidades, conseguiram, em circunst&acirc;ncias diversas, dentro e fora do Pa&iacute;s, ultrapassar barreiras, convertendo, em muitos casos, o imposs&iacute;vel em poss&iacute;vel. </p>
<p>N&atilde;o ser&aacute; agora que baixaremos os bra&ccedil;os. </p>
<p>N&atilde;o se desiste de um Pa&iacute;s, nem de uma Comunidade. </p>
<p>E a nossa economia, o nosso Pa&iacute;s e a nossa Comunidade tem condi&ccedil;&otilde;es para enveredar por um modelo competitivo e din&acirc;mico de sucesso, no quadro da economia internacional.</p>
<hr>
<p style="font-size: larger"><strong>Notas</strong></p>
<p><sup><a name="nota1">1</a></sup> Vide SOUSA, Ant&oacute;nio Rebelo de e QUINTINO, Ant&oacute;nio Manuel in &ldquo;Das vari&aacute;veis explicativas do crescimento na economia portuguesa&rdquo;, revista de &ldquo;Economia &amp; Empresa&rdquo;, II S&eacute;rie, n.&deg; 6, Universidade Lus&iacute;ada Editora, 2006, p&aacute;gs. 11 a 26. [&nbsp;<a href="#backNota1">voltar</a>&nbsp;]</p>
<p><sup><a name="nota2">2</a></sup> N&atilde;o ser&aacute; id&ecirc;ntica uma estrat&eacute;gia empresarial em mercado de monop&oacute;lio (em que n&atilde;o existe concorr&ecirc;ncia) e uma outra em mercado concorrencial, nem t&atilde;o pouco a interven&ccedil;&atilde;o de um agente empresarial em mercado de oligop&oacute;lio ou de concorr&ecirc;ncia monopol&iacute;stica, para j&aacute; n&atilde;o falarmos nos mercados contest&aacute;veis. [&nbsp;<a href="#backNota2">voltar</a>&nbsp;]</p>
<p><sup><a name="nota3">3 </a></sup> Vide &ldquo;Boletim Mensal da Economia Portuguesa&rdquo;, n.&deg; 2, Fevereiro de 2008, GPEARI &ndash; Gabinete de Planeamento, Estrat&eacute;gia, Avalia&ccedil;&atilde;o e Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais. [&nbsp;<a href="#backNota3">voltar</a>&nbsp;]</p>
<p><sup><a name="nota4">4</a></sup> Note-se que, todavia, as rubricas que mais contribu&iacute;ram para o crescimento das exporta&ccedil;&otilde;es de bens e servi&ccedil;os foram o grupo de produtos &ldquo;m&aacute;quinas&rdquo; (14,5%), os servi&ccedil;os &ldquo;viagens e turismo&rdquo; (14,3%) e o grupo &ldquo;min&eacute;rios e metais&rdquo; (10,7%). [&nbsp;<a href="#backNota4">voltar</a>&nbsp;]</p>
<p><sup><a name="nota5">5 </a></sup> Taxa de varia&ccedil;&atilde;o m&eacute;dia dos &uacute;ltimos doze meses de 2,5%. [&nbsp;<a href="#backNota5">voltar</a>&nbsp;]</p>
<p><sup><a name="nota6">6 </a></sup> Vide SOUSA, Ant&oacute;nio Rebelo de in &ldquo;De um novo conceito de desenvolvimento econ&oacute;mico no quadro da economia internacional&rdquo;, ISCSP, 2008, p&aacute;g. 160 a 169. [&nbsp;<a href="#backNota6">voltar</a>&nbsp;]</p>
<p><sup><a name="nota7">7 </a></sup> A Lei de OKUN estabelece uma rela&ccedil;&atilde;o entre o abaixamento da taxa de desemprego e a acelera&ccedil;&atilde;o do crescimento econ&oacute;mico. No caso particular de Portugal, o desemprego s&oacute; dever&aacute; sofrer, consistentemente, uma redu&ccedil;&atilde;o substancial da taxa de desemprego quando a taxa de crescimento anual do PIB se situar acima dos 2,25-2,5%. [&nbsp;<a href="#backNota7">voltar</a>&nbsp;]</p>
<hr>
<h4>Bibliografia</h4>
<p>FUKUYAMA, Francis &ndash; &ldquo;Depois dos Neoconservadores &ndash; A Am&eacute;rica na Encruzilhada&rdquo; Gradiva, 2006.</p>
<p>GALBRAITH, John Kenneth &ndash; &ldquo;A Sociedade Desej&aacute;vel&rdquo;, Publica&ccedil;&otilde;es Europa-Am&eacute;rica, 1997.</p>
<p>STIGLITZ, Joseph E. &ndash; &ldquo;Tornar Eficaz a Globaliza&ccedil;&atilde;o&rdquo;, Edi&ccedil;&otilde;es ASA, 2007.</p>
<p>SOUSA, Ant&oacute;nio Rebelo de &ndash; &ldquo;Da Teoria da Relatividade Econ&oacute;mica Aplicada &agrave; Economia Internacional e &agrave;s Pol&iacute;ticas de Coopera&ccedil;&atilde;o&rdquo;, Universidade Lus&iacute;ada Editora, 2004.</p>
<p>SOUSA, Ant&oacute;nio Rebelo de e QUINTINO, Ant&oacute;nio Manuel &ndash; &ldquo;Das vari&aacute;veis explicativas do crescimento na economia portuguesa&rdquo;, Revista de &ldquo;Economia &amp; Empresa&rdquo;, II S&eacute;rie, n.&deg; 6, Universidade Lus&iacute;ada Editora, 2006.</p>
<p>SOUSA, Ant&oacute;nio Rebelo de &ndash; &ldquo;De um novo conceito de desenvolvimento, no quadro da economia internacional&rdquo;, ISCSP, 2008.</p>
<p align="right"><em>2008 </em></p>]]>
    </content>
</entry>
<entry>
    <title>Das Variáveis Explicativas do Crescimento na Economia Portuguesa</title>
    <link rel="alternate" type="text/html" href="http://blog.antoniorebelodesousa.pt/2006/11/artigo_das_variaveis_explicati.html" />
    <link rel="service.edit" type="application/atom+xml" href="http://www431.pair.com/cgi-sys/cgiwrap/lfaisco/managed-mt/mt-atom.cgi/weblog/blog_id=1/entry_id=4" title="Das Variáveis Explicativas do Crescimento na Economia Portuguesa" />
    <id>tag:blog.antoniorebelodesousa.pt,2006://1.4</id>
    
    <published>2006-11-29T11:56:14Z</published>
    <updated>2006-11-29T14:30:16Z</updated>
    
    <summary><![CDATA[SINOPSE
No presente texto, pretende-se analisar quais as principais vari&aacute;veis explicativas do crescimento da economia portuguesa.
Para o efeito, foram consideradas diversas vari&aacute;veis, a saber, a Forma&ccedil;&atilde;o Bruta de Capital Fixo, a Oferta de m&atilde;o-de-obra, o coeficiente de Intensidade Capital&iacute;stica e as Exporta&ccedil;&otilde;es.
Procurou-se ter, ainda, em linha de conta a vari&aacute;vel associada importa&ccedil;&otilde;es, a qual, muito embora n&atilde;o possa ser considerada uma vari&aacute;vel explicativa do crescimento econ&oacute;mico, pode e deve ser considerada como uma &ldquo;vari&aacute;vel ligada&rdquo;.
Foram considerados diversos modelos econom&eacute;tricos aditivos, divididos em dois grupos: um primeiro, em que as vari&aacute;veis &ldquo;explicativas&rdquo; correspondiam a valores absolutos; um segundo (perspectiva din&acirc;mica), em que, quer a vari&aacute;vel a explicar, quer as vari&aacute;veis &ldquo;explicativas&rdquo;, correspondiam a varia&ccedil;&otilde;es ou a r&aacute;cios.
Procurou-se, ainda, atender ao enquadramento internacional e ao que se designou de &ldquo;sindroma despesista&rdquo; para, com base nos sobreditos modelos, se chegar a algumas conclus&otilde;es.
Em s&iacute;ntese, concluiu-se existir uma grande depend&ecirc;ncia da economia portuguesa em rela&ccedil;&atilde;o ao exterior, estando, simultaneamente, a mesma, altamente, condicionada pelo coeficiente de intensidade capitalista e havendo absoluta necessidade, na Europa, em geral, e em Portugal, em particular, de se romper com o &ldquo;sindroma despesista&rdquo;.
&nbsp; ]]></summary>
    <author>
        <name>admin</name>
        
    </author>
            <category term="Economia Política" />
    
    <content type="html" xml:lang="pt" xml:base="http://blog.antoniorebelodesousa.pt/">
        <![CDATA[<p align="justify">&nbsp;</p>
<p align="justify">por António Rebelo de Sousa e<br>António Manuel Quintino</p>
<p align="justify">&nbsp;</p>
<p align="justify">[ Reprodução de trabalho publicado em Novembro de 2006 na revista "Economia & Empresa", editada pela Universidade Lusíada. ]</p>
<p align="justify">&nbsp;</p>
<p align="justify"><u>SINOPSE</u></p>
<p align="justify">No presente texto, pretende-se analisar quais as principais vari&aacute;veis explicativas do crescimento da economia portuguesa.</p>
<p align="justify">Para o efeito, foram consideradas diversas vari&aacute;veis, a saber, a Forma&ccedil;&atilde;o Bruta de Capital Fixo, a Oferta de m&atilde;o-de-obra, o coeficiente de Intensidade Capital&iacute;stica e as Exporta&ccedil;&otilde;es.</p>
<p align="justify">Procurou-se ter, ainda, em linha de conta a vari&aacute;vel associada importa&ccedil;&otilde;es, a qual, muito embora n&atilde;o possa ser considerada uma vari&aacute;vel explicativa do crescimento econ&oacute;mico, pode e deve ser considerada como uma &ldquo;vari&aacute;vel ligada&rdquo;.</p>
<p align="justify">Foram considerados diversos modelos econom&eacute;tricos aditivos, divididos em dois grupos: um primeiro, em que as vari&aacute;veis &ldquo;explicativas&rdquo; correspondiam a valores absolutos; um segundo (perspectiva din&acirc;mica), em que, quer a vari&aacute;vel a explicar, quer as vari&aacute;veis &ldquo;explicativas&rdquo;, correspondiam a varia&ccedil;&otilde;es ou a r&aacute;cios.</p>
<p align="justify">Procurou-se, ainda, atender ao enquadramento internacional e ao que se designou de &ldquo;sindroma despesista&rdquo; para, com base nos sobreditos modelos, se chegar a algumas conclus&otilde;es.</p>
<p align="justify">Em s&iacute;ntese, concluiu-se existir uma grande depend&ecirc;ncia da economia portuguesa em rela&ccedil;&atilde;o ao exterior, estando, simultaneamente, a mesma, altamente, condicionada pelo coeficiente de intensidade capitalista e havendo absoluta necessidade, na Europa, em geral, e em Portugal, em particular, de se romper com o &ldquo;sindroma despesista&rdquo;.</p>
<p align="justify">&nbsp; </p>]]>
        <![CDATA[<ul>
  <li><strong>Introdu&ccedil;&atilde;o.</strong></li>
</ul>
<p align="justify">No presente texto pretende-se analisar quais as principais vari&aacute;veis explicativas do comportamento do nosso PIB (Produto Interno Bruto), ou melhor, quais as vari&aacute;veis que, de alguma forma, se apresentam mais determinantes do crescimento da nossa economia.</p>
<p align="justify">Foram, em primeira linha, consideradas as vari&aacute;veis explicativas<a href="#_ftn1" name="_ftnref1">1</a> FBCF (Forma&ccedil;&atilde;o Bruta de Capital Fixo) &ndash; que, ali&aacute;s, utiliz&aacute;mos em substitui&ccedil;&atilde;o da vari&aacute;vel convencional K (&ldquo;stock&rdquo; de capital) &ndash; , L (Oferta de m&atilde;o-de-obra), K/L (coeficiente de intensidade capital&iacute;stica) e Exp (Exporta&ccedil;&otilde;es).</p>
<p align="justify">Foi, ainda tida em linha de conta a vari&aacute;vel associada M (Importa&ccedil;&otilde;es), a qual, muito embora n&atilde;o possa ser considerada uma vari&aacute;vel explicativa do crescimento econ&oacute;mico, pode e deve ser considerada como uma vari&aacute;vel ligada ou associada ao crescimento de uma economia, sobretudo quando se est&aacute; confrontado com o que se designa de &ldquo;pequena economia aberta&rdquo;.</p>
<p align="justify">O per&iacute;odo de an&aacute;lise seleccionado foi o compreendido entre 1980 (inclusive) e 2004 (inclusive), correspondendo, por conseguinte, a 25 anos, recorrendo-se a nove modelos econom&eacute;tricos alternativos.</p>
<p align="justify">Optou-se por modelos aditivos e n&atilde;o multiplicativos, uma vez que os primeiros se apresentam, em princ&iacute;pio, mais robustos de que os segundos, sobretudo quando se pretende testar vari&aacute;veis explicativas que correspondem a r&aacute;cios (como, ali&aacute;s, se procurou, efectivamente, testar).</p>
<p align="justify">Por outro lado e conforme se disse, a inclus&atilde;o de M em regress&otilde;es lineares m&uacute;ltiplas, n&atilde;o como vari&aacute;vel explicativa do crescimento econ&oacute;mico (e, por conseguinte, nas varia&ccedil;&otilde;es ocorridas no PIB &ndash; que represent&aacute;mos por R), mas sim como vari&aacute;vel associada ao crescimento econ&oacute;mico, teve como objectivo fundamental permitir extrair algumas conclus&otilde;es v&aacute;lidas quanto ao grau de depend&ecirc;ncia do exterior da economia nacional.</p>
<p align="justify">Paralelamente, procurou-se, ainda, analisar em que medida a economia portuguesa apresenta uma l&oacute;gica de desenvolvimento t&iacute;pica do que se convencionou designar de &ldquo;export led growth model&rdquo;, ou se est&aacute; ou n&atilde;o fortemente condicionada por uma reduzida forma&ccedil;&atilde;o de capital ou, ainda, por um inadequado coeficiente de intensidade capital&iacute;stica.</p>
<p align="justify">Um outro eixo de an&aacute;lise que se teve em linha de conta, no pressuposto de que a Lei de OKUN se verifica, tamb&eacute;m, para o caso portugu&ecirc;s, consistiu na tentativa de se estabelecer uma liga&ccedil;&atilde;o entre o grau de envolvimento do factor produtivo trabalho na actividade produtiva e o n&iacute;vel de actividade econ&oacute;mica.</p>
<p align="justify">Numa segunda linha, procurou-se relacionar a taxa de crescimento do PIB <img align="absmiddle" width="45" height="32" src="http://www.antoniorebelodesousa.pt/publicacoes/clip_image002.gif" align="a"> com as taxas de varia&ccedil;&atilde;o das diversas vari&aacute;veis explicativas, de acordo com uma perspectiva din&acirc;mica, chegando-se a conclus&otilde;es, particularmente, interessantes.</p>
<p align="justify">Finalmente, foram considerados alguns &ldquo;cen&aacute;rios&rdquo; previs&iacute;veis para a economia mundial, no intuito de, a partir dos mesmos, se chegar a algumas conclus&otilde;es &ndash; necessariamente, discut&iacute;veis &ndash; sobre as perspectivas de evolu&ccedil;&atilde;o da economia portuguesa<a href="#_ftn2" name="_ftnref2"></a>.</p>
<p align="justify">&nbsp; </p>
<ul>
  <li><strong>Descri&ccedil;&atilde;o sum&aacute;ria dos modelos simplificados.</strong></li>
</ul>
<p align="justify">Numa primeira fase, foram considerados cinco modelos simplificados, de acordo com os quais se procurou explicar o comportamento de R (PIB), considerado em valor absoluto, a partir de diversas vari&aacute;veis explicativas, tamb&eacute;m elas consideradas em termos absolutos.</p>
<p align="justify">Deste modo, foram, numa primeira abordagem, considerados os seguintes modelos:</p>
<ul>
  <ul>
    <li><img align="absmiddle" width="120" height="24" src="http://www.antoniorebelodesousa.pt/publicacoes/clip_image004.gif">, em que</li>
  </ul>
</ul>
<p align="justify"><img align="absmiddle" width="19" height="24" src="http://www.antoniorebelodesousa.pt/publicacoes/clip_image006.gif">= PIB, a pre&ccedil;os de 1995, no per&iacute;odo t;</p>
<p align="justify"><img align="absmiddle" width="21" height="24" src="http://www.antoniorebelodesousa.pt/publicacoes/clip_image008.gif">= FBCF, a pre&ccedil;os de 1995, no per&iacute;odo t;</p>
<p align="justify"><img align="absmiddle" width="17" height="24" src="http://www.antoniorebelodesousa.pt/publicacoes/clip_image010.gif">= Popula&ccedil;&atilde;o Activa, no per&iacute;odo t;</p>
<ul>
  <ul>
    <li><img align="absmiddle" width="184" height="24" src="http://www.antoniorebelodesousa.pt/publicacoes/clip_image012.gif">, em que </li>
  </ul>
</ul>
<p align="justify"><img align="absmiddle" width="40" height="40" src="http://www.antoniorebelodesousa.pt/publicacoes/clip_image014.gif">= coeficiente de intensidade capital&iacute;stica, no per&iacute;odo t;</p>
<ul>
  <ul>
    <li><img align="absmiddle" width="12" height="23" src="http://www.antoniorebelodesousa.pt/publicacoes/clip_image016.gif"><img align="absmiddle" width="217" height="24" src="http://www.antoniorebelodesousa.pt/publicacoes/clip_image018.gif">, em que</li>
  </ul>
</ul>
<p align="justify"><img align="absmiddle" width="24" height="24" src="http://www.antoniorebelodesousa.pt/publicacoes/clip_image020.gif">= Importa&ccedil;&otilde;es, a pre&ccedil;os de 1995, no per&iacute;odo t;</p>
<p align="justify"><img align="absmiddle" width="33" height="24" src="http://www.antoniorebelodesousa.pt/publicacoes/clip_image022.gif">= Exporta&ccedil;&otilde;es, a pre&ccedil;os de 1995, no per&iacute;odo t;</p>
<ul>
  <ul>
    <li><img align="absmiddle" width="204" height="24" src="http://www.antoniorebelodesousa.pt/publicacoes/clip_image024.gif">, em que n&atilde;o se individualizam, como vari&aacute;veis explicativas, a FBCF e a oferta de m&atilde;o-de-obra;</li>
    <li><img align="absmiddle" width="283" height="24" src="http://www.antoniorebelodesousa.pt/publicacoes/clip_image026.gif">, em que se consideram todas as vari&aacute;veis explicativas consideradas, bem como a &ldquo;vari&aacute;vel associada&rdquo; <img align="absmiddle" width="24" height="24" src="http://www.antoniorebelodesousa.pt/publicacoes/clip_image020_0000.gif">.</li>
  </ul>
</ul>
<p align="justify">Se considerarmos o modelo econom&eacute;trico (1) podemos concluir que o seu grau de &ldquo;explicabilidade&rdquo; &eacute; elevado &ndash; coeficiente de correla&ccedil;&atilde;o de 0,981 e coeficiente de correla&ccedil;&atilde;o ajustado de 0,979 &ndash;, apresentando-se todas as vari&aacute;veis com elevado significado &ldquo;explicativo&rdquo; (vide Anexo I). Neste modelo, salienta-se o peso da vari&aacute;vel de Capital &ndash; K (Beta=0,522), ligeiramente superior ao da vari&aacute;vel Trabalho &ndash; L (Beta=0,484).</p>
<p align="justify">Quanto ao modelo econom&eacute;trico (2), apresenta o mesmo um grau de &ldquo;explicabilidade&rdquo;, ainda, maior &ndash; R 2 da ordem dos 0,994 e R 2 ajustado de 0,993 &ndash;, apresentando, tamb&eacute;m neste caso, as vari&aacute;veis um elevado significado &ldquo;explicativo&rdquo; (vide Anexo I), com a vari&aacute;vel coeficiente de intensidade capital&iacute;stico &ndash; K/L &ndash; a assumir o peso mais importante na explica&ccedil;&atilde;o do modelo (Beta=2,286). Neste modelo, a colinearidade de K com K/L explica a deficiente explicabilidade da primeira.</p>
<p align="justify">No atinente ao modelo econom&eacute;trico (3), convir&aacute; real&ccedil;ar a sua consist&ecirc;ncia (R 2 de 0,989 e R 2 ajustado de 0,987), sendo, todavia, de real&ccedil;ar que <img align="absmiddle" width="17" height="24" src="http://www.antoniorebelodesousa.pt/publicacoes/clip_image010_0000.gif"> apresenta reduzida consist&ecirc;ncia (t=-0,885) &ndash; (Vide Anexo I). As vari&aacute;veis Importa&ccedil;&atilde;o &ndash; M &ndash; e exporta&ccedil;&atilde;o &ndash; E &ndash; assumem uma import&acirc;ncia determinante no modelo (Beta=0,427 e 0,517, respectivamente).</p>
<p align="justify">No que se refere ao modelo econom&eacute;trico (4), quer o R 2, quer o R 2 ajustado t&ecirc;m valores elevados, apresentando o modelo ineg&aacute;vel robustez (Vide Anexo I). Neste caso, a vari&aacute;vel Exporta&ccedil;&atilde;o assume um valor determinante (Beta=0,502).</p>
<p align="justify">Finalmente, o modelo (5) &eacute; o que apresenta o mais elevado coeficiente de correla&ccedil;&atilde;o (0,996), bem como o mais elevado coeficiente de correla&ccedil;&atilde;o ajustado (0,995), sendo de salientar a elevada robustez do modelo, bem como das diversas vari&aacute;veis &ldquo;explicativas&rdquo;, com destaque para <img align="absmiddle" width="45" height="24" src="http://www.antoniorebelodesousa.pt/publicacoes/clip_image030.gif"> (Vide Anexo II), onde Beta=1,869. A vari&aacute;vel Capital &ndash; K &ndash; sofre com a colinearidade das restantes, apresentando um valor algo contradit&oacute;rio (Beta=-2,085).</p>
<p align="justify">Da an&aacute;lise dos resultados obtidos para os cinco modelos, afigura-se poss&iacute;vel chegar a um conjunto de primeiras conclus&otilde;es, a saber:</p>
<ul>
  <li>o modelo mais consistente &eacute; o modelo (4) que considera as vari&aacute;veis explicativas K/L, Exp e Imp;</li>
  <li>das vari&aacute;veis &ldquo;explicativas&rdquo; consideradas no modelo (4), aquela que, de alguma forma, apresenta uma menor robustez &eacute; a que corresponde &agrave;s Importa&ccedil;&otilde;es (IMP);</li>
  <li>as exporta&ccedil;&otilde;es s&atilde;o uma vari&aacute;vel explicativa relevante (B=0,502), o que significa que a nossa economia n&atilde;o se afasta de um &ldquo;export led growth model&rdquo; t&iacute;pico;</li>
  <li>apresenta-se, apesar do que se disse, inquestion&aacute;vel a exist&ecirc;ncia de uma forte depend&ecirc;ncia da nossa economia em rela&ccedil;&atilde;o ao exterior (o que, ali&aacute;s, se prende com o que se disse sobre o grau de correla&ccedil;&atilde;o entre R e E), depend&ecirc;ncia essa esper&aacute;vel numa pequena economia aberta como a nossa.</li>
</ul>
<p align="justify">&nbsp; </p>
<ul>
  <li><strong>Da adop&ccedil;&atilde;o de uma perspectiva din&acirc;mica.</strong></li>
</ul>
<p align="justify">Se enveredarmos pelo que designamos de modelos din&acirc;micos, ent&atilde;o procuraremos explicar as varia&ccedil;&otilde;es do PIB <img align="absmiddle" width="45" height="32" src="http://www.antoniorebelodesousa.pt/publicacoes/clip_image002_0000.gif"> a partir das varia&ccedil;&otilde;es das diversas vari&aacute;veis &ldquo;explicativas&rdquo;.</p>
<p align="justify">Nessa perspectiva, foram seleccionados quatro modelos econom&eacute;tricos adicionais, a saber:</p>
<ul>
  <ul>
    <li><img align="absmiddle" width="241" height="24" src="http://www.antoniorebelodesousa.pt/publicacoes/clip_image033.gif">, em que se procura &ldquo;explicar&rdquo; as varia&ccedil;&otilde;es relativas em R (PIB) a partir das varia&ccedil;&otilde;es relativas em K (FBCF) e em L (oferta de m&atilde;o-de-obra);</li>
    <li><img align="absmiddle" width="407" height="24" src="http://www.antoniorebelodesousa.pt/publicacoes/clip_image035.gif">, em que se entra em linha de conta com todas as vari&aacute;veis &ldquo;explicativas&rdquo; (e com uma vari&aacute;vel &ldquo;associada&rdquo;), com excep&ccedil;&atilde;o do coeficiente de intensidade capital&iacute;stica;</li>
    <li><img align="absmiddle" width="295" height="24" src="http://www.antoniorebelodesousa.pt/publicacoes/clip_image037.gif">, em que s&oacute; se entra em linha de conta com as varia&ccedil;&otilde;es relativas da oferta de m&atilde;o-de-obra e do coeficiente de intensidade capital&iacute;stica;</li>
    <li><img align="absmiddle" width="473" height="24" src="http://www.antoniorebelodesousa.pt/publicacoes/clip_image039.gif">, em que s&atilde;o consideradas as varia&ccedil;&otilde;es relativas de todas as vari&aacute;veis &ldquo;explicativas&rdquo; consideradas (bem como da vari&aacute;vel &ldquo;associada&rdquo;).</li>
  </ul>
</ul>
<p align="justify">O modelo (6) apresenta um grau de &ldquo;explicabilidade&rdquo; n&atilde;o elevado, com um coeficiente de correla&ccedil;&atilde;o de 0,662 (R 2 ajustado de 0,630), sendo a consist&ecirc;ncia &ldquo;explicativa&rdquo; da varia&ccedil;&atilde;o relativa da oferta de m&atilde;o-de-obra baixa (t=1,369). Saliente-se, todavia, a maior import&acirc;ncia da taxa de crescimento do capital (dK/K) no modelo, com Beta=0,792, contra Beta=0,172 da taxa de crescimento do Trabalho (dL/L).</p>
<p align="justify">J&aacute; o modelo (7) apresenta uma maior robustez com um R 2=0,790 (R 2 ajustado de 0,746), continuando, todavia, a vari&aacute;vel <img align="absmiddle" width="43" height="19" src="http://www.antoniorebelodesousa.pt/publicacoes/clip_image041.gif"> a ter o menor valor &ldquo;explicativo&rdquo;, em termos comparativos (o que, ali&aacute;s, conflitua com o facto de uma parte significativa do crescimento da economia portuguesa, no decurso da d&eacute;cada de 90, ser, em larga medida, resultante do aumento constatado de popula&ccedil;&atilde;o activa, aumento esse a que n&atilde;o foi alheia a &ldquo;entrada em actividade&rdquo; de um n&uacute;mero elevado de mulheres). Continua, neste modelo, a verificar-se a maior import&acirc;ncia da taxa de crescimento do Capital (dK/K) (com Beta=0,518), relativamente &agrave;s outras vari&aacute;veis.</p>
<p align="justify">O modelo (8) apresenta um R 2 mais baixo (0,662, atingindo o R 2 ajustado o valor de 0,629), verificando-se o elevado peso da taxa de crescimento da Intensidade de Capital (dK/dL), com Beta=0,794. O crescimento do Trabalho (dL/L) apresenta uma import&acirc;ncia bastante inferior (Beta=0,261).</p>
<p align="justify">O modelo (9) pode ser considerado como significativamente &ldquo;explicativo&rdquo; das varia&ccedil;&otilde;es relativas verificadas no PIB (R 2 de 0,789 e R 2 ajustado de 0,745), apresentando as vari&aacute;veis consideradas uma forte consist&ecirc;ncia. Mais uma vez, neste modelo, constata-se o elevado peso da taxa de crescimento da Intensidade de Capital (dK/dL), com Beta=0,518.</p>
<p align="justify">Por outras palavras, a partir do modelo (9), faz, plenamente, sentido afirmar-se que a evolu&ccedil;&atilde;o do PIB, para a economia portuguesa, pode ser explicada a partir das taxas de varia&ccedil;&atilde;o do coeficiente de Intensidade Capital&iacute;stica, das Importa&ccedil;&otilde;es, das Exporta&ccedil;&otilde;es e da Oferta de M&atilde;o-de-obra, por esta ordem.</p>
<p align="justify">Tal significa que se torna poss&iacute;vel enveredar por uma perspectiva din&acirc;mica, sendo, para mais, certo que o coeficiente de intensidade capital&iacute;stica apresenta uma import&acirc;ncia &ldquo;explicativa&rdquo; muito significativa (com t=2,814 &ndash; Vide Anexo II &ndash; e com um elevado coeficiente B, o qual seria igual a 0,518).</p>
<p align="justify">&nbsp; </p>
<ul>
  <ul>
    <li><strong>Da relev&acirc;ncia do enquadramento internacional.</strong></li>
  </ul>
</ul>
<p align="justify">Tratando-se de uma pequena economia aberta, afigura-se natural que os modelos econom&eacute;tricos considerados mostrem existir uma significativa correla&ccedil;&atilde;o positiva entre o PIB, as importa&ccedil;&otilde;es e as exporta&ccedil;&otilde;es.</p>
<p align="justify">Deste modo &ndash; e uma vez que, no decurso dos &uacute;ltimos anos, a economia portuguesa tem um comportamento que nos permite concluir estarmos, em muitos aspectos, perante um &ldquo;export led growth model&rdquo; &ndash; , importa atender &agrave; evolu&ccedil;&atilde;o esperada do enquadramento internacional.</p>
<p align="justify">Assim, convir&aacute; come&ccedil;ar por relembrar que, em 2005, a economia mundial cresceu a um ritmo elevado (embora inferior ao constatado em 2004), sendo certo que a forte expans&atilde;o da procura mundial contribuiu para a subida (ou pelo menos, para a manuten&ccedil;&atilde;o) dos pre&ccedil;os das mat&eacute;rias-primas, com especial destaque para os pre&ccedil;os do petr&oacute;leo (o que, ali&aacute;s, permite afirmar que nos encontramos, hoje em dia, perante uma &ldquo;crise&rdquo; de contornos muito diferentes das que ocorreram aquando dos &ldquo;choques petrol&iacute;feros&rdquo; de 1973-74 e 1978, uma vez que estes &uacute;ltimos resultaram de uma redu&ccedil;&atilde;o da oferta).</p>
<p align="justify">As press&otilde;es inflacionistas fizeram-se sentir mais nos EUA do que na &aacute;rea do euro, sendo, ainda, certo que a subida de pre&ccedil;os no sector energ&eacute;tico foi, de algum modo, compensada por uma certa redu&ccedil;&atilde;o dos pre&ccedil;os dos produtos alimentares n&atilde;o transformados e bem assim dos produtos industriais n&atilde;o energ&eacute;ticos.</p>
<p align="justify">Afigura-se poss&iacute;vel &ndash; sem excesso de optimismo &ndash; prever uma ligeira desacelera&ccedil;&atilde;o da infla&ccedil;&atilde;o, no decurso do corrente ano, quer na economia americana, quer na zona do euro, sendo admiss&iacute;vel que persistam fortes desequil&iacute;brios macroecon&oacute;micos, desequil&iacute;brios esses associados a elevados d&eacute;fices externos e do Sector P&uacute;blico.</p>
<p align="justify">A Reforma do Pacto de Estabilidade (adoptada no Conselho de 27 de Junho de 2005) poder&aacute; ter sido insuficiente, n&atilde;o flexibilizando suficientemente a aplica&ccedil;&atilde;o de regras que viabilizem o investimento p&uacute;blico reprodutivo, sem implica&ccedil;&otilde;es negativas ao n&iacute;vel do crit&eacute;rio do d&eacute;fice or&ccedil;amental.</p>
<p align="justify">&Eacute;, por conseguinte, num contexto que n&atilde;o se apresenta, particularmente, favor&aacute;vel que se afigura poss&iacute;vel prever uma taxa de crescimento rastejante para a economia portuguesa no primeiro semestre de 2006, muito embora as inten&ccedil;&otilde;es manifestadas de investimento (e a melhoria do &ldquo;clima pol&iacute;tico&rdquo; resultante de uma maior estabilidade institucional) permitam encarar a hip&oacute;tese de um relan&ccedil;amento no 2&ordm; semestre do corrente ano e de obten&ccedil;&atilde;o de taxas de crescimento do PIB mais elevadas, em 2007 e 2008.</p>
<p align="justify">Numa perspectiva de longo prazo, afigura-se, teoricamente admiss&iacute;vel considerar como &ldquo;cen&aacute;rios&rdquo; alternativos:</p>
<ul>
  <li>o da crescente lideran&ccedil;a do crescimento mundial pelos NIC&rsquo;s e pela China (&ldquo;New NEW Industrialized Country&rdquo; &ndash; NNIC), com perda de influ&ecirc;ncia das economias americana e europeia;</li>
  <li>o do refor&ccedil;o da posi&ccedil;&atilde;o hegem&oacute;nica dos EUA<a href="#_ftn3" name="_ftnref3"></a>;</li>
  <li>o da afirma&ccedil;&atilde;o de um peso crescente da EU no concerto internacional;</li>
  <li>o do regresso &agrave;s pol&iacute;ticas proteccionistas, com estagna&ccedil;&atilde;o ou mesmo com recuo nos processos integracionistas;</li>
  <li>o da manuten&ccedil;&atilde;o, no essencial, da actual correla&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as das principais potencias existentes no panorama mundial.</li>
</ul>
<p align="justify">Se admitirmos que a aplica&ccedil;&atilde;o da lei dos rendimentos decrescentes aos NIC&rsquo;s (a partir do momento em que a produtividade marginal do factor produtivo trabalho no sector tradicional deixa de ser nula, verificando-se, simultaneamente, altera&ccedil;&otilde;es institucionais induzidas pelo efeito demonstra&ccedil;&atilde;o &ndash; imita&ccedil;&atilde;o social) levar&aacute; a que, a prazo, se registem perdas de competitividade, sendo, ainda, de ter presente a depend&ecirc;ncia dessas economias de estrat&eacute;gias empresariais de investimento ex&oacute;genas &ndash; n&atilde;o fazendo sentido esquecer o contra-poder condicionador do modelo de desenvolvimento chin&ecirc;s que a Uni&atilde;o Indiana poder&aacute; vir a representar &ndash;, n&atilde;o se afigura l&iacute;quido que o &ldquo;cen&aacute;rio&rdquo; a) tenha, inexoravelmente, que ocorrer.</p>
<p align="justify">Quanto ao &ldquo;cen&aacute;rio&rdquo; b) depender&aacute; o mesmo, em muito, da evolu&ccedil;&atilde;o do peso relativo das exporta&ccedil;&otilde;es americanas no Continente Asi&aacute;tico, bem como da influ&ecirc;ncia de que o capital proveniente dos EUA possa vir a dispor nos NIC&rsquo;s, na China e na R&uacute;ssia, bem como das transforma&ccedil;&otilde;es que venham a ocorrer no M&eacute;dio-Oriente (eixo Palestina - Iraque &ndash; Ir&atilde;o &ndash; Afeganist&atilde;o) e na Am&eacute;rica Latina.</p>
<p align="justify">O &ldquo;cen&aacute;rio&rdquo; c) apresenta-se, ainda, mais problem&aacute;tico, uma vez que depende, entre m&uacute;ltiplos aspectos, da consolida&ccedil;&atilde;o do processo integracionista europeu, num quadro de sucessivos alargamentos e com a simult&acirc;nea exist&ecirc;ncia de focos de instabilidade potencial a Leste e a Sul.</p>
<p align="justify">J&aacute; quanto ao &ldquo;cen&aacute;rio&rdquo; d), convir&aacute; ter presente que o mesmo poder&aacute; ocorrer em caso de insucesso do processo integracionista europeu (recuo na consolida&ccedil;&atilde;o da UEM e eventual incapacidade de compatibiliza&ccedil;&atilde;o da quarta fase do processo de integra&ccedil;&atilde;o com os sucessivos alargamentos), de generaliza&ccedil;&atilde;o de &ldquo;focos de instabilidade&rdquo; na CEI (Comunidade dos Estados Independentes) e de indefini&ccedil;&atilde;o ao n&iacute;vel da NAFTA e do Mercosul (com regresso &agrave;s pol&iacute;ticas de sabor populista e, em termos econ&oacute;micos, ao modelo de substitui&ccedil;&atilde;o de importa&ccedil;&otilde;es).</p>
<p align="justify">Se uma evolu&ccedil;&atilde;o deste tipo ocorrer, as pol&iacute;ticas proteccionistas ser&atilde;o, de novo, postas em pr&aacute;tica, tornando-se dif&iacute;cil evitar uma grav&iacute;ssima recess&atilde;o econ&oacute;mica internacional.</p>
<p align="justify">Havendo alguns &ldquo;sintomas&rdquo; preocupantes de evolu&ccedil;&atilde;o da situa&ccedil;&atilde;o internacional no sentido descrito, manda, todavia, a verdade reconhecer n&atilde;o se tratar (pelo menos, presentemente) de um &ldquo;cen&aacute;rio&rdquo; altamente prov&aacute;vel.</p>
<p align="justify">Da&iacute; que, se enveredarmos por uma postura, moderadamente, optimista (do ponto de vista da Europa e, tamb&eacute;m, de Portugal), podemos optar (em termos de grau razo&aacute;vel de probabilidades) pelo &ldquo;cen&aacute;rio&rdquo; e), i.e., pelo &ldquo;cen&aacute;rio&rdquo; de manuten&ccedil;&atilde;o, no essencial, da actual correla&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as das principais pot&ecirc;ncias existentes no panorama internacional.</p>
<p align="justify">Nesse caso, a economia europeia poderia crescer a um ritmo razo&aacute;vel nos pr&oacute;ximos quinze anos, desde que se consolidasse o processo integracionista, havendo alguma modera&ccedil;&atilde;o (eventualmente, um compasso de espera) no que se refere ao alargamento da U.E.</p>
<p align="justify">&nbsp; </p>
<ul>
  <ul>
    <li><strong>O s&iacute;ndroma despesista.</strong></li>
  </ul>
</ul>
<p align="justify">&nbsp; </p>
<p align="justify">&Eacute; usual afirmar-se que qualquer economia que necessita de realizar reformas estruturais tem que passar por um per&iacute;odo de transi&ccedil;&atilde;o no decurso do qual o desemprego aumenta, havendo, simultaneamente, uma conten&ccedil;&atilde;o da despesa.</p>
<p align="justify">Assim sendo, o aumento tempor&aacute;rio do desemprego e a conten&ccedil;&atilde;o despesista n&atilde;o deveriam ser, necessariamente, consideradas como correspondendo a um sinal de evolu&ccedil;&atilde;o negativa da economia nacional.</p>
<p align="justify">Muito pelo contr&aacute;rio, se resultassem de um esfor&ccedil;o s&eacute;rio de reestrutura&ccedil;&atilde;o do tecido produtivo, poderiam ser consideradas um sinal positivo de cria&ccedil;&atilde;o de condi&ccedil;&otilde;es propiciadoras para uma transforma&ccedil;&atilde;o qualitativamente positiva da economia, gerando, por conseguinte, novas &ldquo;expectativas&rdquo; em rela&ccedil;&atilde;o ao futuro.</p>
<p align="justify">Logo, seria poss&iacute;vel conceber que as &ldquo;ordens de investimento&rdquo; aumentassem, num quadro de agravamento do desemprego e de redu&ccedil;&atilde;o do consumo, desde que, simultaneamente, houvesse a percep&ccedil;&atilde;o de que estariam em curso reformas estruturais de sentido positivo, i.e., que permitissem aumentar a competitividade da economia portuguesa.</p>
<p align="justify">Todavia, a generalidade dos agentes econ&oacute;micos, no nosso pa&iacute;s, n&atilde;o apresenta esse &ldquo;padr&atilde;o comportamental&rdquo;.</p>
<p align="justify">Melhor dizendo, a generalidade dos agentes econ&oacute;micos nacionais tende a retrair o investimento quando o desemprego aumenta e a despesa diminui (considerando que existem sinais de recess&atilde;o), independentemente de analisar se est&atilde;o ou n&atilde;o em curso reformas estruturais.</p>
<p align="justify">Este comportamento &ldquo;mecanicista&rdquo; ou &ldquo;autom&aacute;tico&rdquo; pode ser designado de &ldquo;s&iacute;ndroma despesista&rdquo;, levando a um comportamento contradit&oacute;rio, sen&atilde;o mesmo paradoxal, por parte dos investidores: por um lado, exige-se a adop&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas de conten&ccedil;&atilde;o da despesa e a reestrutura&ccedil;&atilde;o da Administra&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica e do Sector Tradicional de economia, libertando-se m&atilde;o-de-obra excedent&aacute;ria, como pr&eacute;-condi&ccedil;&atilde;o de um ulterior acr&eacute;scimo do investimento privado e de um desenvolvimento econ&oacute;mico sustentado; por outro lado, o aumento do desemprego e a conten&ccedil;&atilde;o da despesa levam, mecanicamente, a uma quebra do investimento privado, dadas as &ldquo;expectativas&rdquo; existentes quanto &agrave; evolu&ccedil;&atilde;o da procura.</p>
<p align="justify">Um dos principais desafios de um Executivo reformador est&aacute;, por conseguinte, em conseguir romper com o &ldquo;s&iacute;ndroma despesista&rdquo;, o que, em larga medida, passa pela sua credibilidade, enquanto agente transformador da economia e da sociedade.</p>
<p align="justify">&nbsp; </p>
<ul>
  <ul>
    <li><strong>Conclus&otilde;es.</strong></li>
  </ul>
</ul>
<p align="justify">&nbsp; </p>
<p align="justify">Se adoptarmos modelos econom&eacute;tricos simplificados (que procuram explicar a evolu&ccedil;&atilde;o do PIB a partir de vari&aacute;veis explicativas diversas, consideradas em termos absolutos), chegamos &agrave; conclus&atilde;o de que o modelo mais consistente &eacute; o que considera as vari&aacute;veis explicativas K/L, Exp. e M.</p>
<p align="justify">Das vari&aacute;veis &ldquo;explicativas&rdquo; consideradas, aquela que apresenta uma maior robustez &eacute; a que corresponde &agrave;s exporta&ccedil;&otilde;es, o que permite concluir estarmos perante um &ldquo;export led growth model&rdquo;.</p>
<p align="justify">Por conseguinte, afigura-se inquestion&aacute;vel a exist&ecirc;ncia de uma forte depend&ecirc;ncia da nossa economia em rela&ccedil;&atilde;o ao exterior, se se atender, nomeadamente, &agrave; correla&ccedil;&atilde;o positiva entre o PIB, as exporta&ccedil;&otilde;es e, inclusive, as importa&ccedil;&otilde;es.</p>
<p align="justify">Se enveredarmos por modelos econom&eacute;tricos din&acirc;micos (que procuram &ldquo;explicar&rdquo; a evolu&ccedil;&atilde;o do PIB a partir de varia&ccedil;&otilde;es relativas de diversas vari&aacute;veis), ent&atilde;o podemos concluir que o crescimento da economia nacional est&aacute;, intimamente, ligado &agrave;s taxas de varia&ccedil;&atilde;o do coeficiente de intensidade capital&iacute;stica, das importa&ccedil;&otilde;es, das exporta&ccedil;&otilde;es e da oferta de m&atilde;o-de-obra.</p>
<p align="justify">Muito em particular, de entre as diversas vari&aacute;veis &ldquo;explicativas&rdquo; do ritmo de crescimento da economia nacional, aquela que se apresenta mais relevante &eacute; o coeficiente de intensidade capital&iacute;stica.</p>
<p align="justify">Dito de outra forma, o coeficiente de intensidade capital&iacute;stica existente, presentemente, na economia portuguesa constitui um dos principais condicionalismos ao processo de desenvolvimento das estruturas produtivas.</p>
<p align="justify">Paralelamente, se considerarmos o enquadramento econ&oacute;mico internacional e os &ldquo;cen&aacute;rios&rdquo; alternativos previs&iacute;veis, podemos apontar para a eventual manuten&ccedil;&atilde;o, no essencial, da actual correla&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as das principais pot&ecirc;ncias existentes no panorama internacional, o que permitiria considerar como prov&aacute;vel um crescimento razo&aacute;vel da economia europeia nos pr&oacute;ximos quinze anos, desde que se consolidasse o processo integracionista, havendo alguma conten&ccedil;&atilde;o no que se refere ao alargamento da U.E.</p>
<p align="justify">Finalmente, afigura-se, absolutamente, indispens&aacute;vel que, na Europa, em geral, e em Portugal, em particular, se consiga romper (ao n&iacute;vel dos padr&otilde;es comportamentais dos agentes econ&oacute;micos) com o &ldquo;s&iacute;ndroma despesista&rdquo;, o que passa pela credibiliza&ccedil;&atilde;o dos governos, enquanto agentes transformadores das sociedades.</p>
<hr width="30%">
<p align="justify"><a href="#_ftnref1" name="_ftn1"></a>1 As vari&aacute;veis em causa foram consideradas, em primeira linha, como correspondendo a valores absolutos e, em segunda linha, a taxas de varia&ccedil;&atilde;o (perspectiva din&acirc;mica). </p>
<p align="justify"><a href="#_ftnref2" name="_ftn2"></a>2 A este prop&oacute;sito, convir&aacute; salientar que foram tidas em linha de conta as contribui&ccedil;&otilde;es anal&iacute;ticas de Robert C. Pozen &ndash; Presidente do MFS Investment Management, &ldquo;Trustee&rdquo; da Academia Americana em Berlim e &ldquo;Visiting Professor&rdquo; na Harvard Law School - , nomeadamente, o seu artigo &ldquo;Mind the gap; can the New Europe overtake the U.S. economy?&rdquo;, ver. Foreign Affairs, N.Y., March/April 2005, Vol. 84. </p>
<p align="justify"><a href="#_ftnref3" name="_ftn3"></a>3 Vide, a este prop&oacute;sito, POZEN, Robert C. in &ldquo;Mind the Gap&rdquo;; Can the New Europe Overtake the US Economy&rdquo;, Ver Foreign Affairs, NY, Mar/Apr 2005, Vol 4, em que, muito embora se saliente que, na &uacute;ltima d&eacute;cada, o PIB aumentou nos EUA a uma taxa m&eacute;dia anual de 3,3%, enquanto que na UE 15 a taxa de crescimento m&eacute;dia anual foi de 2,1% (ie, cerca de 30% abaixo da americana), a taxa de crescimento do PIB &ldquo;per capita&rdquo; apresentou-se semelhante (1,8% ao ano para os EUA e 1,7% ao ano para a UE 15). O autor &eacute; levado a concluir que, no decurso dos &uacute;ltimos anos, o essencial da diverg&ecirc;ncia entre a economia americana e a economia europeia n&atilde;o tem que ver com diferen&ccedil;as significativas em ganhos de produtividade, mas, isso sim, com as diferen&ccedil;as existentes em termos de crescimento demogr&aacute;fico. </p>
<p align="justify">&nbsp;</p>
<p align="justify"><a href="http://www.antoniorebelodesousa.pt/publicacoes/anexos.pdf">Anexos I e II e bibliografia</a></p>
<p align="justify">&nbsp;</p>]]>
    </content>
</entry>
<entry>
    <title>Do Sistema Educativo ao Desenvolvimento</title>
    <link rel="alternate" type="text/html" href="http://blog.antoniorebelodesousa.pt/2006/07/do_sistema_educativo_ao_desenv.html" />
    <link rel="service.edit" type="application/atom+xml" href="http://www431.pair.com/cgi-sys/cgiwrap/lfaisco/managed-mt/mt-atom.cgi/weblog/blog_id=1/entry_id=3" title="Do Sistema Educativo ao Desenvolvimento" />
    <id>tag:blog.antoniorebelodesousa.pt,2006://1.3</id>
    
    <published>2006-07-03T10:44:33Z</published>
    <updated>2006-07-03T11:59:11Z</updated>
    
    <summary>Intervenção de António Rebelo de Sousa nas Jornadas Pedagógicas da Associação Nacional de Professores, sobre o papel que o Ensino deveria desempenhar no processo de desenvolvimento das comunidades, em geral, e da comunidade portuguesa, em particular....</summary>
    <author>
        <name>António Rebelo de Sousa</name>
        <uri>http://www.antoniorebelodesousa.pt/</uri>
    </author>
            <category term="Economia Política" />
    
    <content type="html" xml:lang="pt" xml:base="http://blog.antoniorebelodesousa.pt/">
        <![CDATA[<p align="justify">Intervenção de António Rebelo de Sousa nas Jornadas Pedagógicas da Associação Nacional de Professores, sobre o papel que o Ensino deveria desempenhar no processo de desenvolvimento das comunidades, em geral, e da comunidade portuguesa, em particular.</p>]]>
        <![CDATA[<p align="center"><br/>~~~<br/>&nbsp;<p>
<p align="justify">Exmo. Senhor Presidente da Mesa do Congresso<br>
  Exmo. Senhor Presidente da Direc&ccedil;&atilde;o Nacional da Associa&ccedil;&atilde;o Nacional de Professores<br>
  Exma. Senhora Presidente da Sec&ccedil;&atilde;o de Lisboa da A.N.P.<br>
  Minhas Senhoras<br>
  Meus Senhores<br>
  Caros Colegas.<br>
</p>
<p align="justify">Constitui para mim um prazer e uma honra participar nestas Jornadas Pedag&oacute;gicas, promovidas pela Associa&ccedil;&atilde;o Nacional dos Professores, dando a minha modesta contribui&ccedil;&atilde;o para a an&aacute;lise do papel que, em meu entender, o Ensino deveria desempenhar no processo de desenvolvimento das comunidades, em geral, e da comunidade portuguesa, em particular.</p>
<p align="justify">Para tal, proponho-me dividir a minha interven&ccedil;&atilde;o em tr&ecirc;s partes essenciais para, de seguida, retirar algumas conclus&otilde;es, necessariamente pol&eacute;micas.</p>
<p align="justify">Em primeiro lugar, procurarei explicar at&eacute; que ponto importa caminhar, cada vez mais, no sentido do Ensino Universal, sem, todavia, se perder de vista a especializa&ccedil;&atilde;o e a adequa&ccedil;&atilde;o do mesmo &agrave;s necessidades desenvolvimentistas.</p>
<p align="justify">Para tal, come&ccedil;arei por explorar o meu conceito de desenvolvimento, incorporando nesse conceito o Conhecimento, a Forma&ccedil;&atilde;o e a Educa&ccedil;&atilde;o.</p>
<p align="justify">Em segundo lugar, analisarei, num tra&ccedil;o, o que designo de tend&ecirc;ncia para o &quot;super-relativismo conceptuol&oacute;gico&quot; sobre o papel da Educa&ccedil;&atilde;o e do Ensino, o qual se articula com o esboroamento das matrizes te&oacute;ricas dominantes nas d&eacute;cadas de 30 e de 40 e, posteriormente, na fase da Guerra Fria, com a emerg&ecirc;ncia de uma concep&ccedil;&atilde;o arquipel&aacute;gica de constru&ccedil;&atilde;o de novos paradigmas, sem que aos mesmos correspondam rupturas epistemol&oacute;gicas conducentes a patamares superiores da exist&ecirc;ncia humana.</p>
<p align="justify">Procurarei sublinhar a necessidade de um novo Paradigma Dominante assente na Dogm&aacute;tica do respeito pelos Direitos e Liberdades Fundamentais da Pessoa Humana, no qual dever&atilde;o radicar as pol&iacute;ticas sectoriais, incluindo a da Educa&ccedil;&atilde;o e Forma&ccedil;&atilde;o Profissional.</p>
<p align="justify">Em terceiro lugar, tentarei explicar a indispensabilidade de se adequar a pol&iacute;tica educativa de um pa&iacute;s &agrave;s suas particularidades, que o mesmo &eacute; dizer, &agrave;s suas caracter&iacute;sticas espec&iacute;ficas, sem recorrer a concep&ccedil;&otilde;es dirigistas, mas, tamb&eacute;m, sem olvidar o papel regulador do Estado, na procura de uma solu&ccedil;&atilde;o de compromisso que permita p&ocirc;r a liberdade de iniciativa ao servi&ccedil;o do bem-estar comunit&aacute;rio.</p>
<p align="justify">Assim e come&ccedil;ando pelo princ&iacute;pio, sublinharia, desde logo, a relev&acirc;ncia que autores como Jo&atilde;o Com&eacute;nio atribu&iacute;ram ao que designaram de Pampaedia ou Cultura Universalis Mentium.</p>
<p align="justify">A Pampaedia seria, por conseguinte, a &quot;educa&ccedil;&atilde;o universal de todo o g&eacute;nero humano&quot;, pretendendo-se que todos fossem educados em todas as coisas e totalmente, como, ali&aacute;s, lembraria Joaquim Ferreira Gomes.</p>
<p align="justify">A pr&oacute;pria produ&ccedil;&atilde;o liter&aacute;ria deveria ser pamp&eacute;dica e os professores deveriam, tamb&eacute;m eles, ser pamp&eacute;dicos, obedecendo a sua escolha a tr&ecirc;s requisitos fundamentais:</p>
<ul>
  <li> a necessidade de o professor ser tal como deve tornar os outros;</li>
  <li> o conhecimento dos m&eacute;todos que permitiriam transformar os outros no que deveriam ser;</li>
  <li> a realiza&ccedil;&atilde;o de um trabalho zeloso.</li>
</ul>
<p align="justify">Est&aacute;vamos no s&eacute;culo XVII, mas, manda a verdade reconhecer que, em larga medida, este pensamento se apresenta actual, sobretudo se atentarmos nos novos desafios do desenvolvimento, no quadro da globaliza&ccedil;&atilde;o.</p>
<p align="justify">Em boa verdade, o conceito de desenvolvimento n&atilde;o pode ser, em meu entender, desligado dos Tr&ecirc;s Diamantes do Bem-Estar, integrando o Novo Diamante - Macroecon&oacute;mico, o Novo Diamante Empresarial - de Domin&acirc;ncia Macroecon&oacute;mica e o Diamante da Relatividade Econ&oacute;mica.</p>
<ul>
  <li> O primeiro, o Novo Diamante - Macroecon&oacute;mico, assenta na concretiza&ccedil;&atilde;o de seis factores de desenvolvimento, no quadro da internacionaliza&ccedil;&atilde;o, a saber:</li>
  <li> a confian&ccedil;a (ligada &agrave; execu&ccedil;&atilde;o de uma pol&iacute;tica econ&oacute;mica e financeira consistente, actuando ao n&iacute;vel da componente psicol&oacute;gica do investimento - recuperando-se a abordagem schumpeteriana do desenvolvimento, associado aos &quot;saltos qualitativos&quot;);</li>
  <li> a moderniza&ccedil;&atilde;o (com a introdu&ccedil;&atilde;o de reformas propiciadoras de um efectivo aproveitamento de vantagens competitivas din&acirc;micas);</li>
  <li> as parcerias estrat&eacute;gicas (numa perspectiva n&atilde;o apenas de especializa&ccedil;&atilde;o inter-sectorial, mas tamb&eacute;m, como diria LAFAY, de especializa&ccedil;&atilde;o intra-sectorial);</li>
  <li> o investimento (entendido como instrumento da transforma&ccedil;&atilde;o qualitativa das infraestruturas de enquadramento, com destaque para as telecomunica&ccedil;&otilde;es, a sa&uacute;de, a energia, o saneamento b&aacute;sico e a defesa do meio-ambiente);</li>
  <li> a Educa&ccedil;&atilde;o e a Forma&ccedil;&atilde;o Profissional (procurando-se conciliar a Cultura Universalis com o ensino t&eacute;cnico e especializado);</li>
  <li> a Investiga&ccedil;&atilde;o Cient&iacute;fica (criando-se condi&ccedil;&otilde;es para a incorpora&ccedil;&atilde;o de novas tecnologias em sectores priorit&aacute;rios para a prossecu&ccedil;&atilde;o da estrat&eacute;gia desenvolvimentista).</li>
</ul>
<p align="justify">O Segundo Diamante, o Novo Diamante Empresarial, permitir-nos-&iacute;a descer ao plano da microeconomia, abarcando os seguintes factores determinantes do que se designa de din&acirc;mica de desenvolvimento:</p>
<ul>
  <li> a organiza&ccedil;&atilde;o empresarial;</li>
  <li> a implementa&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas consistentes de produto, devidamente segmentadas;</li>
  <li> a concretiza&ccedil;&atilde;o de formas de implanta&ccedil;&atilde;o adequadas ao mercado (o que se articula com a Educa&ccedil;&atilde;o e a Forma&ccedil;&atilde;o Profissional);</li>
  <li> a adapta&ccedil;&atilde;o &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es locais (numa perspectiva eminentemente pluridisciplinar e, por conseguinte, tamb&eacute;m cultural);</li>
  <li> as parcerias estrat&eacute;gicas;</li>
  <li> e, finalmente, a Investiga&ccedil;&atilde;o e o Desenvolvimento.</li>
</ul>
<p align="justify">Mas, quer a estrat&eacute;gia do Novo Diamante Macroecon&oacute;mico, quer a estrat&eacute;gia do Novo Diamante Empresarial (de domin&acirc;ncia microecon&oacute;mica) devem estar orientadas para a obten&ccedil;&atilde;o de n&iacute;veis, cada vez mais, elevados de Bem-Estar, que o mesmo &eacute; dizer, para a obten&ccedil;&atilde;o de patamares superiores de exist&ecirc;ncia humana.</p>
<p align="justify">Da&iacute; a imprescindibilidade de os dois Diamantes se articularem com um Terceiro, a saber, o da Relatividade Econ&oacute;mica, integrador de seis factores de Desenvolvimento:</p>
<ul>
  <li> o da &quot;Good-Governance&quot; (implicando transpar&ecirc;ncia e estabilidade governativas);</li>
  <li> o das estruturas de participa&ccedil;&atilde;o (que se pretendem democr&aacute;ticas, rompendo com os modelos de tipo paroquial e de sujei&ccedil;&atilde;o);</li>
  <li> o das estruturas sociais (que se pretendem geradoras de uma din&acirc;mica desenvolvimentista);</li>
  <li> o da mobilidade (necessariamente articulada com o Ensino e a Cultura);</li>
  <li> o do padr&atilde;o de desenvolvimento (resultante da evolu&ccedil;&atilde;o gerada a partir do Novo Diamante Macroecon&oacute;mico);</li>
  <li> e, finalmente, o da din&acirc;mica de desenvolvimento (resultante da evolu&ccedil;&atilde;o operada ao n&iacute;vel do Novo Diamante Empresarial).</li>
</ul>
<p align="justify">Assim sendo, o Tri&acirc;ngulo Internacionaliza&ccedil;&atilde;o, Competitividade e Bem-Estar deve funcionar de uma forma articulada, que o mesmo &eacute; dizer que os Tr&ecirc;s Diamantes do Bem-Estar devem estar interligados.</p>
<p align="justify">O Estado seria o lapidador do Novo Diamante Macroecon&oacute;mico.</p>
<p align="justify">A empresa assumiria o papel de lapidador do Novo Diamante Microecon&oacute;mico.</p>
<p align="justify">O cidad&atilde;o seria o lapidador do Diamante da Relatividade Econ&oacute;mica.</p>
<p align="justify">Mas, para que os Tr&ecirc;s Diamantes funcionem articuladamente afigura-se, sempre, necess&aacute;rio atender ao papel da Educa&ccedil;&atilde;o, da Cultura, da Forma&ccedil;&atilde;o Profissional e da Investiga&ccedil;&atilde;o Cient&iacute;fica e Tecnol&oacute;gica.</p>
<p align="justify">Estamos perante elementos relevantes para a &quot;explica&ccedil;&atilde;o&quot; do funcionamento de qualquer um dos Tr&ecirc;s Diamantes, pelo que s&atilde;o parte fundamental do processo de desenvolvimento econ&oacute;mico e bem assim do processo de produ&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica.</p>
<p align="justify">Da&iacute; que se apresente relevante compreender a evolu&ccedil;&atilde;o do Sistema de Ensino em Portugal, a fim de melhor se entender os condicionalismos hist&oacute;ricos ao processo de desenvolvimento do nosso pa&iacute;s.</p>
<p align="justify">&Eacute; assim que, tendo o nosso Sistema de Ensino passado, &agrave; semelhan&ccedil;a de outros, pela fase da Pampaedia, evoluiu, posteriormente, para uma &Eacute;poca de Domin&acirc;ncia Secular (de ruptura centralizadora, mas, inegavelmente, inovador), com Marqu&ecirc;s de Pombal, para, a partir de 1862, entrar no que alguns autores designam de &quot;fase pedag&oacute;gica&quot;.</p>
<p align="justify">A Nova Ruptura, operada com a Reforma Universit&aacute;ria de 1911 (e, mais tarde, com o Estatuto Universit&aacute;rio de 1918) n&atilde;o conduziu, todavia, &agrave; implementa&ccedil;&atilde;o de um Novo Sistema de Ensino duradoiro, uma vez que, fruto de lutas intestinas geradoras de instabilidade quase permanente, sobretudo, a partir de 1917/1918, viria a emergir a Ditadura Militar, em 28 de Maio de 1926, a que se seguiu a constru&ccedil;&atilde;o de um Estado h&iacute;brido (essencialmente corporativo, mas com recurso a mecanismos de compromisso aparente com a democracia formal, ao aceitar, na Nova Ordem Constitucional, a exist&ecirc;ncia de uma Assembleia Nacional, na qual tinha, todavia, apenas, assento o Partido &Uacute;nico).</p>
<p align="justify">Entrou-se numa fase de ideologiza&ccedil;&atilde;o do Ensino, a partir de uma concep&ccedil;&atilde;o unidimensional de Desenvolvimento e renunciando-se &agrave; Pampaedia ou &agrave; cultura universalis.</p>
<p align="justify">A emerg&ecirc;ncia da Democracia, com passagem de um Mundo de perman&ecirc;ncia e de dicotomia (entre pretensos s&aacute;bios e genu&iacute;nos ignorantes) para um Mundo de Mudan&ccedil;a, levou a que se colocasse, de novo, a quest&atilde;o da indispensabilidade de formula&ccedil;&atilde;o de um Novo Paradigma Dominante que questionasse o que designo de tend&ecirc;ncia para o &quot;hiper-relativismo conceptuol&oacute;gico&quot;, de acordo com o qual tudo &eacute; defens&aacute;vel, tudo &eacute; justific&aacute;vel, confundindo-se a Liberdade com a total aus&ecirc;ncia de Princ&iacute;pios e de regras.</p>
<p align="justify">Eis-nos chegados ao segundo patamar de express&atilde;o anal&iacute;tica que vos proponho.</p>
<p align="justify">N&atilde;o se afigura, em meu entender, poss&iacute;vel definir uma pol&iacute;tica de Educa&ccedil;&atilde;o, nem t&atilde;o pouco uma pol&iacute;tica de Ensino se n&atilde;o existir um conjunto de princ&iacute;pios dominantes.</p>
<p align="justify">N&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel, por exemplo, defender a universaliza&ccedil;&atilde;o do acesso ao Ensino sem se estar, assumidamente, a favor da igualdade entre o homem e a mulher.</p>
<p align="justify">N&atilde;o faz sentido defender a independ&ecirc;ncia da Escola face ao Poder Pol&iacute;tico, a autonomia universit&aacute;ria e a livre confronta&ccedil;&atilde;o de ideias sem se rejeitar, simultaneamente, toda a concep&ccedil;&atilde;o totalit&aacute;ria de sociedade.</p>
<p align="justify">N&atilde;o se justifica, ainda, pugnar pela criatividade intelectual n&atilde;o aceitando os princ&iacute;pios da liberdade de express&atilde;o e de associa&ccedil;&atilde;o.</p>
<p align="justify">Em suma, perten&ccedil;o ao grupo dos que pensam ser, hoje em dia, indissoci&aacute;vel da ideia de um Ensino Moderno a assun&ccedil;&atilde;o do Paradigma dos Direitos e Liberdades Fundamentais da Pessoa Humana, que o mesmo &eacute; dizer que defendo a Dogm&aacute;tica da Democracia e da Liberdade.</p>
<p align="justify">Por muito que tal custe aos que vivem da sataniza&ccedil;&atilde;o de tudo o que tenha um tra&ccedil;o de cultura anglo-sax&oacute;nica, sou dos que pensam que valores que integram o que se convencionou designar de Civiliza&ccedil;&atilde;o Ocidental - como os da liberdade, da democracia, do direito &agrave; vida e da igualdade entre o homem e a mulher - s&atilde;o superiores a valores que integram outros paradigmas.</p>
<p align="justify">E sou, naturalmente, dos que pensam que a nossa pol&iacute;tica de Ensino ter&aacute; que reflectir a aceita&ccedil;&atilde;o desse novo Paradigma dominante, de uma forma descomplexada, na convic&ccedil;&atilde;o de que se est&aacute; do lado de uma causa justa e nobre que sair&aacute;, inexoravelmente, vencedora num combate de culturas e de ideologias que n&atilde;o devemos temer.</p>
<p align="justify">Minhas Senhoras;<br>
  Meus Senhores;<br>
Caros Colegas:</p>
<p align="justify">Eis-nos chegados ao terceiro patamar de an&aacute;lise, a saber, o da indispensabilidade de se adequar a pol&iacute;tica educativa de um pa&iacute;s &agrave;s suas particularidades, tendo em conta os novos desafios da nova globaliza&ccedil;&atilde;o.</p>
<p align="justify">Uma vez que n&atilde;o faz sentido enveredar por uma constru&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica obl&iacute;qua quando se afigura poss&iacute;vel optar pela horizontalidade, nem ter uma postura ziguezagueante quando se prefere estar na vertical, julgo ser de falar no caso concreto do nosso pa&iacute;s e n&atilde;o do &quot;pa&iacute;s abstracto&quot;, rejeitando, por conseguinte, a modalidade de discurso preferida pelos pretensos &quot;neutr&otilde;es&quot;.</p>
<p align="justify">Assim sendo, convir&aacute;, desde logo, ter presente as diferentes fases que o Ensino atravessou, em Portugal, ao longo do per&iacute;odo p&oacute;s-25 de Abril, fases essas que eu pr&oacute;prio, de alguma forma testemunhei, ao longo dos trinta anos de doc&ecirc;ncia que j&aacute; experimentei.</p>
<p align="justify">Depois de uma fase &quot;populista&quot;, caracterizada, entre outros aspectos, pela aus&ecirc;ncia de um centro de poder e pela indefini&ccedil;&atilde;o ao n&iacute;vel dos crit&eacute;rios de legitima&ccedil;&atilde;o do poder, surgiu uma fase de reconstru&ccedil;&atilde;o e, mais tarde, uma fase de tentativa de consolida&ccedil;&atilde;o de uma nova concep&ccedil;&atilde;o de Sistema de Ensino.</p>
<p align="justify">Manda a verdade reconhecer que, mau grado os avan&ccedil;os conseguidos, ao longo dos &uacute;ltimos anos, em termos de educa&ccedil;&atilde;o pr&eacute;-escolar, de acesso &agrave; universidade e, inclusive, no cap&iacute;tulo da investiga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica e tecnol&oacute;gica, continuamos na cauda da Europa dos Quinze, correndo mesmo o risco de sermos considerados parte integrante da Europa Perif&eacute;rica.</p>
<p align="justify">&Eacute; certo que o Poder Pol&iacute;tico tem consci&ecirc;ncia de tal facto, o que se reflecte, inclusive, num PIDDAC - Programa de Investimentos e Despesas de Desenvolvimento da Administra&ccedil;&atilde;o Central em que o Minist&eacute;rio da Ci&ecirc;ncia e Ensino Superior &eacute; um dos cinco Minist&eacute;rios (a par dos Minist&eacute;rios do Ambiente, Ordenamento do Territ&oacute;rio e Desenvolvimento Regional, da Economia e Inova&ccedil;&atilde;o, da Agricultura e Desenvolvimento Rural e Pescas e das Obras P&uacute;blicas, Transportes e Comunica&ccedil;&otilde;es) respons&aacute;veis por 84% do financiamento total, por 78% do auto-financiamento atrav&eacute;s de receitas gerais e por 88% do financiamento comunit&aacute;rio, de acordo com as previs&otilde;es do Or&ccedil;amento para 2006.</p>
<p align="justify">Tamb&eacute;m se apresenta justo reconhecer que, apesar das restri&ccedil;&otilde;es or&ccedil;amentais conhecidas, o dito Or&ccedil;amento para 2006 prev&ecirc; um peso relativo da Educa&ccedil;&atilde;o de 16,9% nas despesas or&ccedil;amentais (o que representa uma pequena redu&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o ao Or&ccedil;amento de 2005) e que as prioridades estabelecidas - o combate ao insucesso e abandono escolares, o alargamento de oportunidades de aprendizagem, o aprofundamento da cultura e da pr&aacute;tica de avalia&ccedil;&atilde;o, o aumento do investimento em R&amp;D, bem como do n&uacute;mero de investigadores e, de um modo geral, a promo&ccedil;&atilde;o da cultura cient&iacute;fica e tecnol&oacute;gica - se afiguram ajustadas &agrave;s necessidades desenvolvimentistas do Pa&iacute;s.</p>
<p align="justify">Mas, ainda assim, julgo subsistirem alguns equ&iacute;vocos por desfazer, equ&iacute;vocos esses que se prendem com a necessidade de nos concentrarmos em cinco n&iacute;veis de interven&ccedil;&atilde;o priorit&aacute;rios, a saber:</p>
<ul>
  <li> a indispensabilidade de se continuar a desenvolver esfor&ccedil;os no sentido do alargamento da rede de educa&ccedil;&atilde;o pr&eacute;-escolar, sem que tal signifique perda de qualidade ao n&iacute;vel das unidades existentes;</li>
  <li> a necessidade de exist&ecirc;ncia de um ensino m&eacute;dio que responda &agrave;s novas solicita&ccedil;&otilde;es do mercado;</li>
  <li> a imperiosidade de um sistema de ensino que, assentando na igualdade de oportunidades, n&atilde;o deixe de se basear no princ&iacute;pio da selec&ccedil;&atilde;o a partir das qualidades de trabalho, de intelig&ecirc;ncia e de compet&ecirc;ncia, valorizando o car&aacute;cter e a ades&atilde;o a valores que se prendam com a &eacute;tica profissional e o exerc&iacute;cio de uma cidadania respons&aacute;vel;</li>
  <li> a imprescindibilidade de uma melhor articula&ccedil;&atilde;o entre a Escola e o Mercado, apostando-se, crescentemente, na realiza&ccedil;&atilde;o de est&aacute;gios, no que se convencionou designar de &quot;cursos-sanduiche&quot;, procurando-se orientar os cursos a leccionar para dom&iacute;nios considerados de import&acirc;ncia crucial &agrave; implementa&ccedil;&atilde;o da estrat&eacute;gia desenvolvimentista do Pa&iacute;s;</li>
  <li> finalmente, a necessidade de se conciliar o movimento em direc&ccedil;&atilde;o &agrave; especializa&ccedil;&atilde;o com o Ensino Universal, base da modalidade potencial e efectiva da m&atilde;o-de-obra e, por conseguinte, da flexibiliza&ccedil;&atilde;o do mercado laboral, num contexto de internacionaliza&ccedil;&atilde;o.</li>
</ul>
<p align="justify">Ora, n&atilde;o se apresenta poss&iacute;vel alargar a rede de educa&ccedil;&atilde;o pr&eacute;-escolar sem perda de qualidade, nem t&atilde;o pouco manter alguma selectividade no Sistema de Ensino, se se adoptar a perspectiva, ou melhor, o princ&iacute;pio da &quot;invers&atilde;o da pir&acirc;mide&quot;, como alguns parecem querer propor.</p>
<p align="justify">De facto, alguns te&oacute;ricos pretendem contrapor &agrave; sociedade piramidal em que vivemos uma sociedade cil&iacute;ndrica, qui&ccedil;&aacute; esf&eacute;rica, para cuja constru&ccedil;&atilde;o seria indispens&aacute;vel passar-se pela concretiza&ccedil;&atilde;o do princ&iacute;pio da invers&atilde;o da pir&acirc;mide.</p>
<p align="justify">A aboli&ccedil;&atilde;o das provas de exame - quando n&atilde;o existam condi&ccedil;&otilde;es para uma efectiva avalia&ccedil;&atilde;o cont&iacute;nua - corresponde a uma manifesta&ccedil;&atilde;o dessa mentalidade pr&oacute;-invers&atilde;o piramidal, o mesmo acontecendo, do meu ponto de vista, como o novo Ante-Projecto de Decreto-Lei sobre as condi&ccedil;&otilde;es de acesso &agrave; universidade.</p>
<p align="justify">Neste ponto particular, n&atilde;o resisto &agrave; tenta&ccedil;&atilde;o de fazer um breve coment&aacute;rio.</p>
<p align="justify">Em todo o texto do sobredito Ante-Projecto n&atilde;o consegui descortinar uma refer&ecirc;ncia, sequer, a habilita&ccedil;&otilde;es m&iacute;nimas dos candidatos, depreendendo-se de uma leitura atenta do mesmo que, em princ&iacute;pio, podem ser, ou poder&atilde;o vir a ser candidatos &agrave; universidade todos os maiores de 23 anos, mesmo que n&atilde;o saibam ler ou escrever.</p>
<p align="justify">Alguns argumentar&atilde;o n&atilde;o ser esse o objectivo do referido Decreto-Lei, tanto mais que existe um Ensino B&aacute;sico obrigat&oacute;rio, pelo que a produ&ccedil;&atilde;o de nova legisla&ccedil;&atilde;o que permitisse o acesso &agrave; universidade sem que, pelo menos, tivesse sido garantida a frequ&ecirc;ncia, com sucesso, do Ensino B&aacute;sico, corresponderia a uma contradi&ccedil;&atilde;o insan&aacute;vel, podendo mesmo ser interpretada como um convite ao incumprimento da Lei.</p>
<p align="justify">Mas, se n&atilde;o &eacute; esse o objectivo - e tendo em vista clarificar o que se pretende que claro fique -, ent&atilde;o dever-se-&aacute; introduzir uma cl&aacute;usula em que tal ficasse consagrado, isto &eacute;, em que se estipulasse que, pelo menos, o Ensino B&aacute;sico obrigat&oacute;rio deveria corresponder a uma habilita&ccedil;&atilde;o m&iacute;nima de qualquer candidato ao Ensino Universit&aacute;rio.</p>
<p align="justify">Por outro lado, a pr&oacute;pria ideia de discrimina&ccedil;&atilde;o negativa do Ensino Privado em rela&ccedil;&atilde;o ao Ensino P&uacute;blico - que, infelizmente, continua a estar presente no esp&iacute;rito de alguns respons&aacute;veis - corresponde, tamb&eacute;m, a uma manifesta&ccedil;&atilde;o do sindroma da invers&atilde;o piramidal, numa demonstra&ccedil;&atilde;o de um certo primitivismo ideol&oacute;gico, ainda herdeiro de uma concep&ccedil;&atilde;o bipolarizadora da sociedade.</p>
<p align="justify">Paralelamente, importa referir que pouco tem sido feito no dom&iacute;nio do Ensino M&eacute;dio, o qual continua a ser associado a um Ensino de Segunda Classe, como se s&oacute; fosse poss&iacute;vel ter-se &ecirc;xito sendo-se licenciado por uma universidade.</p>
<p align="justify">A ideia de que &eacute; preciso aumentar o n&uacute;mero de licenciados, sem se acrescentar que tal n&atilde;o pode nem deve ser feito de qualquer maneira e que um Ensino M&eacute;dio de qualidade &eacute;, tamb&eacute;m, um indicador de desenvolvimento, pode induzir em erro muitos jovens que preferem um mau curso superior - ou um curso superior de que nada poder&atilde;o retirar, em termos de benef&iacute;cios profissionais - a um bom Curso M&eacute;dio s&oacute; por uma quest&atilde;o de moda ou, se se preferir, de imagem.</p>
<p align="justify">Finalmente, n&atilde;o se afigura poss&iacute;vel pensar numa melhor articula&ccedil;&atilde;o entre a Escola e o Mercado sem se reflectir sobre a implementa&ccedil;&atilde;o do processo de Bolonha.</p>
<p align="justify">A ideia subjacente ao processo de Bolonha parece ser o da cria&ccedil;&atilde;o de um primeiro est&aacute;gio, correspondente &agrave; licenciatura, que permita ministrar conhecimentos b&aacute;sicos que possibilitem o exerc&iacute;cio de diversas actividades - que n&atilde;o requeiram um elevado grau de especializa&ccedil;&atilde;o -, propiciando uma mobilidade acrescida da m&atilde;o-de-obra.</p>
<p align="justify">O mestrado j&aacute; corresponderia a um grau de especializa&ccedil;&atilde;o mais elevado e, naturalmente, o doutoramento implicaria um conhecimento mais profundo da &aacute;rea de especializa&ccedil;&atilde;o escolhida.</p>
<p align="justify">Todavia, importa que n&atilde;o se caia na tenta&ccedil;&atilde;o de converter a licenciatura num bacharelato, o mestrado numa licenciatura mais e o doutoramento num mestrado um pouco mais exigente.</p>
<p align="justify">Se tal viesse a suceder as ordens e associa&ccedil;&otilde;es profissionais tenderiam a substituir-se &agrave;s universidades na selec&ccedil;&atilde;o de compet&ecirc;ncias e, por conseguinte, na segmenta&ccedil;&atilde;o dos mercados, deixando de haver a articula&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria entre os crit&eacute;rios de produ&ccedil;&atilde;o do sistema de ensino e os crit&eacute;rios de escolha do mercado.</p>
<p align="justify">Um mau diploma de acesso &agrave;s universidades articulado com um mau diploma da carreira docente - e bem assim com uma inadequada implementa&ccedil;&atilde;o do processo de Bolonha - conduziria a uma &quot;mistura&quot; explosiva, de consequ&ecirc;ncias imprevis&iacute;veis.</p>
<p align="justify">Poder&iacute;amos aumentar, significativamente, os indicadores relativos a licenciados, mestres e doutorados, mas n&atilde;o responder satisfatoriamente &agrave;s necessidades da economia portuguesa, criando novas &quot;bolsas de desemprego&quot; de m&atilde;o-de-obra teoricamente qualificada, mas in&uacute;til a uma comunidade que se pretende em transforma&ccedil;&atilde;o permanente.</p>
<p align="justify">A Escola deve articular-se com o Mercado, apostando-se, sempre que necess&aacute;rio, em parcerias e procurando-se valorizar &quot;n&uacute;cleos&quot; de docentes e de investigadores que realizem trabalho criativo, em contacto com a sociedade civil e com o mundo empresarial.</p>
<p align="justify">Mais, ainda, no caso concreto do Ensino Superior, haver&aacute; que pensar em dois aspectos essenciais:</p>
<ul>
  <li> o Ensino Superior deveria basear-se num Sistema Bin&aacute;rio;</li>
  <li> o Ensino Superior deveria ser financiado de acordo com crit&eacute;rios de efici&ecirc;ncia, que o mesmo &eacute; dizer, tendo em conta o grau de aproveitamento em cada estabelecimento de ensino.</li>
</ul>
<p align="justify">Quanto &agrave; primeira quest&atilde;o, importa reconhecer que o Ensino M&eacute;dio ou Profissional (que na Europa representa cerca de 40% do segmento et&aacute;rio compreendido entre os 15 e os 18 anos e em Portugal, apenas, 11% - sendo certo que 25% abandonam o Sistema de Ensino) s&oacute; poder&aacute; ter &ecirc;xito se, simultaneamente, se procurar apoiar e desenvolver o Ensino Polit&eacute;cnico.</p>
<p align="justify">Quanto &agrave; Segunda Quest&atilde;o - e partindo-se do princ&iacute;pio de que se pretende introduzir mecanismos de selec&ccedil;&atilde;o rigorosa que evitem a adop&ccedil;&atilde;o de uma metodologia conducente a um sistema de ensino cil&iacute;ndrico de topo piramidal ou de topo c&oacute;nico -, o Ensino Superior deveria ser financiado com base no n&uacute;mero de alunos que, no decurso do ano transacto, tiveram aproveitamento e n&atilde;o a partir do n&uacute;mero total de alunos inscritos, num dado per&iacute;odo de tempo, num estabelecimento de ensino determinado.</p>
<p align="justify">Minhas Senhoras;<br>
  Meus Senhores;<br>
  Caros Colegas:</p>
<p align="justify">N&atilde;o pretendendo alongar-me mais do que a paci&ecirc;ncia de quem ouve aconselha, resta-me reduzir a tra&ccedil;os conclusivos as ideias que procurei explicitar:</p>
<p align="justify">Assim e em primeiro lugar, considero-me adepto do regresso ao conhecimento pamp&eacute;dico ou universal, no actual quadro da globaliza&ccedil;&atilde;o, defendendo a sua compatibiliza&ccedil;&atilde;o com a especializa&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria.</p>
<p align="justify">Sou, tamb&eacute;m, favor&aacute;vel &agrave; ideia de que o Ensino Moderno deve radicar numa nova matriz paradigm&aacute;tica, resultante da Dogm&aacute;tica da Democracia e da Liberdade, que o mesmo &eacute; dizer, nos valores que, mal ou bem - em meu entender, bem -, integram a cultura ocidental.</p>
<p align="justify">Da&iacute; rejeitar o hiper-relativismo que conduz &agrave; aus&ecirc;ncia de crit&eacute;rios de escolha e de selec&ccedil;&atilde;o.</p>
<p align="justify">Penso, finalmente, que qualquer pol&iacute;tica educativa tem que ser adequada &agrave;s particularidades do pa&iacute;s a que se destina, apresentando-se da maior relev&acirc;ncia, em Portugal, o alargamento da rede de educa&ccedil;&atilde;o pr&eacute;-escolar, o desenvolvimento de um Ensino M&eacute;dio de qualidade, a introdu&ccedil;&atilde;o de crit&eacute;rios de selec&ccedil;&atilde;o (e de avalia&ccedil;&atilde;o) rigorosos e uma mais adequada articula&ccedil;&atilde;o da Escola com o Mercado e com o Estado.</p>
<p align="justify">Na certeza de que, em qualquer caso, o papel do docente deve ser dignificado, pelo pr&oacute;prio e pelos outros, que o devem saber respeitar.</p>
<p align="justify">N&atilde;o faz sentido exigir paix&atilde;o pelo Ensino ao docente quando ao n&iacute;vel dos respons&aacute;veis pol&iacute;ticos n&atilde;o existe paix&atilde;o pelo Pa&iacute;s e pelo seu Povo.</p>
<p align="justify">E, se me &eacute; permitido formular um voto, dada a situa&ccedil;&atilde;o em que nos encontramos e dado o significado comparativo das palavras, o nosso Pa&iacute;s precisa mais, hoje em dia, de quem tenha amor pela Educa&ccedil;&atilde;o e pelo Ensino do que Paix&atilde;o.</p>
<p align="justify">A Paix&atilde;o &eacute;, por vezes, fugaz, desaparece tal como emerge.</p>
<p align="justify">O Amor perdura e &eacute; disto que n&oacute;s todos precisamos.</p>]]>
    </content>
</entry>

</feed> 


